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Pena máxima para os réus do Caso Belota

Jimmy Robert primo, sobrinho e filho das vítimas foi condenado a 100 anos de prisão. Rodrigo Alves, 94 anos e 8 meses e Ruan Pablo, 90 anos de reclusão em regime fechado 22/11/2013 às 08:29
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Jimmy Robert é condenado a 100 anos de prisão pelos homicídios qualificados e triplamente qualificados
Jaíze Alencar Manaus (AM)

Após mais de 21h de julgamento, o triplo homicídio que ficou conhecido como 'Caso Belota' teve seu desfecho, os réus confessos Jimmy Robert de Queiroz Brito, Rodrigo de Moraes Alves e Ruan Pablo Bruno Cláudio Magalhães foram condenados a penas altas pelos homicídios qualificados e triplamente qualificados.

Os sete jurados decidiram a portas fechadas durante uma hora e meia, não aceitarem nenhuma das justificativas apresentadas pelos defensores, acompanhando inteiramente o parecer do Ministério Público do Amazonas pela condenação dos réus. A juíza Mirza Telma considerou os crimes como hediondos e proferiu as sentenças.

Jimmy Robert foi condenado a 100 anos de reclusão. Ele pegou 30 anos pelas mortes de Gabriela e Maria Gracilene, por terem sido mortas asfixiadas e 36 anos pela morte do pai dele, Roberval. Além disso, ele foi condenado a mais quatro anos por furto qualificado. 

Rodrigo Alves foi condenado a 94 anos e oito meses de prisão. Sendo 29 anos pelos homicídios contra Gabriela e Gracilene; 24 anos pela morte de Roberval; 10 anos de reclusão pelo estupro cometido contra Gabriela; quatro anos por furto qualificado e oito meses de reclusão por maus-tratos contra o cachorro Rick, morto por ele.

Todos os crimes cometidos por Rodrigo tiveram as penas atenuadas, por ele ter menos de 21 anos na época em que cometeu os crimes.

Ruan Pablo foi condenado a 90 anos de privação de liberdade. Ele recebeu pena de 29 anos por cada um dos homicídios cometidos, e mais três anos de reclusão por conta do furto qualificado. 

A juíza responsável pelo caso, Mirza Telma ressaltou que apesar das penas terem sido altas, a legislação brasileira só permite que os condenados passem, no máximo, 30 anos reclusos, podendo ganhar liberdade após este período. E que os réus provavelmente devem recorrer das sentenças. A juíza negou aos presos o direito de recorrerem das penas em liberdade.  


Família Belota comemorou ao final da sessão

Os familiares das vítimas que ficaram 24 horas no Fórum aguardando do início ao fim do julgamento, eles ouviram de mãos dadas a leitura da sentença.

Elane Belota, prima de Gabriela, se emocionou muito durante todo o julgamento, ao relembrar as cenas trágicas dos homicídios. Ela e toda família aplaudiram o resultado do julgamento e saíram do Fórum com sensação de que os culpados não ficarão impunes.

“O Jimmy merece o perdão que todos os seres humanos merecem, mas ele tem que pagar pelo crime que cometeu, a família Belota aguarda que eles cumpram o que a Justiça determinou na cadeia, como todos os outros condenados”, desabafou.

Reação dos condenados

Durante todo a leitura da sentença Rodrigo e Ruan se mantiveram ansiosos olhando fixamente para a juíza. Jimmy demonstrava calma e tranquilidade.

Ao final da sessão os advogados de defesa pediram alguns minutos para que os clientes pudessem se despedir das famílias.

O pai de Rodrigo foi até ele e o abraçou muito, os dois ficaram abraçados por um longo tempo e enquanto o pai falava ao seu ouvido, Rodrigo chorava intensamente.

A família de Ruan também acompanhou o julgamento e foi até ele para a despedida. Houve abraços e palavras de encorajamento. Familiares dizendo que não o abandonarão na cadeia. Ruan ficou muito emocionado, mas conseguiu segurar as lágrimas.

Jimmy foi logo retirado do auditório sem derramar uma lágrima.

Sentença vem após 11 meses dos crimes terem ocorrido

O Julgamento que começou às 9h da manhã de quinta-feira (21) no Fórum Henoch Reis, São Francisco, Zona Centro-Sul, foi marcado por comoção e debates acirrados.

O início do julgamento foi marcado pelo atraso decorrente da troca de defesa de Jimmy.  Os advogados abandonaram o cliente que foi defendido pelo advogado Mário Jorge Vitor indicado pela juíza Mirza Telma para que não ficasse sem defesa.

A juíza disse ainda que deverá realizar todos os procedimentos cabíveis em relação aos advogados do Jimmy que o abandonaram na manhã de quinta-feira (21), minutos antes de iniciar o julgamento.

De acordo com a magistrada se o advogado Mario Vitor não tivesse conhecimento sobre o caso, o julgamento poderia ter sido adiado.

Durante os interrogatórios os réus se contradisseram em vários pontos. Jimmy sustentou a participação de Olga como mentora dos crimes e negou ter oferecido parte da herança para Rodrigo e Ruan.

Rodrigo confessou ter sido o executor das mortes e ressaltou a importância de Ruan para ajudá-lo a matar as vítimas e negou ter estuprado Gabriela.

Frieza e falta de arrependimento

Durante a acusação do representante do Ministério Público,  Fábio Monteiro, a frieza e falta de arrependimento dos réus foi ressaltada. 

A acusação destacou para os jurados detalhes dos laudos técnicos a respeito do estupro contra Gabriela que provavam que Rodrigo havia cometido o ato sexual com a vítima.

Os advogados de defesa compararam a sentença por estupro como sendo sentença de morte. O advogado de Ruan Pablo, chegou a usar parte do tempo da réplica para defender o réu Rodrigo e teve que ser chamado atenção pala magistrada para que se mantivesse na defesa do Ruan.

Julgamento suspenso após um dos jurados passar mal

Quando o julgamento passava das 16h de duração,  a sessão teve que ser suspensa porque um dos jurados passou mal.

Ele recebeu atendimentos de uma enfermeira que estava na platéia. Aproximadamente após 30 minutos o julgamento foi retomado.



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