Quinta-feira, 17 de Outubro de 2019
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Pastoral da Criança luta para reduzir os casos de obesidade infantil

A obesidade infantil, crescente em todo o País, vem sendo identificada nas crianças assistidas pela entidade e ganhando espaço nas reuniões e orientação às mães realizadas nas comunidades onde a pastoral atua em Manaus



1.jpg A nutricionista Marcina Chagas Alves acompanha o caso de Paula, uma menina que está 10 quilos acima do peso e cuja família teme pelo surgimento do diabetes
30/11/2013 às 20:31

A Pastoral da Criança, que ficou conhecida em todo o Brasil pelo combate à desnutrição infantil, problema ainda existente, mas em menor escala, agora se volta para outra questão também preocupante ligada à alimentação das crianças. A obesidade infantil, crescente em todo o País, vem sendo identificada nas crianças assistidas pela entidade e ganhando espaço nas reuniões e orientação às mães realizadas nas comunidades onde a pastoral atua em Manaus. Em 1998, pelo menos 15% das crianças menores de cinco anos acompanhadas pela entidade, sofriam com desnutrição crônica.

A coordenadora arquidiocesana da entidade, vinculada à Igreja Católica, assistente social Vera Lúcia Pereira, 56, disse que na última avaliação feita em 182 crianças de uma comunidade, verificou-se que seis estavam obesas e essa tem sido uma rotina nas avaliações mensais feitas pelas líderes. Caso de uma das pioneiras na entidade na capital amazonense, a nutricionista Marcina Chagas Alves, 59, que trabalha há 26 anos nas comunidades do bairro Alvorada 3, Zona Centro-Oeste. Ali, acompanha crianças como Paula*, que aos seis anos de idade pesa 37 quilos, 10 a mais do que o considerado ideal para a idade dela e mede 1m39 centímetros. Com um histórico de obesidade na família, a menina faz acompanhamento com nutricionista para prevenção de doenças como o diabetes, preocupação maior da mãe dela, pois vários parentes do pai de Paula têm a doença.



Sobrepeso

Paula, na verdade, já nasceu com sobrepeso, pois veio ao mundo pesando 5,5 quilos. Aos dois meses, chegou a pesar 7 quilos. “Tive que dar as roupinhas dela porque não cabiam. Eu nem dei papinha, para não estimular a gordura que chamava a atenção”, contou a mãe, que preferia as sopas e as frutas, consumidas por ela sem muita reclamação. Mesmo assim, Paula mantinha-se com o peso acima do normal. Para ela, não é problema ser identificada como gordinha. Aos que a chamam assim tem resposta pronta, diz a mãe, que tanto sob a orientação da Marcina quanto da nutricionista que acompanha a filha, evita os açúcares e as gorduras na alimentação em casa. Já estudante e sabendo ler, Paula, que gosta de dançar, espera a oportunidade para fazer uma atividade recomendada para esses casos como natação, mas inexistem ofertas próximo do bairro onde mora.

Marcina, que fez o curso de nutrição para poder melhorar a assistência dada às famílias acompanhadas por ela nas comunidades, observa a obesidade como um problema crescente. “Esse é um problema de saúde pública que não está restrito às classes de renda mais favorecidas”, assegura. Ela lembra os tempos em que era preciso reforçar a alimentação das crianças com a multimistura produzida pela entidade, com compostos vitamínicos, já que era grande o número de crianças apresentando deficiência nutricional. Muitas vezes, há falta de orientação das mães, que não sabem da importância de oferecer determinados alimentos para os filhos e filhas, diz ela, lembrando que a Pastoral faz esse trabalho de forma continuada.

* nome fictício

Educação deve ser priorizada

Como a maioria dos erros alimentares vem dos pais e das escolas, é preciso trabalhar esses dois aspectos para evitar a obesidade, afirma a nutricionista Cristiane Silveira Lima. Segundo ela, embora existam fatores genéticos, o maior da obesidade está nos hábitos errados.

Ao defender a realização de campanhas de orientação e esclarecimento permanentes enfatizando a importância da alimentação para a saúde da criança, a especialista destaca que a essa é uma doença que traz consequências graves para a saúde. “Ela é só a ponta do iceberg”, afirma ela, lembrando os inúmeros problemas de saúde vinculados ao excesso de peso. “Uma em cada duas crianças está cima do peso”, observa. Segundo Cristiane, é possível sim ter crianças saudáveis, desde que os pais sejam conscientes. Ela cita, inclusive, casos de filhos que criticam os hábitos alimentares dos pais Ao finalizar, ela garante que educar os pais vai fazer uma enorme diferença, porque a partir deles a escola mudará e passará a oferecer alimentos de melhor qualidade às crianças.



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