Segunda-feira, 16 de Setembro de 2019
SEM CONSENSO

Parlamentares do AM se dividem sobre manutenção do Fundo Amazônia

Deputado Capitão Alberto Neto (PSL), e os senadores Eduardo Braga (MDB), e Plínio Valério (PSDB) divergiram sobre o fim do financiamento



dsdasaa_AB3966B2-10AE-4B67-97D6-E9BAD638707D.JPG Foto: Reprodução
19/08/2019 às 10:38

O Fundo deixará de receber R$ 289 milhões após dois financiadores europeus cortarem os recursos do projeto. Na última quinta-feira (15), a Noruega anunciou o congelamento do repasse ao Fundo Amazônia, que capta doações para prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento da Amazônia Legal, no Brasil e em países tropicais. O país foi o segundo a suspender os repasses. No início do mês, a Alemanha também deixou de fazer as doações.

A medida veio após o Ministério do Meio Ambiente decidir reformular a gestão do fundo e extinguir o Comitê Orientador do Fundo Amazônia (Cofa), criado para estabelecer os critérios de uso da verba região amazônica. A extinção do Cofa reduz a participação da sociedade civil, principalmente das Organizações Não Governamentais (ONGs). 

Preocupação

O senador Eduardo Braga (MDB) se disse preocupado com a suspensão dos recursos. “O que está em jogo é a continuidade de projetos estratégicos para o combate ao desmatamento na Amazônia, como projetos de manejo florestal, monitoramento, fiscalização, educação ambiental e desenvolvimento sustentável. Vamos continuar lutando para garantir a credibilidade do Fundo Amazônia. Com racionalidade e inteligência é possível fazer as mudanças necessárias”, argumentou.

Contrários

O senador Plínio Valério (PSDB) ponderou o corte, e defendeu que o Amazonas não terá ônus. “Para nós não influencia nada. Ano passado, só dois projetos foram contemplados para o Governo do Amazonas, em um total de R$ 47 milhões. As ONGs é que vão se danar, se é que vão. Para nós não faz a menor diferença congelar ou não congelar. É muita propaganda, muita balela, muita coisa em torno do Fundo Amazônia, como se fosse grande coisa para o Amazonas. Até hoje, o dinheiro que as ONGs pegaram atingiu 164 mil pessoas, a Amazônia tem mais de R$ 20 milhões de habitantes”, avaliou. 

O deputado federal Alberto Neto endossou a opinião de Valério que os recursos do Fundo Amazônia vão, sobretudo, para as ONGs. “Infelizmente, o dinheiro não chega  na ponta, no homem da floresta, que protege o meio ambiente, que ocupa esse território inóspito, sem infraestrutura, educação, saneamento. Esse fundo deveria ser usado para essa população, mas quando a gente anda nos interior, não é isso que a gente enxerga, é a floresta em pé, e o homem na miséria. Então precisamos entender como utilizar esse fundo. O homem do interior, da floresta não vai sentir nada porque esse dinheiro fica com essas ONGs que trabalham de maneira mais filosófica e esquecem de levar riqueza pro nosso povo”, frisa. 

Os dois parlamentares são aliados do presidente Jair Bolsonaro, que já deixou claro que não acredita em aquecimento global e endossa o discurso do seu ministro do Meio Ambiente de que a maior floresta tropical do planeta precisa de soluções capitalistas.

Fundo completa 11 anos

Criado em 2008 e aclamado como uma das melhores práticas globais de conservação, o Fundo Amazônia concentra hoje cerca de R$ 3,4 bilhões. Com o Fundo, 103 projetos são apoiados, dentre projetos em parcerias com municípios, estados, União, terceiro setor, universidades, e internacionais.

News portal1 841523c7 f273 4620 9850 2a115840b1c3
Jornalismo com credibilidade

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.