Quinta-feira, 18 de Julho de 2019
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Papa Francisco: gestos que conquistam

Papa Francisco surprendeu povo latino-americano. Simpatia é sua marca registrada, assim como a atenção dedicada aos pobres



1.jpg O Papa da humildade
AFP
28/07/2013 às 14:45

O papa Francisco conquista os latino-americanos com seus gestos de carinho e palavras afetuosas com os mais pobres, assim como suas mensagens sociais e políticas numa linguagem simples, buscando diminuir a distância entre a Igreja e o continente mais católico do mundo. Em sua primeira viagem como papa a sua região natal, Jorge Mario Bergoglio voltou aos tempos de arcebispo de Buenos Aires e apostou num estilo direto. Contato com as ruas, as brincadeiras, gestos improvisados e um ouvido atento a quem o cerca, ou ao menos, a quem consegue se aproximar apesar do enorme aparato de segurança.

Em cinco dias de uma viagem amplamente transmitida pela mídia brasileira, o papa fortaleceu sua popularidade na América Latina, onde seus gestos humildes tocam o coração de muitos. Bento XVI - agora papa emérito - era respeitado, mas as multidões não vibravam em sua presença. Tímido, intelectual, o papa alemão não tinha nem a delicadeza nem o carisma que conquista os latino-americanos. Parecia muito europeu, e foi recriminado por ter dado pouca importância à região com mais católicos no mundo (mais de 40%), que só foi visitada por ele duas vezes em seus quase oito anos de papado.

"Bento XVI era um intelectual, Francisco é um homem de contato, um contato que a Igreja precisa. É um papa que poderia ser seu vizinho”, comemorou João Francisco Pinto, um jovem monge franciscano que mora na favela da Rocinha. Francisco tomou o chimarrão oferecido por um fiel, beijou e abençoou as pessoas enquanto percorria a avenida Atlântica no papamóvel diante de 1,5 milhão de pessoas.

Ao visitar a favela da Varginha, disse que gostaria de “tomar um cafezinho e não um copo de cachaça” com cada um dos brasileiros, e usou frases do dia a dia do País, como “sempre se pode colocar mais água no feijão”, quando falou em solidariedade. O papa Francisco também deu mensagens claras e concretas nos planos social e político: a necessidade de defender a família, “remédio contra a degradação social”, a prioridade à educação, a luta legítima contra a corrupção, o direito ao trabalho para uma geração de desempregados.

Denunciou o culto ao dinheiro e as falsas ilusões criadas pelo individualismo desenfreado, o refúgio nos prazeres efêmeros. O Santo Padre também convocou à luta contra o tráfico de drogas, e se opôs à liberalização debatida na América Latina. Também considerou que a “pacificação” das favelas, tiradas das mãos dos traficantes pelas autoridades policiais, não é duradoura se não houver inclusão social. Ao mesmo tempo, o papa evitou dar lições e fazer condenações públicas, e assim ressaltou os progressos realizados pelo Brasil para a redução da pobreza.

Seu apelo por “um olhar positivo sobre a realidade”, feito em Aparecida, e a constante insistência na esperança e na amizade de Jesus, voltam a dar valor aos católicos, que achavam a mensagem da Igreja romana muito rígida, legalista e sombria. Neste sentido, pediu aos cristãos que “sejam alegres” e não usem uma “cara de luto”. “Que feio ver um bispo triste! Que feio!”, exclamou na noite de quinta-feira, 25, em Copacabana, durante a missa de Acolhida da JMJ.

 

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