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Pescadores denunciam Sepror de não pagar dívida de R$ 933 mil da venda de carne de pirarucu

Secretaria de Estado de Produção Rural teria deixado de pagar a pescadores de Maraã (AM), desde ano passado, valor referente à venda de 150 toneladas de pirarucu  07/03/2015 às 10:28
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Alguns pescadores estão na cidade estão trabalhando como carregador na Manaus Moderna para custear despesas
Luana Carvalho Manaus

Aproximadamente 30 pescadores do município de Maraã (distante 634 quilômetros de Manaus) estão na capital reivindicando o pagamento da venda de mais 150 toneladas de carne de pirarucu à Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror), referente a despesca do ano passado. De acordo com eles, a dívida do Estado com os pescadores é de R$ 933 mil há quase quatro meses. 

Ao todo, 584 pescadores que atuam no “Lago Preto”, dentro da Reserva Mamirauá, estão prejudicados com a falta do pagamento. Para sustentar a família, eles compram mantimentos “fiado” com um comerciante da cidade. Somando as contas de todos os pescadores, a dívida no comércio chega a R$ 227 mil com juros. 

“Os pescadores são cobrados e pressionados todos os dias por causa da conta com o comerciante da cidade. Além disso, estamos com uma dívida de R$ 30 mil com o único posto de gasolina que fornece combustível fiado para que os pescadores possam pescar em suas rabetas”, comentou o presidente da Colônia de Pescadores de Maraã, Raimundo Torres. 

Os pescadores chegaram em Manaus na segunda-feira passada e estão abrigados em uma embarcação regional. Alguns estão trabalhando como carregadores de carga no porto da Manaus Moderna para garantir o alimento e a passagem de volta ao município.

“Estive várias vezes na Sepror e não há nenhuma resposta. Eles também fizeram um empréstimo com o banco, em nome dos pescadores, para pagar o nosso próprio produto. Compraram o pescado com o dinheiro do pescador e depois não pagaram o empréstimo. Agora os pescadores estão negativados”, disse o presidente do Sindicato dos Pescadores de Maraã, Manoel Nascimento.

No ano passado foram 13 dias de manejo do pirarucus. A parceria existe há cinco anos, mas os pescadores não estão satisfeitos. “Não vamos vender mais uma escama de peixe se não nos pagarem adiantado. Quando se falava na industria do ‘bacalhau da Amazônia’ em Maraã, diziam que era para melhorar a vida do pescador, mas foi o contrário. Teve pescador que morreu endividado”, complementou Raimundo.

O pescador Raimundo Nonato da Silva, 51, também veio para Manaus para cobrar o pagamento. “Estou trabalhando como vigia da embarcação onde estamos alojados porque não tenho mais dinheiro. Nossa situação está muito difícil. Só queremos receber pelo pescado que vendemos”, finalizou. 

Secretaria afirma não haver atraso

A Secretaria de Estado da Produção Rural (Sepror) informou que “não reconhece atraso no pagamento da produção referente ao pirarucu de manejo de Maraã em 2014”. Segundo a pasta, foi firmado convênio entre a Agência de Desenvolvimento Sustentável (ADS) e a Colônia de Pescadores, em que foi adiantado R$ 124 mil referente à produção de 2014.

O restante do valor deve ser pago até abril de 2015, ainda segundo a Sepror. A pasta afirmou, ainda, que não fez empréstimo em nome dos pescadores junto ao banco, “embora tenha conhecimento do problema enfrentado pela colônia por um processo conduzido pela Associação dos Amigos do Inpa (Assai), que, antes da atual gestão tomar posse, era a responsável por gerir os recursos do Estado relacionados ao manejo de Maraã”.

A saída da Assai e o repasse da condução do processo para a ADS, segundo a pasta, foram uma das primeiras ações da atual gestão para reorganizar o setor, segundo a Sepror.

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