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Cotidiano
Sabatina Histórica

Parte de amazonenses e residentes em Manaus não sabem história do 5 de Setembro

Outro fato interessante é que ouvidos pela reportagem não sabem que a estátua localizada na Praça da Saudade é de Tenreiro Aranha, o primeiro presidente da Província 05/09/2017 às 06:00 - Atualizado em 05/09/2017 às 08:06
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"Praça da Saudade" abriga em seu centro a estátua de Tenreiro Aranha, o primeiro presidente da província do Amazonas (Fotos: Márcio Silva)
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Nem todos os amazonenses sabem que hoje, 5 de setembro, se comemora a Elevação do Amazonas à Categoria de Província, ou seja, a desvinculação ao vizinho Pará, que se chamava Grão-Pará, em 1850. E muito menos que a Praça da Saudade é, oficialmente, Praça 5 de Setembro e abriga o monumento em homenagem à Tenreiro Aranha, o 1º presidente da província.

“Não sei que data se comemora amanhã (hoje). É 7 de setembro?”, perguntou o administrador Patrick de Souza, 20, à pergunta da reportagem.

“É verdade que se comemora a elevação nesta terça?”, questionou a industriária Lana Katrine, Ao seu lado, a amiga Célia Silva, disse que também não saberia responder.

Estrangeiros que escolheram o Amazonas para morar, como o autônomo venezuelano Steffesson Muñoz, 23,que está há 2 meses em Manaus, também desconhhecem a data. “Estou há dois meses na cidade mas não sei o que se comemora neste 5 de setembro”, disse ele, também ser saber sobre a estátua de Tenreiro Aranha. 

Algumas pessoas sabiam dizer que a data de hoje é da elevação, mas não que o monumento instalado no Centro da Praça da Saudade era de Tenreiro Aranha. A estudante Eliza Oliveira era uma delas: “Não sei dizer quem está na estátua, mas sei que a data foi a libertação junto ao Pará para melhorar a economia local”.  

Já a também estudante Melissa Louise Monteiro, 17, titubeou e ficou em dúvida duplamente: ao ser perguntada qual era a data de hoje, falou que seria dia 4, e só após alguns segundos confirmou que era dia da elevação à categoria de província. Mas não soube responder sobre o homenageado com o monumento. “Passo com muita pressa por aqui pela praça porque tenho medo de assalto”, argumentou a adolescente.

Confusão na cabeça

O historiador Daniel Sales tem uma teoria sobre esse desconhecimento que há nas pessoas em relação ao 5 de Setembro. De acordo com ele, é a proximidade da data maior do Amazonas em relação ao 7 de Setembro, que pode ser “gerador da confusão” na cabeça de quem desconhece a data amazonense.

“Todas as unidades da Federação tem sua data de emancipação, e no caso do Amazonas a desvinculação se deu do Grão-Pará, cuja sede era em Belém, em um século, o 19, de muitas revoluções e mudanças. Cerca de 70% dos amazonenses não sabem sobre o 5 de setembro, e conhecem mais sobre o 7 de setembro, Dia da Independência. Ou , então, esqueceram da data. Talvez isso aconteça porque a data da elevação esteja perto do dia 7, coincidindo coma  Semana da Independência Nacional, e isso mexa com a cabeça das pessoas”, conclui Sales. “A população não reconhece. Muitos, até hoje, me perguntam o que é o 5 de setembro”, pontua o historiador amazonense, especialista também em futebol e Carnaval.

Amazonas pertencia ao Grão-Pará

Antes de se tornar independente e virar província, em 5 de setembro de 1850,  o Amazonas era subordinado ao Grã-Pará, e não tinha sua autonomia política, sendo chamada de . Comarca do Alto Amazonas.

Ela ganhou a condição de Província do Amazonas pela Lei n° 582, de 5 de setembro de 1850. Já a então Vila da Barra do Rio Negro. foi elevada à cidade com o nome de Manaus, mediante a Lei Provincial de 24 de outubro de 1848, e virou capital em de 5 de janeiro de 1851.

Bem antes disso, em 1832, uma revolta exigiu a autonomia do Amazonas como província separada do Pará. A rebelião resultou o envio de um representante Frei José dos Santos Inocentes, à Corte Imperial, que fez pressão para a criação da Comarca do Alto Amazonas.

Em meio a manifestações a favor da elevação à província, Tenreiro Aranha se destacou, argumentando que isso representaria o progresso político e o desenvolvimento econômico amazonense. E, assim, ganhou a relevância histórica que tem hoje.

Hélio Dantas, historiador

“A elevação do Amazonas à categoria de província foi muito importante para além da questão relacionada ao ranso que ficou quando a independência foi proclamada e o Grão-Pará assumiu, e se acreditava que a capitania iria ser elevada à categoria de província. E foi, no máximo, elevada à comarca, vinculada ainda ao Grão-Pará. Vejo que a importância maior dessa data pode ser apontada em dois aspectos: a enorme extensão geográfica da província do Grão-Pará, e ao progresso econômico da região, ganhando mais autonomia. E, décadas depois, veio o fenômeno da borracha”.

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