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Cotidiano
MURO DA DISCÓRDIA

Paralisação do governo dos EUA torna-se a mais longa da história do país

O recorde anterior, de 21 dias, aconteceu entre 1995 e 1996, sob o ex-presidente Bill Cliton 12/01/2019 às 17:58
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Aviso dizendo que o General Grant National Monument está fechado devido à paralisação parcial do governo na cidade de Nova York, EUA, 12/01/2019. REUTERS / Shannon Stapleton
Por David Brunnstrom e David Morgan (Reuters) Washington

A paralisação parcial do governo norte-americano, pela exigência do presidente Donald Trump por 5,7 bilhões de dólares para construir um muro na fronteira com o México, entrou no seu 22º dia neste sábado, tornando-se o mais longo da história do país, e ainda não tem previsão para acabar.

O recorde anterior, de 21 dias, aconteceu entre 1995 e 1996, sob o ex-presidente Bill Cliton.

Trump afirmou na sexta-feira que não declararia emergência nacional “imediatamente” para encerrar o impasse sobre segurança na fronteira que paralisou cerca de um quarto do governo norte-americano. Ele falou após parlamentares pararem para o fim de semana, impedindo qualquer possível ação até a próxima semana.

No Twitter, neste sábado, Trump atacou os democratas. “Os democratas deveriam retornar a Washington e trabalhar para encerrar a paralisação e, ao mesmo tempo, encerrar a horrível crise humanitária na fronteira. Estou na Casa Branca esperando vocês!”, escreveu.

Trump também pediu que seus 57,2 milhões de seguidores no Twitter entrassem em contato com parlamentares democratas e dissessem a eles para “resolverem isso!”.

Democratas no Congresso, que consideram o muro uma resposta ineficiente e ultrapassada para um problema complexo, votaram diversas leis para reabrir o governo sem financiar a barreira de Trump. Mas elas foram ignoradas pelo Senado, controlado por republicanos. 

Trump originalmente afirmou que o México pagaria pelo muro, que ele afirma ser necessário para impedir o fluxo de imigrantes ilegais e drogas. Mas o México se recusou.

Departamentos do governo norte-americano, inclusive Tesouro, Energia, Comércio e Estado, fecharam as portas quando o financiamento terminou, em 22 de dezembro. Financiamento para outras áreas do governo, como o Departamento de Defesa e o Congresso, foi aprovado, mantendo as operações regulares.

A disputa afetou tudo, do tráfego aéreo à cobrança de impostos, e suspendeu o pagamento de muitos servidores públicos. 

Por volta de 800 mil funcionários do governo federal não receberam os pagamentos que deveriam ter sido depositados na sexta-feira. Alguns recorreram à venda de suas posses ou a apelos em financiamentos coletivos na internet para pagar as contas. 

O Aeroporto Internacional de Miami afirmou que fecharia um de seus terminais mais cedo nos próximos dias pela falta de seguranças, que alegaram doenças em uma taxa duas vezes maior do que o normal. 

Um sindicato que representa milhares de controladores de tráfego aéreo entrou com um processo contra a Administração Federal de Aviação, na sexta-feira, afirmando que ela violou a lei de salários federais ao não pagar os trabalhadores. É pelo menos o terceiro processo de sindicatos em nome de trabalhadores sem salários. 

O chefe do Serviço Secreto dos Estados Unidos, responsável por proteger Trump, alertou que seus funcionários que o estresse financeiro pode levar a depressão e ansiedade. “Fiquem de olho nos sinais de alerta de problemas”, escreveu o diretor R. D. “Tex” Alles, em um memorando visto pela Reuters.

Trump tem descrito a situação na fronteira com o México como uma “crise humanitária”, enquanto especulações cresceram esta semana de que ele ignoraria o Congresso para começar a construir seu muro - uma medida que certamente levaria a uma contestação na Justiça de Democratas que afirmam que o muro seria uma medida bárbara e ineficiente. 

Em vez disso, o presidente pediu que os parlamentares lhe fornecessem os 5,7 bilhões de dólares que ele busca para a segurança nas fronteiras. 

Uma emergência nacional permitira a Trump desviar dinheiro de outros projetos para pagar pelo muro, uma promessa central da sua campanha em 2016. Isso, por sua vez, poderia levá-lo a assinar leis que restauram o financiamento de agências que foram afetadas pela paralisação.

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