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Cotidiano
Região Norte

Pesquisa apresenta características dos crimes de exploração e violência sexual

Este perfil básico foi apresentado, na última quinta-feira (31), em uma das mesas do 2º Encontro Regional Mobilizando e Articulando Ações para o Enfrentamento a Violência Sexual na Amazônia 01/04/2016 às 10:42 - Atualizado em 01/04/2016 às 11:39
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Encontro acaba hoje com a divulgação da Carta Amazônica (Antônio Menezes)
Isabelle Valois Manaus (AM)

A violência sexual contra crianças e adolescentes na região Norte atinge indistintamente mulheres e homens e se aproveita das características da Amazônia para se concretizar. Este perfil básico foi apresentado, na última quinta-feira (31), em uma das mesas do 2º Encontro Regional Mobilizando e Articulando Ações para o Enfrentamento a Violência Sexual na Amazônia, pelo doutor em Educação Flávio Corsini Lírio. “Com o reforço das campanhas de denúncia ao disque 100, aumentaram nos últimos anos a consciência da população em denunciar, isso sem dúvida é um fato, porém o que ainda falta realmente são as políticas públicas, a região é completamente carente na estrutura, os profissionais não estão preparados a lhe darem com as vítimas, as unidades, além de vários outros pontos que precisam ser melhorados”, detalhou.

As principais preocupações dos comitês e instituições regionais e nacionais participantes do evento estão  voltadas para a ausência de  políticas públicas efetivas e  na dificuldade de fiscalização dos órgãos competentes no Norte, que enfrentam coisas como o fato de as “estradas” da região serem grandes rios em  que há pouca cobertura de fiscalização por parte dos órgãos de Estado.

De acordo com o pesquisador Corsini, no  Norte  a violência sexual se concentra nas áreas periféricas dos municípios, em locais em que  há a presença da população indígena, como é caso do Amazonas, Roraima e Tocantins, e em  comunidades ribeirinhas de toda região.

Lírio apontou situações preocupantes também nas fronteiras presentes na Região Norte. “A preocupação nelas realmente é focada no tráfico de drogas e contrabando. No caso de Roraima, fui responsável em fazer o levantamento da pesquisa na fronteira com a Venezuela”, contou. “Vi de perto que os agentes  da Receita Federal e da polícia se importam mais com cargas, mercadoria e produtos e não se preocupam tanto com pessoas e muito menos com crianças e adolescentes. Precisamos mudar essa visão!”, completou o pesquisador.

Além do tráfico entre as fronteiras, Lírio disse  que a pesquisa  confirmou  que no Norte do Brasil há também o tráfico de pessoas  interno dissimulado, que seria os casos nos quais  a criança ou o adolescente do interior, ribeirinho ou indígena, são enviados para  as cidades grandes com o objetivo de estudar, mas  por algum motivo são explorados de forma escrava na realização de serviços domésticos para os proprietários da casa onde serão acolhidos, sendo que na maioria das vezes são também  abusados sexualmente.

O 2º Encontro Regional Mobilizando e Articulando Ações para o Enfrentamento a Violência Sexual na Amazônia encerra, hoje, com a aprovação da “Carta Amazônica de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes”, com  propostas de políticas e medidas que devem ser adotadas para combater o problema. 

Auxílio da Polícia Rodoviária e as questões culturais

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) vem colaborando com  conselhos e instituições que atuam no combate a exploração sexual e a violência infantil, por meio do mapeamento nas estradas dos principais pontos vulneráveis em todo o Brasil.  

A PRF tem dado este suporte, além das orientações básicas e informações sobre os riscos e detalhes sobre os crimes de tráfico humano de crianças e adolescentes, além das vulnerabilidades da exploração sexual.

Essas informações foram repassadas pela secretária executiva do Comitê Nacional de Enfrentamento Sexual contra Crianças e Adolescentes (Conatrap), Karina Figueiredo, que ainda sim, disse que a preocupação realmente está nas fronteiras da região Norte, mas também em todo o contexto cultural da vulnerabilidade social.

“Aqui temos situações bem preocupantes, pois há comunidades ribeirinhas,  indígenas, entre outras. Estes são os contextos específicos do Norte e precisamos estar atentos e alertas para eles. É necessário que os grupos governamentais  estejam também nesta linha de pensamento e realmente atuem na causa”, completou.

Crescimento entre meninos

Conforme a pesquisa de articulação, a prioridade dos abusos continuam voltado ainda para os grupos de meninas, porém ultimamente o número na procura de meninos tem subido nos últimos anos.

Carta sugere novas políticas

O encontro se encerra hoje com a criação da “Carta Amazônica de Enfrentamento à violência Sexual Contra a Criança e Adolescentes”. Este documento terá o direcionamento das políticas públicas sugeridas.

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