Quarta-feira, 13 de Novembro de 2019
NOVA ROUPAGEM

Partidos políticos rebatizam siglas para fisgar novos eleitores

Diante do desgaste e da crise de credibilidade frente à opinião pública, vários partidos mudam os nomes e promovem fusões



show_urna_30BD4AF3-AD6A-4542-828A-6D68B89AE607.JPG Foto: Arquivo/Ac
23/09/2019 às 06:30

Buscando reposicionamento no cenário eleitoral, diversos partidos políticos tem promovido a alteração de nomeclaturas. O movimento inclui também a fusão para manter o recebimento do Fundo Partidário. Atualmente existem 32 legendas com registro no TSE

A mudança de nome do Partido Popular Socialista (PPS) para Cidadania é apenas uma das nove alterações na denominação das siglas partidárias realizadas nos últimos 24 meses. O desgaste dos partidos e da própria classe política fez com as maiores siglas no Brasil buscassem um nome novo.



Dos 33 partidos políticos com registro válido no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cinco mudaram de nomes ou siglas em 2018. Neste ano, o TSE aprovou a alteração em três partidos.

Na avaliação do mestre em ciência política, Bruno Rodrigo Leite, a alteração no nome visa ‘colocar uma nova roupagem em velhos rótulos partidários’ diante do ceticismo dos partidos e seus dirigentes.

No dia 19 de setembro, o plenário do TSE  aprovou por unanimidade a troca do PPS pelo Cidadania.  Originário do antigo partidão - Partido Comunista Brasileiro (PCB), o PPS retirou o “Socialista” do nome para receber os grupos de renovação política, como Agora, Livres e Renova Brasil.

“A mudança é por vários motivos: no cenário político brasileiro onde a instituição partido está ficando defasada e estamos acompanhando uma tendência de mudança agregando movimentos com pessoas de pensamento mais liberal. Cidadania é um nome bem adequado ao que o partido, democrático, integra”, explicou o presidente estadual do Cidadania, Elcy Barroso Júnior acrescentando que a buro cracia e a personalidade jurídica do partido seguem a mesma sendo alterado apenas o nome.

Criado em 2005 com a finalidade de reunir políticos evangélicos oriundos de diversas legendas, o Partido Republicano Brasileiro (PRB) se transformou em Republicanos. A intenção da legenda é atuar no campo ideológico de centro-direita. No Amazonas, a legenda é comandada pelo pastor da Igreja Universal e deputado estadual João Luiz.

Após 13 anos, o Partido da República (PR) voltou a se chamar Partido Liberal (PL) se aproximando da ideologia liberal. O líder do PL no Amazonas é o ex-deputado federal Alfredo Nascimento

Outra sigla que mudou de nome foi o Partido Trabalhista Nacional (PTN), que se transformou em Podemos, em maio de 2017.  Em setembro deste ano, o plenário do TSE aprovou a incorporação do Partido Humanista da Solidariedade (PHS) ao Podemos. O processo se deu após o PHS não atingir a cláusula de barreira com o  impedimento de receber dinheiro do Fundo Partidário nas eleições de 2020.

Chamariz

Para o presidente estadual do Podemos, deputado estadual Wilker Barreto, o ‘nome simples’ da sigla é para atrair o eleitorado jovem.  “É um nome para trabalhar muito bem a questão da oxigenação da política. Muitas pessoas não entendem as inúmeras siglas e isso afasta determinado segmento, principalmente os jovens. O podemos é um partido leve com um pensamento moderno e jovem”, declarou Barreto que avalia como  positiva a fusão ao permitir que ‘pensamentos e times opostos caminhem na mesma direção’.

Outras siglas apostaram na retirada da palavra ‘partido’ do nome como alternativa diante da crise política Com a imagem fragilizada pelos escândalos de corrupção, o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) voltou a ser chamado de MDB (nome original), no final de 2017. Alteração da sigla foi uma estratégia para diminuir o desgaste partidário junto à sociedade brasileira.

O Partido Trabalhista do Brasil (PTdoB), que reúne dissidentes do antigo PTB, virou Avante. O Partido Social Democrata Cristão (PSDC) se intitula agora de Democracia Cristã (DC) e o Partido Ecológico Nacional (PEN), virou  Patriota (PATRI) para receber o então presidenciável Bolsonaro, o que acabou não ocorrendo.

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Repórter de A Crítica

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