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Cotidiano
DETERMINAÇÃO

Partidos do Amazonas dizem estar de portas abertas para candidatos trans

O parecer do vice-procurador-geral eleitoral, Humberto Jacques, foi encaminhado ao TSE no dia 29 de janeiro deste ano, defendendo a inclusão de transgêneros nas eleições 03/03/2018 às 08:13
Show trans
Geizyara Brandão Manaus

Presidentes de diretórios de partidos no Amazonas, ouvidos por A CRÍTICA, ontem, garantiram que as portas das legendas estão estar abertas para candidatos transgêneros.  Na quinta-feira, o  Tribunal Superior Eleitoral (TSE) liberou a utilização do nome social na urna, além da inclusão, nas cotas gênero, de candidaturas de homens e mulheres  transgêneros. 

O presidente do Partido Humanista da Solidariedade (PHS) no Estado, vereador Wilker Barreto  informou que não haverá barreiras dentro do partido para transgêneros, uma vez que a “política deve ser de todos”. “Estamos de portas abertas para todos os candidatos que possuam ideias novas e que de fato acompanhem nossa luta diária por uma nova política na capital amazonense, no nosso Estado e País, que entendam nosso desejo e projetos para uma sociedade mais justa e humana”, disse. 

O presidente estadual do Partido Socialista Brasileiro (PSB), deputado Serafim Corrêa, destacou que as definições de candidaturas somente vão ocorrer a partir de maio, mas que a sigla defende a diversidade. “O partido é plural, respeita as opções de todos e respeita a decisão do TSE. Ela será cumprida. Agora, é preciso que haja candidatos preenchendo essas condições, que nós só vamos saber quando abrir o espaço para definir quem será e quem não será candidato”, afirmou Corrêa.

Para o parlamentar, não há como o partido “correr” atrás de um candidato trans, mas a pessoa precisa se disponibilizar. “A primeira coisa para se ter um candidato é que o cidadão se disponha.  Todos têm nosso carinho, o nosso respeito e nós trataremos isso no momento próprio. Nós vamos receber a todos, não discriminamos ninguém”, disse.

Questionado se o Partido da República (PR) vai usar a candidatura de mulheres trans para cumprir a cota feminina de 30%, o deputado federal e presidente estadual da legenda, Alfredo Nascimento ressaltou que neste ano haverá uma “chapa forte” de candidatas mulheres. “Não temos registro de filiados que se assumem trans, mas estamos abertos aos ativistas da causa. Somos um partido plural e queremos ter na nossa base representantes de todos os segmentos da sociedade”, enfatizou.

De acordo com a presidente estadual do Partido Socialismo e Liberdade (Psol), Pedrinha Lasmar as candidaturas são sempre de lideranças. “Se tiver uma pessoa trans, e vir candidata, é porque ela tem alguma representatividade. Então pode ser candidata também. Não só colocar porque ela é trans, mas porque tem uma representatividade”, destacou. 

Inclusão
O parecer do vice-procurador-geral eleitoral, Humberto Jacques, foi encaminhado ao TSE no dia 29 de janeiro deste ano, defendendo a inclusão de transgêneros nas eleições. “A desigualdade entre os eleitos não é causada pelos seus sexos ou por suas orientações sexuais, mas pelos papéis, limites, barreiras e condicionantes vigentes na sociedade em função do gênero”, acentuou o vice-PGE à época.

Maioria da bancada apoia decisão
 

A maioria da bancada do Amazonas, no Congresso Nacional, reagiu de forma positiva à decisão do TSE que, na última quinta-feira (1º), aceitou as candidaturas de homens e mulheres transgêneros nas eleições de outubro deste ano. A única manifestação contrária foi a do deputado federal Silas Câmara (PRB-AM) que classificou a decisão como “desnecessária” e até mesmo intempestiva porque, segundo ele, essa não uma matéria do Judiciário, mas do Legislativo. 

“Eles, dando essa interpretação, trazem um desafio muito grande para as famílias em se manter no conceito cristão e também familiar”, diz Silas Câmara. 

O deputado Gedeão Amorim (MDB-AM) diz ter recebido a decisão com naturalidade porque não se pode mais desconhecer as necessidades pessoais e sociais dos transgêneros. O deputado Carlos Souza (PSDB-AM) lembra que essa é uma questão polêmica, mas afirma que não se pode mais discriminar com atitudes homofóbicas. O deputado Paurdeney Avelino (DEM-AM) lembrou que em 2016 houve uma candidatura dessa natureza e que o a Justiça Eleitoral não considerou o nome feminino da candidata transexual. “A partir desse entendimento, haverá menos sofrimento e constrangimento. Foi uma decisão acertada”.

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