Publicidade
Cotidiano
GESTAÇÃO

Especialistas debatem estratégias para prevenir gravidez na adolescência

Organizado pela farmacêutica Bayer há mais de dez anos, evento debate sexualidade, gravidez e métodos contraceptivos com profissionais de peso 01/10/2017 às 05:00
Show vida0101 48f
(Foto: Divulgação)
Lucy Rodrigues São Paulo (SP)

A cada hora, três crianças de 10 a 14 anos dão à luz a outras crianças no Brasil. A situação é alarmante, tendo em vista  as consequências econômicas, sociais, físicas e psicológicas de uma gravidez em fase tão precoce. Essa situação é diferente no Estado de São Paulo, que registrou uma redução em 40,97% nos índices de gravidez de mulheres de 10 a 14 anos, no período de 1998 a 2016, superando a meta da ONU, que é de 30% de redução.

O exemplo bem sucedido do Programa Estadual do Adolescente da Secretaria de Saúde paulista, coordenado pela  ginecologista, obstetra e doutora Albertina Duarte Takiuti, foi apresentado durante o Dia Mundial de Prevenção da Gravidez não Planejada (Contraception Day), 26 de setembro,  em evento organizado pela farmacêutica Bayer há mais de 10 anos em 70 países. No Brasil, o encontro reuniu um time de especialistas de peso para debater a sexualidade, gravidez e métodos contraceptivos e apresentou os dados de uma pesquisa nacional sobre o comportamento sexual dos brasileiros.

“Quando uma mulher entra em meu consultório e me diz que seu exame Beta HCG deu positivo, antes eu dizia: ‘Parabéns’. Hoje eu digo: ‘Como você se sente?’. Engravidar envolve a decisão, porém, na adolescência esse poder de decisão não existe. Se em Roraima 33% das grávidas são adolescentes entre 10 a 20 anos, não há poder de decisão”, instiga Takiuti.

O projeto coordenado por ela, que já recebeu prêmios internacionais, envolve uma série de ações voltadas para a educação sexual como Casas do Adolescente, rodas de conversa, palestras com especialistas, bem como a distribuição e educação para o usos de métodos contraceptivos. “É impossível que nas escolas desse País não se discuta o direito de engravidar, as questões de gênero e os direitos das mulheres à contracepção em todas as fases da vida”, questiona. 

Educação sexual

A psicóloga e terapeuta sexual Laura Muller

Terapeuta sexual e psicóloga, Laura Muller, é conhecida por dialogar com jovens e responder às mais variadas dúvidas sobre sexo no programa global Altas Horas e em palestras pelo País. Ela chama a atenção para a necessidade da educação sexual desde cedo, e que esta mesma deve ser compartilhada. “Infelizmente a sexualidade ainda é tabu em nossa sociedade. Nas palestras para jovens Brasil afora, quatro eixos preocupam: gravidez fora de hora, DSTs, a prática do sexo em si (o afeto e o prazer) e a diversidade sexual. Fora isso, o adolescente ainda enfrenta o dilema existencial, profissional e tóxico, do uso de drogas. É muita coisa para uma pessoa em formação. Por isso é necessário que a educação sexual seja compartilhada, com os médicos, psicólogos, escola, família, mídia e todos devem fazer sua parte”, frisa.

Entre os dados da pesquisa  realizada pela  Bayer com o apoio do Departamento de Ginecologia da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, que ouviu 2 mil homens de 15 a 25 anos em 10 capitais brasileiras a respeito do comportamento sexual e uso de contraceptivos, chama a atenção o fato de que 72% dos entrevistados acreditam que a responsabilidade de evitar uma gravidez não planejada seja do casal, porém apenas 31% tomam medidas preventivas necessárias para impedir uma gravidez ou DSTs.

Aspecto decisivo no combate à gravidez não planejada e no controle das doenças sexualmente transmissíveis, a educação sexual precisa ser melhorada. De acordo com os resultados obtidos na pesquisa, 38% dos entrevistados aprenderam sobre sexo e métodos contraceptivos com amigos e pela internet.

Além disso, 60% deles afirmaram que quando têm alguma dúvida sobre sexo pesquisam na internet e apenas 5% procuram a ajuda de profissionais  de saúde. “Os números indicam uma realidade delicada e mostram a necessidade de difundir informações  e ensinar adolescentes e jovens adultos sobre os métodos contraceptivos disponíveis e a importância da prevenção das DSTs, pois essa é a melhor saída para diminuir a gravidez na adolescência e surtos de sífilis, por exemplo. Conscientizar para prevenir, esse é o melhor caminho”, afirma o Dr. Afonso Nazário, ginecologista e Professor Livre-Docente do Departamento de Ginecologia da Unifesp.

Acolher o adolescente 

A gravidez não planejada é responsável por uma a cada duas gestações no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Para o Ginecologista e obstetra da McMaster University do Canadá, Dustin Costescu, em geral os riscos dos anticoncepcionais são menores que os da gravidez. “A mulher deve planejar sua gravidez para evitar complicações pela saúde dela e de seus filhos”, coloca.

Além dos vários riscos para a saúde da mulher decorrentes de uma gravidez não planejada, há ainda os problemas psicológicos, econômicos e sociais, que são acentuados se essa gestação acontece antes da fase adulta.

“70% das adolescentes que têm filhos estão fora da escola. A questão do acolhimento dessa adolescente em caso de gravidez é fundamental, do contrário ela não volta a estudar”, afirma a dra. Albertina. 

 “É difícil falar com adolescente. Mas a gente já foi adolescente, só que em outro tempo. A internet, as mudanças e os limites complicam um pouco. Não é fácil ser adolescente hoje, nem evitar uma gravidez fora de hora, DSTs e lidar com afeto e prazer sexual. É preciso acolher”, reforça Laura Muller.

*A jornalista viajou a convite da Bayer.

Publicidade
Publicidade