Domingo, 17 de Novembro de 2019
Notícias

Partidos pedem a cassação do mandato do deputado Bolsonaro após ofensas à parlamentar

Em discurso no plenário da Câmara Federal, Jair Bolsonaro disse que não estupraria deputada Maria do Rosário porque “ela não merece”. Petição on-line com mais de 100 mil assinaturas também pede a cassação do mandato



1.gif Jair Bolsonaro, deputado pelo estado do Rio de Janeiro
11/12/2014 às 10:05

Os partidos PT, PCdoB, PSOL e PSB entraram, na noite quarta-feira (10), no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados, com uma representação contra o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) pedindo a cassação do atual mandato dele. Eles acusam Bolsonaro de quebrar o decoro parlamentar ao ofender a deputada Maria do Rosário (PT-RS) durante pronunciamento na tribuna da Casa, terça (9).

"Fica aí, Maria do Rosário, fica. Há poucos dias, você me chamou de estuprador no Salão Verde e eu disse que não estuprava você porque você não merece. Fica aqui para ouvir", discursou Bolsonaro. A agressão verbal ocorreu após a deputada discursar, no plenário, sobre os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade (CNV), que investiga os crimes da ditadura militar no Brasil (1964-1985) – que recebe críticas de Bolsonaro.



Para os partidos signatários da representação no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, Bolsonaro demonstra "total desrespeito por sua condição de representante de todos os cidadãos e cidadãs brasileiras e, em especial, do povo do Rio de Janeiro. O deputado representado, quotidianamente, faz comentários misóginos, jocosos e estereotipados a respeito das mulheres, negros e homossexuais".

Na representação, os partidos acrescentam que o parlamentar "ameaça veladamente a deputada Maria Rosário de estupro, que segundo o mesmo [deputado], não fez porque “ela não merece”. Segundo as siglas partidárias, Bolsonaro também acusa a deputada e a presidenta da Republica "de participarem de diversos atos criminosos, como assassinatos, sequestro e roubo, entre outros".

Solidariedade

As ministras Eleonora Menicucci, da Secretaria de Políticas para as Mulheres, e Ideli Salvatti, de Direitos Humanos, assinaram nota de solidariedade à deputada Maria do Rosário (PT-RS) e repúdio ao deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) por ofensas dirigidas à deputada Maria do Rosário.

Nesta quarta-feira, ao ler a nota de repúdio, durante cerimônia de entrega do Prêmio Direitos Humanos 2014, Eleonora Menicucci lembrou que, desde 1990, o Brasil considera o estupro um crime hediondo. “É inaceitável que um deputado utilize seu posto para reverberar discurso de ódio e de incitação ao crime, que atinge, humilha e reduz as mulheres”, disse.

O discurso agressivo de Bolsonaro segue as mesmas palavras que ele usou em 2003 durante discussão com a deputada Maria do Rosário. Na época, a deputada o havia chamado de estuprador, por ele incentivar essa prática (estupro) mesmo sem ter consciência disso. Ele a empurrou e disse que ela era uma "vagabunda".

Ontem (10), o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), disse que a Casa não pode permitir que deputados tenham comportamento incompatível com o decoro parlamentar. Em conjunto, a bancada feminina e a Procuradoria da Mulher da Câmara divulgaram nota de repúdio à atitude do deputado.

"Não é a primeira vez que o referido deputado usa das prerrogativas do mandato parlamentar para transgredir o Regimento Interno, ficando à vontade para promover diferentes formas de violência. Incitar este ato de barbárie é ainda mais grave quando recordamos que, apenas em 2013, o Brasil registrou 50 mil casos de estupro", diz a nota.

Petição

Na internet, uma petição pela cassação do mandato do deputado já tem mais de 100 mil assinaturas. Jair Bolsonaro foi reeleito em outubro deste ano para o sétimo mandato no Congresso Nacional. Ele recebeu da população do estado do Rio de Janeiro 464.418 votos.

*Mariana Tokarnia, Paulo Chagas e Marcelo Brandão


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.