Quinta-feira, 24 de Setembro de 2020
POLÍTICA

Parlamentares do AM repercutem protestos pró-intervenção militar do domingo (19)

Manifestantes também pediam o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF). Presidente Jair Bolsonaro chegou a participar de ato em Brasília



BOLSO-DOENT_288DE642-A370-415C-9617-041A69C0385E.jpg Foto: AFP
20/04/2020 às 15:32

Parlamentares do Amazonas repudiaram as manifestações pró-intervenção militar no país realizadas em várias cidades brasileiras no último domingo (19). Os protestos também pediam o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF).

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) participou de um dos atos, em Brasília, o que repercutiu negativamente entre representantes dos Poderes e no meio político.



O senador Eduardo Braga (MDB) disse, em publicação no Twitter, que os atos colocam em risco a democracia e a saúde da população, por conta das aglomerações em plena pandemia de coronavírus. O parlamentar frisou que o isolamento social é a condição essencial para evitar a disseminação da Covid-19.

“Incentivar a aglomeração de pessoas é atentar contra a vida. Incentivar ato que pede intervenção militar e fechamento das instituições é atentar contra o direito de cada um de nós, cidadãos”.

Plínio Valério (PSDB) também criticou os protestos a favor da intervenção militar.  

“É triste ver manifestações a favor do regime militar. Pior ainda, é achar que esse tipo de coisa representa a vontade da maioria. Somos quase 220 milhões de brasileiros. Alguém sabe informar quantos foram às ruas pedir intervenção dos militares? Essa minoria não representa nem de longe o que na verdade, pensam os brasileiros. Quem viveu ou sabe como foi o regime militar abomina tal ideia”, questionou acrescentando que em caso de consulta a grande maioria dos militares seria contra o retorno do regime.

Após receber críticas de manifestantes e de apoiadores do presidente, o senador afirmou que “a intolerância mútua e a falta de respeito entre os Poderes causam turbulência, mostrando que tem alguma coisa fora de ordem”. 

“Pensar diferente não é ser inimigo. O Executivo não pode aparelhar o Judiciário, o Judiciário não pode legislar e o Legislativo não pode enfraquecer o Executivo. Respeito entre os Poderes é o que os brasileiros exigem”, afirmou Plínio.

O deputado federal Marcelo Ramos (PL) afirmou que a participação de Bolsonaro em um dos atos é grave e deve ser repudiada. O parlamentar disse ainda que o presidente não pode atentar contra a Constituição Federal.

“Agora já não nos dividimos em partidos, ideologias, oposição ou situação. Agora nos dividimos entre quem respeita e defende a Democracia e quem compactua com o autoritarismo. Aos desavisados. Amar o Brasil e os brasileiros e defender AI-5 e Ditadura são coisa absolutamente incompatíveis. Quem ama o país respeita o seu povo não abre mão da Democracia”, escreveu o parlamentar que é também professor de direito constitucional.

Sidney Leite (PSD) republicou a declaração do ministro Luís Roberto Barroso em que escreveu “É assustador ver manifestações pela volta do regime militar, após 30 anos de 30 de democracia. Defender a Constituição e as instituições democráticas faz parte do meu papel do meu dever. Pior do que o grito dos maus é o silêncio dos bons (Martin Luther King)”.

José Ricardo (PT) também repudiou os atos e publicou uma charge que ironiza a campanha lançada pelo presidente com o slogan ‘O Brasil não pode parar’.

“O presidente presente e apoiando. Um desrespeito a Constituição e a democracia. Na ditadura não tem liberdade nem para se manifestar. Enquanto isso, o povo morrendo”, escreveu referindo-se a gravidade da pandemia de coronavírus, minimizada por Bolsonaro.

A favor

O vereador Chico Preto (DC) saiu em defesa do presidente. No Instagram, o parlamentar publicou uma foto da campanha presidencial de 2018 e escreveu “Se a caminhada está difícil, é porque estamos no caminho certo. E a convicção de apoio ao governo segue firme em 2020”.

Nesta segunda-feira (20), o deputado federal Alberto Neto (Republicanos) divulgou o vídeo em que Bolsonaro negou que os atos tivessem viés antidemocrático e repreendeu um apoiador que pediu o fechamento do STF.  

Bolsonaro declarou, nesta segunda-feira, que é contra o fim da democracia. “No que depender do presidente Jair Bolsonaro, democracia e liberdade acima de tudo”, afirmou a jornalistas na saída do Palácio da Alvorada.

O presidente da República também disse esperar que esta seja a última semana de medidas de isolamento social para conter a propagação do coronavírus no Brasil.

Desde meados de março, governadores e prefeitos incentivaram a quarentena e adotaram medidas de restrição à circulação de pessoas e ao funcionamento do comércio não essencial, em contraposição ao posicionamento de Bolsonaro.

Governadores divulgaram carta após discurso de Bolsonaro em manifestação

Governadores de 20 estados divulgaram uma carta de apoio ao Congresso Nacional em reação aos últimos ataques do presidente da República ao Parlamento. O documento afirma que as declarações do presidente afrontam princípios democráticos. “O Fórum Nacional de Governadores manifesta apoio ao presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, e ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, diante das declarações do Presidente da República, Jair Bolsonaro, sobre a postura dos dois líderes do parlamento brasileiro, afrontando princípios democráticos que fundamentam nossa nação”, diz a carta.

Na carta, os governadores afirmam ainda que a saúde dos brasileiros deve estar acima de interesses políticos e que é possível conciliar a necessidade de proteger a saúde da população e a economia. O documento não foi assinado pelos governadores do Acre (Gladson Cameli), Amazonas (Wilson Lima), Distrito Federal (Ibaneis Rocha), Minas Gerais (Romeu Zema), Paraná (Ratinho Júnior), Rondônia (Marcos Rocha) e Roraima (Antonio Denarius)

Saiba mais

A Confederação Nacional de Municípios (CNM) enviou carta aberta ao Congresso Nacional, nesta segunda-feira, em defesa da democracia. O documento parabeniza os presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, pelo trabalho em meio a maior crise sanitária já vivida pelo mundo. "Os deputados e senadores são os representantes das diversas localidades do País, diretamente conectados com a gestão dos Municípios e sabem selecionar as políticas públicas mais efetivas à toda população brasileira, em suas distintas necessidades. Agradecemos a apreciação de matérias que fazem de fato a diferença para aqueles que estão na linha de frente no enfrentamento dos efeitos deletérios da pandemia", diz o texto

No documento, a CNM frisa que "o movimento municipalista não concorda com ações que coloquem em risco a democracia e parabeniza as Casas pela capacidade de criar consensos, viabilizando resposta rápida e em escala necessária para o enfrentamento da calamidade".

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