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Papanicolau mais eficaz para prevenir câncer de colo uterino

Ginecologista da Fundação Cecon propõe que Estado adote uma nova metodologia para realização do exame preventivo 17/10/2015 às 13:46
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A vacinação contra o HPV, gratuita na rede pública, foi uma conquista das mulheres, mas os números da doença ainda sinalizam que é preciso mais ações
Marlúcia Seixas *Especial para A CRÍTICA Manaus (AM)

A campanha do Outubro Rosa, no Amazonas, devido ao alto índice de mortes por câncer de colo uterino, é mês de alerta para este tipo de câncer e mês de orientação para que as mulheres façam anualmente o exame de Papanicolau (preventivo), após o início da vida sexual.

Enquanto em todo o mundo e nas demais regiões do Brasil a campanha tem como bandeira a detecção precoce do câncer de mama, alertando para a importância do autoexame e a realização da mamografia a partir dos 40 anos de idade, no Norte é preciso se destacar também o câncer de colo uterino.

A afirmação é da ginecologista da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), Mônica Bandeira de Melo, conhecida pela luta empreendida em defesa da saúde da mulher e a mobilização, desde 2011, pela implementação gratuita da vacina contra o HPV (Papiloma Vírus Humano) para as meninas de 11,12 e 13 anos de idade em todo o Estado. Agora, ela propõe a adoção do Papanicolau com Citologia em Meio Líquido com Automação para o rastreamento do câncer de colo uterino.

No método convencional, o material produzido para o exame (a lâmina), aproveita apenas 20% das células cervicais. Já no método da Citologia em Meio Líquido, 100% das células são aproveitadas e, ao chegar no Laboratório, esse material é “tratado” numa máquina especializada, que proporciona uma leitura mais clara e eficaz.

Dados Alarmantes

“Em quase todo o mundo, o câncer de mama é o que mais acomete as mulheres, porém, no Amazonas, o de colo uterino ainda é o mais prevalente entre elas. Com exceção dos países africanos acometidos pelo HIV, imunossuprimidos, Manaus é a capital mundial deste tipo de câncer. Precisamos mudar essa realidade; esta é uma dívida histórica para com as mulheres do nosso Estado”, diz a médica.

Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer do colo do útero é o mais incidente na região Norte (23,57/100 mil). Nas regiões Centro-Oeste (22,19/ 100 mil) e Nordeste (18,79/ 100 mil), é o segundo mais frequente. Na região Sudeste (10,15/100 mil), o quarto e, na região Sul (15,87 /100 mil), o quinto mais frequente. Nos países desenvolvidos a taxa de incidência é menor que 10 para cada 100 mil habitantes. No Amazonas ela é de 35,32 e, em Manaus, essa taxa é de 52,33.

Em 2014, foram detectados 640 novos casos, com 289 mortes (uma mulher morre a cadadois dias por câncer de colo uterino), mas essa é apenas a ponta de iceberg, pois muitas mulheres morrem em casa sem diagnóstico.

“Quando nos referimos a todos esses números, estamos falando de pessoas, não esqueçamos nunca disso! É cruel, tendo em vista que se trata de uma patologia adquirida sexualmente, evitável, e de evolução lenta (entre 10 a 15 anos)”, revela Mônica Bandeira de Melo.

Cobrança do ministério

Mônica Bandeira cobra do Ministério da Saúde uma abordagem regionalizada e medidas mais efetivas na prevenção câncer do colo uterino para o Amazonas. “É preciso investir em alta tecnologia, considerando as especificidades, e os imensos obstáculos a serem vencidos no nosso estado”, diz.

A Citologia em Meio Líquido  existe nos países desenvolvidos há anos e no Brasil em laboratórios privados renomados e de medicina de grupo (planos de saúde). Pelo SUS, oferecem o exame apenas o Laboratório Central de Belém (PA) - única capital do País, a oferecê-lo desde abril de 2014, o Hospital de Câncer de Barretos (SP), e o Hospital AC Camargo (SP).

A médica ressalta que a parceria estado/município é imprescindível. A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa)  disponibiliza, a partir deste mês de outubro em nova sede, o Laboratório de Citopatologia Professor Sebastião Ferreira Marinho, que oferece espaço físico adequado para receber a tecnologia da Citologia em Meio Líquido com Automação, bem como os recursos humanos capacitados.

“Precisamos urgentemente de mais centros de referência na capital e no interior do Estado, que ofereçam colposcopias com biopsias e conizações. É indigno, imoral e inaceitável que em 2015 ainda tenhamos tantas mortes de mulheres, por esse tipo de câncer”, adverte.

A Citologia em Meio Líquido com Automação permite que 100% das células sejam aproveitadas e, ao chegar no Laboratório de Citopatologia, o frasco com o material coletado é colocado numa máquina especializada que elimina os artefatos (sangue, muco, secreção vaginal), e possibilita que as células sejam distribuídas uniformemente, num pequeno espaço, e em 1 única fina camada (não há sobreposição), o que torna a leitura mais clara e eficaz, possibilitando inclusive o ressecamento e contaminação por fungo.

A automação é indispensável para o rastreio do câncer de colo uterino no serviço público, pois faz a leitura da lâmina de forma automatizada.

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