Sexta-feira, 03 de Abril de 2020
FALSAS INFORMAÇÕES

Pandemia de 'fake news': notícias falsas sobre coronavírus invadem internet

Desde que a propagação do Covid-19 tomou proporções mundiais, centenas de histórias falsas sobre sua origem, transmissão e tratamento precisam ser desmitificadas pelo Ministério da Saúde



1585733_D134C76F-28E0-4A73-B980-910940C8D9B1.jpg Foto: Reprodução/Internet
13/03/2020 às 08:07

Desde que a propagação do novo coronavírus (Covid-19) tomou proporções mundiais que centenas de histórias falsas sobre sua origem, transmissão, disseminação e tratamento precisaram ser desmistificadas e esclarecidas pelo Ministério da Saúde (MS) do Brasil. Tanto que foi necessário criar um canal exclusivo para o recebimento de informações virais que serão apuradas e respondidas pelas áreas técnicas em saúde a fim de confirmar se a notícia é verdadeira ou falsa.

Do início da divulgação dos casos da doença até o fim de fevereiro, o número de WhatsApp do MS – (61) 99289-4640 – recebeu cerca 6,5 mil mensagens questionando informações de saúde que circulam na web, sendo que 90% eram relacionadas ao novo vírus e, dessas, 85% eram falsas. Entre as principais “notícias” sobre o Covid-19 na Internet estão: a de que  o novo vírus é tranmitido por animais como cobra e morcegos;  que álcool em gel não é eficaz na prevenção, mas vinagre sim; que médicos tailandeses curaram uma pessoa com o vírus; e uma série de receitas caseiras eficazes para curar ou prevenir a doença.



O ministério também criou uma página no site oficial do órgão para desmitificar a doença, de forma didática, e rebater notícias sem fundamento.


Foto: Divulgação

Em relação às notícias falsas, a Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que não existe nenhuma comprovação científica de que o novo coronavírus veio dos animais.

“As investigações sobre as formas de transmissão do novo coronavírus ainda estão em andamento, mas a disseminação de pessoa para pessoa, ou seja, a contaminação por contato, está ocorrendo”,  esclareceu o Ministério da Saúde em nota.

O órgão nacional também destacou que, “até o momento, não há nenhum medicamento, substância, vitamina, alimento específico ou vacina que possa prevenir a infecção pelo coronavírus (Covid-19)”.

Cenário local

Para combater as desinformações no Amazonas, uma das estratégias da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM) é a atuação de forma educativa para que a população entenda o que é o vírus e atente para a prevenção e o controle não apenas do coronavírus, mas de doenças respiratórias em geral.

“Além de o Ministério da Saúde ter criado um telefone que fica disponível para tirar dúvidas sobre as informações falsas, a FVS-AM também está fazendo uma série de atividades na questão de desmistificar trazendo uma informação mais atualizada para combater isso”, comentou o enfermeiro Alexsandro Melo, do Departamento de Epidemiologia da FVS-AM.

“Nós estamos trabalhando junto às secretarias estadual e municipais de Educação para levar capacitações para profissionais da are a fim de que essas instruções sejam repassadas aos alunos. Fora isso, nós temos outra frente que é junto às empresas do Polo Industrial de Manaus e nós estamos fazendo palestra com o intuito de esclarecer a respeito do coronavírus e informar as medidas de prevenção e controle”, acrescentou.

As principais recomendações de prevenção dos órgãos de Saúde do Amazonas são a lavagem das mãos com água e sabão líquido ou então higienização com álcool em gel 70%, e que quando tossir ou espirrar, a pessoa cubra o nariz e boca com lenço ou com o braço.

“As doenças respiratórias possuem uma sintomatologia muito semelhante. Então, o paciente quando é acometido pelo vírus, aparece febre, em decorrência disso, ele vai apresentar tosse e pode haver uma evolução para um desconforto respiratório, se além desses sintomas de febre, tosse, mal estar, começar a sentir dificuldade para respirar, ele deve procurar imediatamente um serviço médico para que seja avaliado por um profissional”, disse Alexandro.

A transmissão dos coronavírus, segundo o Ministério da Saúde, costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva; espirro; tosse; catarro; contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão; contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos. Diante disso, a atenção é voltada para a higienização das mãos.

“Há algumas medidas que a gente chama atenção e que o MS atualizou, recentemente, é que se você ficou a dois metros de distância de uma pessoa doente, então o risco de você se contaminar é bem menor”, ressaltou o enfermeiro, que recomenda que se evite contato próximo com pessoas resfriadas ou que estejam com sintomas parecidos com os da gripe.

