Sábado, 31 de Julho de 2021
Atos antidemocráticos

Perfil falso derrubado pelo Facebook foi acessado da casa de Bolsonaro e do Planalto, aponta PF

A conclusão se deu durante as investigações de um inquérito, aberto em abril do ano passado, para apurar atos antidemocráticos



Palacio-do-Planalto-em-Brasilia_E5BE86E8-93D1-42F2-8D02-15B60BCA5D83.jpg Foto: Reprodução/Internet
07/06/2021 às 18:22

Após investigações sobre atos antidemocráticos, a Polícia Federal (PF) identificou que, um perfil falso derrubado pelo Facebook foi acessado a partir da rede de Wi-Fi do Palácio do Planalto e da casa da família Bolsonaro na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. O perfil, operado de endereços ligados ao presidente Jair Bolsonaro, está entre uma rede de contas falsas derrubadas pelo Facebook em junho do ano passado. 

A conclusão se deu durante as investigações de um inquérito, aberto em abril do ano passado, para apurar possíveis atos antidemocráticos. O inquérito investigou a organização de manifestações defendendo a volta da ditadura militar, intervenção das Forças Armadas e ataques às instituições democráticas que marcaram as comemorações pelo Dia do Exército em diferentes cidades do país. 



Segundo a PF, para derrubar a rede de contas falsas, incluindo o perfil acessado a partir de endereços ligados a Bolsonaro, o Facebook usou como base a seguinte tipologia estabelecida pela empresa: "operações executadas por um governo para atingir seus próprios cidadãos. Isso pode ser particularmente preocupante quando combinam técnicas enganosas com o poder de um Estado". 

Durante as investigações, a Polícia Federal mirou em algumas hipóteses, entre elas o uso de redes sociais e a identificação de perfis falsos removidos pelo Facebook por serem considerados inautênticos. A base das investigações foi um relatório produzido pela Atlantic Council, que faz análises independentes sobre a remoção de perfis da rede social por "comportamento inautêntico coordenado".

Em etapas, a PF analisou primeiro o relatório e identificou 80 contas consideradas inautênticas responsáveis pela difusão de informações antidemocráticas. Na sequência, operadoras de internet foram intimadas a compartilhar os números de IP dos terminais usados para operar esses perfis e os dados usados nos cadastros desses IPs, incluindo localização de acesso.

Ao final das investigações, a PF concluiu que ao menos 1.045 acessos partiram de órgãos públicos, incluindo a Presidência da República, a Câmara dos Deputados, o Senado e o Comando da 1ª Brigada de Artilharia Antiaérea do Exército. Nesta lista constam acessos a partir da rede de Wi-Fi do Palácio do Planalto e da casa dos Bolsonaro no Rio de Janeiro. 

Nos endereços ligados a Bolsonaro foram acessadas a conta de Instagram Bolsonaro News e o perfil pessoal no Facebook de Tércio Arnaud Thomaz, assessor do presidente apontado como integrante do chamado ‘gabinete do ódio’. Na casa de Bolsonaro, os acessos foram feitos em novembro de 2018. Já na rede da Presidência, foram mais de 100 acessos só ao perfil Bolsonaro News entre novembro de 2018 e maio de 2019. 

De acordo com o relatório da Atlantic Council, as contas eram usadas para atacar ex-aliados do governo Bolsonaro durante a campanha de 2018 e continuou depois que Bolsonaro assumiu o cargo. "Muitas dessas postagens foram publicadas durante o horário de trabalho, o que pode indicar que Tércio Arnaud Thomaz estava postando neste site durante o horário oficial do gabinete", diz trecho do relatório.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.