Domingo, 16 de Fevereiro de 2020
POLÊMICA

Papa evitará ordenação de padres casados na Amazônia, dizem bispos

'O papa não acredita na ordenação de homens casados, mas algo deve ser feito para pessoas privadas da Eucaristia', disse o bispo Oscar A. Solis, dos EUA



papa1_24B03CD4-A155-41B8-B02B-CAB0AC7AB25C.JPG Foto: AFP/ Sarah Milen
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11/02/2020 às 09:13

O papa Francisco evitará se pronunciar sobre a ordenação como padres de homens casados para a Amazônia - antecipou um grupo de bispos americanos à imprensa nesta terça-feira (11). "O papa não acredita na ordenação de homens casados, mas algo deve ser feito para pessoas privadas da Eucaristia", disse à mídia americana o bispo Oscar A. Solis, de Salt Lake City, Utah.

Ele se refere às regiões remotas da floresta amazônica, às quais os padres não podem acessar com frequência para dar a comunhão.



Solis e os bispos do Arizona, Colorado, Wyoming e Novo México foram recebidos por Francisco no Vaticano, na segunda-feira, para a tradicional visita ad limina, que acontece a cada quatro, ou cinco anos.

Com essa decisão, o papa argentino deseja que a esperada exortação apostólica que ele apresentará na quarta-feira sobre a Amazônia, com o título "Querida Amazônia", concentre-se nos desafios ecológicos, sociais e pastorais, e não tanto no fim do celibato. Esta é uma questão que divide profundamente a Igreja.

Os religiosos disseram não ter detalhes sobre o texto do papa, que inclui os pedidos dos bispos da região amazônica.

No total, 184 bispos, a maioria latino-americanos, reunidos por três semanas em outubro passado no Vaticano para o Sínodo da Amazônia, aprovaram um documento pedindo a introdução do "pecado ecológico", bem como a possibilidade de ordenar padres casados e ter diaconisas, temas considerados tabus para os católicos conservadores.

Um dos mais controversos pontos aprovados, com 128 votos a favor e 41 contra, a possível ordenação de homens que tenham uma família constituída e estável com autorização para celebrar os sacramentos em áreas remotas poderia desencadear um cisma com os defensores do celibato.

"Acho que ele deixou o assunto em aberto, sem uma decisão específica. Então, está aberto à discussão", completou Solis.


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