'Isso é um fenômeno mundial'

Para especialistas em combate à desinformação, quem promove “fake news” tem muitas vezes por  objetivo causar a sensação de pânico na população.

“Tem todo um enredo que vai desde a intenção de prejudicar alguém a até lucrar com a maldade, com epidemias, dentre outros. A desinformação virou um fenômeno mundial, o ápice ocorreu nas eleições para presidente dos EUA em 2016 e o Brasil teve seu momento na eleição passada”, destaca a jornalista Sídia Ambrósio.

De acordo como advogado Aldo Evangelista, especialista em Direito Digital, em alguns casos notícia verdadeira pode ser distorcida e assim tornar-se uma farsa.

“Qual a diferença quando se coloca qualquer notícia na Internet e quando é uma realmente desinformação? A gente diz que a desinformação é produzida de forma premeditada, são pessoas ou um grupo de pessoas que pensam e fazem de propósito, fazem isso com algum objetivo, é para atingir um alvo”, afirma Evangelista.

ESA e FVS promoveram palestras

A Universidade do Estado do Amazonas (UEA), por meio da Escola Superior de Ciência da Saúde (ESA), em parceria com a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM) e a Secretaria de Estado de Saúde (Susam), realizou o evento “Vamos falar sobre o Coronavírus?”.

A ação, com o objetivo de esclarecer e desmistificar informações falsas acerca do novo coronavírus, aconteceu  no último dia6, no auditório da ESA, na avenida Carvalho Leal, bairro Cachoeirinha, Zona Sul de Manaus. As palestras foram transmitidas simultaneamente para as unidades da UEA nos 61 municípios do interior do Estado pelo aplicativo “ManoWEB” (aba Educação) e pelo canal Telessaúde-AM.

77 é o número de casos confirmados até ontem da doença no Brasil pelo Ministério da Saúde, que monitorava 1.422 situações suspeitas. Outros 1.163 casos já foram descartados.

Amazonas atualiza plano de contingência

Apesar de não ter nenhum caso confirmado de Covid-19 no Estado, as autoridades de saúde do Amazonas atualizaram o Plano Estadual de Contingência para o enfrentamento da doença, após a Organização Mundial da Saúde  (OMS) anunciar, na última quarta-feira,  que há uma pandemia por coronavírus no mundo.

O novo cenário epidemiológico da doença viral e o que muda a partir da declaração da OMS foi apresentado aos membros do Comitê Interinstitucional Ampliado de Gestão de Emergência em Saúde Pública para Resposta Rápida aos Vírus Respiratório - Covid-19, em reunião, na tarde de ontem, na sede da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), em Manaus.


Foto: Divulgação

A diretora-presidente da FVS-AM, Rosemary Costa Pinto, informou que a adequação dos planos foi uma necessidade imposta a todos os estados a partir do novo cenário. No Amazonas, segundo explicou Rosemary, foram reforçadas as medidas de planejamento e estruturação nas áreas de vigilância e assistência.

“O novo cenário exige que todos os estados revisem seus planos de contingência, e nós fizemos isso”, declarou a gestora da FVS-AM. “Encaminhamos a nossa adequação para o Ministério da Saúde, levando em conta principalmente a necessidade de estruturarmos a rede assistencial, com leitos adequados, recursos humanos, insumos, medicamentos, e também readequamos as ações de vigilância para um nível estratégico de possível entrada do vírus no Estado”,  acrescentou.

Rosemary disse que o plano de contingência é atualizado de acordo com os níveis de respostas exigidos. Estados dos Brasil que já têm casos confirmados da doença, por exemplo, estão no nível 3. Já o Amazonas, está no nível 2, que são as regiões onde há notificação de casos suspeitos, mas sem confirmação. No geral, o País está no nível 3.

A FVS-AM recebeu ontem o primeiro resultado de exame realizado pelo o Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-FVS) de um caso suspeito de Covid-19. O resultado foi negativo.

O Amazonas tem até o momento 12 casos notificados como suspeitos de Covid-19, sendo 8 descartados e 4 em investigação. Dos casos suspeitos, 3 são em Manaus e 1 em Parintins. Todos os pacientes apresentaram sintomas gripais com histórico de viagem recente. Após atendimento, eles foram liberados, com a recomendação de isolamento social até o resultado dos exames.

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Repórter de Cidades
Jornalista formada pela Uninorte. Apaixonada pela linguagem radiofônica, na qual teve suas primeiras experiências, foi no impresso que encarou o desafio da prática jornalística e o amor pela escrita.

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