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Cotidiano
campanha conscientiza

Três mil idosos sofrem com a Doença de Parkinson no Estado do Amazonas

Campanha destaca que o paciente precisa de total apoio e que não está sozinho na luta contra a doença 19/04/2016 às 04:00 - Atualizado em 19/04/2016 às 08:46
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Dos 255 mil idosos do Amazonas, quase três mil sofrem com a Doença de Parkinson, o que representa pouco mais de  1% da população idosa do Estado. (Foto Evandro Seixas)
Luana Carvalho Manaus (AM)

Dos 255 mil idosos do Amazonas, aproximadamente três mil sofrem com a Doença de Parkinson, o que representa pouco mais de 1% da população idosa do Estado.  A doença ocorre pela perda de neurônios produtores do neurotransmisor dopamina e, ainda que o pico de incidência seja por volta dos 60 anos, é preciso ficar alerta para os sintomas que aparecem antes desta faixa etária.    

Para manter a  população informada e passar orientações àqueles que tem dúvida sobre a doença, neurologistas e alunos de medicina realizaram uma ação da  campanha “Doença de Parkinson: caminhando juntos, vivendo melhor” da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), no Amazonas Shopping, na Zona Centro-Sul de Manaus.

De acordo com o doutor Marcus Della Colleta, neurologista e secretário do Departamento de Transtornos do Movimento da ABN, uma  campanha de conscientização da doença está sendo realizada em todo o país durante o mês de abril. 

Nesta segunda-feira (18), eles distribuíram panfletos com informações sobre a Doença de Parkinson e esclareceram dúvidas. “O objetivo é fazer um esclarecimento da doença, cujos principais sintomas são motores, relacionados aos movimentos, como tremores, rigidez nos músculos, lentidão dos movimentos e desequilíbrios”. 
 
O médico alertou, ainda, que mesmo que os motores chamem mais atenção, a lentidão no funcionamento do  intestino, dores nos ombros, nas costas, problemas no sono e tendências a sintomas depressivos também são sintomas importantes. Segundo ele, apesar de raro, a doença também pode se manifestar em pessoas mais novas, a partir dos 20 anos.

‘Saúde Pública’

A campanha destaca o fato de que o paciente com DP precisa de total apoio e que não está sozinho na luta contra a doença. “Depois de Alzheimer, Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa mais frequente na terceira idade. Portanto, com aumento da expectativa de vida do brasileiro, ela se torna um problema de saúde pública e merece grande atenção”, afirma doutor Delson José da Silva, coordenador do Departamento Científico de Transtornos do Movimento da ABN.

'Neurodegenerativa'

Parkinson é uma doença neurodegenerativa progressiva e incapacitante, que ocorre a partir da diminuição intensa da produção de dopamina, indispensável para o funcionamento normal do cérebro. Na falta dessa substância, o indivíduo perde o controle motor e os movimentos voluntários passam a não acontecer mais de forma automática.
 
“Estudos apontam que múltiplos fatores contribuem para o surgimento da doença. Fatores ambientais como produtos químicos tóxicos advindos do contato de pesticidas, herbicidas e metais; agentes infecciosos ou mesmo partículas orgânicas danosas que atingiriam um individuo genética e constitucionalmente, podem promover alterações celulares que levariam à morte de neurônios produtores de dopamina”, explica.

O diagnóstico preciso só pode ser feito por neurologistas. “Exames laboratoriais e funcionais formam um importante arsenal para o diagnóstico da doença. Os exames complementares são indicados no caso de dúvidas quanto ao diagnóstico”, completa Delson.

Tratamento

A doença de Parkinson não tem cura, mas os tratamentos conseguem atuar sobre os principais sintomas, diminuindo seus efeitos.  

Segundo Marcus Vinícius Della Colleta, secretário do Departamento Científico de Transtornos do Movimento da ABN, atualmente duas linhas de tratamento são indicadas: medicamentoso, que atua sobre os sintomas em diversas fases da doença; e cirúrgico, que pode ser ablativo (uma pequena lesão feita em um ponto do cérebro para bloquear algum sintoma) ou, ainda, a instalação de um eletrodo no cérebro (mais conhecido como DBS, do inglês deep brain stimulation), que possibilita o controle de alguns sintomas por meio de modulação elétrica daquela região. 

As principais novidades no tratamento da Doença de Parkinson estão, principalmente, entre as novas formas de administração de medicamentos, como, por exemplo, o uso de adesivos (já disponível) e o desenvolvimento de novas tecnologias, sendo a administração inalatória (ainda em testes) uma delas.

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