Quarta-feira, 23 de Junho de 2021
SAÚDE E SOCIEDADE

Pandemia aumenta casos de doenças mentais, desigualdade de gênero e suicídios

Temas foram debatidos na manhã de hoje (26) na Tribuna Popular da Câmara Municipal de Manaus



_117377722_foto_01_62BBF63D-FD51-43EA-BBB9-5B4D086B9260.jpg Foto: Reprodução/Internet
26/05/2021 às 15:29

Os males e sofrimentos causados pela pandemia de Covid-19, nos dois últimos anos, à população de Manaus foram os temas abordados por vereadores, médicos e psicólogos que participaram, na manhã desta quarta-feira (26) da Tribuna Popular da Câmara Municipal de Manaus (CMM).

Com o tema Valorização da Vida Humana, proposto pelo vereador Samuel Monteiro, os participantes debateram os efeitos que o cenário pandêmico vem causando na vida social, econômica e, principalmente, mental da população.

A gerente a Rede de Atenção Psicossocial da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), Efitimia Simões Aildes, falou sobre a o processo de valorização da vida por meio da dos cuidados da saúde mental. Segundo a psicóloga, a pandemia causou um aumento significativo no número de casos de transtornos mentais na população.

“Nesse momento que se arrasta por quase dois anos, de um cenário pandêmico, que trouxe tantos adoecimentos psíquicos em todos nós, é difícil alguém não conhecer uma pessoa que tenha desenvolvido algum tipo de sofrimento mental em decorrência da pandemia. Nós percebemos um aumento significativo de pessoas que procuram os nossos serviços todos os dias. Seja em decorrência de um agravamento de um transtorno mental ou de um quadro inicial de sofrimento psíquico que poderá acarretar em transtorno mental futuramente ou pelo uso abusivo de drogas e álcool”, disse.

A gerente destacou que a atual estrutura disponível para atender as pessoas que apresentam problemas mentais ainda é pequena, diante do aumento de casos registrados após o início da pandemia.

“Hoje, temos quatro centros de atenção psicossocial, dois deles que atendem crianças e adolescentes com transtorno mental, autismo e que fazem uso abusivo de álcool e drogas. E, temos os que atendem adultos com problemas de uso abusivo de álcool e drogas e adultos com transtornos mentais graves. Todos os nossos serviços estão superlotados. Dá para se imaginar que termos hoje apenas quatro centros de atenção psicossocial numa cidade que tem mais de 2 milhões de habitantes é muito pouco. Mas, a Secretaria está trabalhando para aumentar esses serviços. Em decorrência desse momento pandêmico, os casos se agravaram, o número de pessoas aumentou. Mais do que nunca precisamos olhar para a saúde mental das pessoas”, disse.

Dados

Segundo Efitimia, o Ministério da Saúde apontou que ocorrem  1,3 mortes, por dia, de profissional de saúde em decorrência de efeitos causados pela pandemia.

“Só na Semsa perdemos mais de 70 servidores. Nós, profissionais de saúde não paramos de trabalhar nenhum dia. Trabalhamos muito mais do que em outros anos. Muitos de nós estão cansados. Isso tem a ver com a valorização da vida. A gente precisa ter um olhar mais apurado para isso, porque as pessoas estão cansadas e adoecidas de tanto vivenciarem perdas e sofrimentos e suas mais diversas modalidades. Perda de pessoas próximas, amigos, familiares. A própria pressão pelo trabalho vem ocasionando grandes sofrimentos e precisamos ter um olhar muito particular para isso”, disse.

A gerente apresentou também os dados do Conselho Nacional de Farmácia que apontam um aumento no consumo de remédios antidepressivos e estabilizadores de humor entre janeiro a julho de 2020.

“Houve um aumento de 14% das vendas de antidepressivos e estabilizadores de humor em relação ao mesmo período de 2019. Remédios usados nos casos de transtornos afetivos como depressão, ansiedade e bipolaridade. Em números reais, o número de unidades vendidas pulou de 56,3 milhões, em 2019 para 64,1 milhões em 2020. Ou seja, o consumo de medicamentos aumentou de maneira muito grande porque muitas pessoas estão tendo que fazer uso de medicações psiquiátricas para dar conta do sofrimento desenvolvido ou agravado nesse período”, disse.

Mulheres

A avaliação também levou em consideração os efeitso da pandemia na igualdade de gênero. “Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), a igualdade de gênero retrocedeu em anos, durante a pandemia. Os relatórios indicam que as mulheres assumiram a maior parte das tarefas domésticas, cuidaram do familiar quando estava doente, mantiveram o cuidado com os filhos e ainda por cima tiveram que enfrentar a questão do desemprego, com a diminuição de renda. A pandemia só trouxe consequências e fatores para o adoecimento e retrocesso de anos de luta”, disse

Suicídio

Também como reflexo da pandemia, o número de suicídios aumentou em decorrência dos sofrimentos causados nesse período. “Um vereador daqui, o Capitão Carpê, salvou uma pessoa que tentava se jogar da ponte. Esse é um exemplo dos efeitos da pandemia, porque as pessoas, realmente, tem tentado tirar a própria vida, tiveram o pensamento de tirar a vida, que chamamos de ideação suicida. O mês de setembro está chegando quando trabalhamos o setembro amarelo, de prevenção ao suicídio. Acredito que esse ano, mais do que nunca deveremos levar a série essa campanha e de uma forma bem fortalecida devemos entender que o suicídio acontece, sim, porém há prevenção. Muitos casos de suicídio poderiam ter sido evitados se tivesse prevenção”, disse.




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