Quarta-feira, 26 de Junho de 2019
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‘Peço da população um voto de confiança’, afirma novo secretário de Saúde do Amazonas

Cirurgião-geral, Pedro Elias de Souza, 48, assumiu o comando da Susam na última quarta (1º). Em entrevista, ele fala como melhorará o serviço na rede pública



1.gif Desafio: novo secretário da Susam iniciará trabalhos já com cortes no orçamento
04/07/2015 às 14:30

O cirurgião-geral Pedro Elias de Souza, 48 anos, assumiu na última quarta-feira o comando da Secretaria Estadual de Saúde (Susam). Nesta entrevista, ele fala dos projetos que pretende priorizar, comenta os estudos que estão sendo feitos pelos técnicos da pasta para fazer frente ao momento de crise econômica, diz que aposta no diálogo e pede “um voto de confiança” da população, afirmando que os ajustes serão feitos de modo a não prejudicar os serviços prestados pela rede de saúde.

Como o senhor recebeu o convite do governador José Melo para assumir a Susam?

Fiquei lisonjeado, é claro, pois este é um cargo da absoluta confiança do governador. Sei do tamanho da responsabilidade que o posto representa e espero desenvolver um trabalho que permita às pessoas terem acesso a um serviço de melhor qualidade, um trabalho que promova a política de saúde no âmbito do SUS.

Como o senhor está recebendo o setor?

Sem sombra de dúvidas, o Estado tem, hoje, uma das redes de atendimento público de urgência e emergência mais bem estruturadas do Brasil. Ao mesmo tempo, as ações planejadas e executadas em parceria com os municípios, nos permitiram reduzir, de forma espetacular, o número de casos de malária e de dengue. Estamos, num projeto arrojado, expandindo para o interior o programa de diagnóstico de câncer de mama, através da implantação dos serviços de mamografia.

Quais as necessidades da rede?

É importante avançar, especialmente, na discussão que envolve a definição de um novo fluxo de atendimento na rede, desde Atenção Básica até a Alta Complexidade. Temos que trabalhar fortemente nessa lógica do Ministério da Saúde que é da estruturação das redes de atenção. E envolver nisso os nossos Centros Regionais de Saúde. Se conseguirmos avançar nessa direção, organizando o fluxo de atendimento, com cada ente assumindo seu papel, estaremos conseguindo minimizar boa parte dos nossos problemas.

No caso específico da saúde, já estão definidos onde serão feitos cortes orçamentários?

A saúde não está na UTI. Longe disso. Mas o Brasil enfrenta uma grave crise econômica e o Estado não está imune a isso. Vamos precisar nos adequar, replanejar, corrigir a rota. Vamos recuar 10 metros, ganhar impulso, para saltar 20 metros adiante. Vamos eliminar gastos desnecessários, racionalizar os custos e otimizar os processos de gestão. Nosso desafio é fazer isso, sem comprometer a qualidade do atendimento. Peço um voto de confiança da população neste momento tão difícil. Nós estamos finalizando os estudos que nos apontarão as melhores alternativas para fazer o enxugamento dos custos, sem afetar os serviços prestados à população.

As cooperativas de saúde que prestam serviço para o Governo afirmam que haverá prejuízos no atendimento nas unidades de saúde. Até que ponto isso é verdade?

É importante destacar que nenhuma medida será tomada sem ser previamente discutida por todos, e de maneira a não se confirmar prejuízos que vêm sendo propalados. É importante também frisar que esta discussão não está envolvendo apenas as cooperativas médicas, mas todos os fornecedores e prestadores de serviço. Os estudos que estão sendo feitos têm por finalidade nos apontar onde e se vai impactar, que percentuais de reduções são possíveis, sempre dentro da lógica de não comprometer os serviços à população.

Quais os principais projetos que o senhor pretende colocar em prática?

Há muitos programas importantes já em andamento com os quais tenho o compromisso de dar continuidade. Eu também estou determinado a criar um grupo técnico que me auxilie a fazer o acompanhamento do funcionamento das unidades de maneira mais sistemática. Este grupo executará um cronograma de visitas às unidades para, junto com seus gestores, identificar problemas da rotina de atendimento que devam ser melhorados.

Na sua posse o senhor deu indicação de que irá estreitar o diálogo com a Prefeitura de Manaus. Qual é este cenário hoje?

Nós vamos elaborar um projeto e apresentá-lo à Secretaria Municipal de Saúde, visando realizar uma parceria que permita melhor ordenar o fluxo de atendimento dos pacientes. Hoje o que temos é uma situação em que os prontos-socorros sofrem uma sobrecarga relacionada a casos que, em número muito expressivo, poderiam ser resolvidos na rede de Atenção Básica. As doenças crônicas precisam ter um melhor acompanhamento, que é de caráter preventivo, na Atenção Básica. Isso precisa ser melhorado. Repito que precisamos reforçar o conceito de estruturação das redes de atendimento.

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