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Cotidiano
CIÊNCIA

Pesquisa da FVS comprova transmissão de Zika e Chikugunya por fêmeas do Aedes

Estudo foi realizado com a Fundação Oswaldo Cruz do Amazonas e do Rio de Janeiro 15/11/2018 às 16:56 - Atualizado em 15/11/2018 às 20:05
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FVS realiza pesquisa em campo. FOTO: DIVULGAÇÃO/FVS
acritica.com Manaus - AM

De forma pioneira, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), órgão da Secretaria de Estado da Saúde (Susam), realizou, em parceria com a Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz), do Amazonas e do Rio Janeiro, pesquisa inédita que constatou, pela primeira vez, que fêmeas de Aedes aegypti encontradas na natureza, quando infectadas, podem transmitir os vírus zika e chikungunya para as larvas, fazendo com que os mosquitos já nasçam infectados.

A pesquisa foi realizada no município amazonense de Itacoatiara, a 270 km de Manaus, e integra uma parceria entre o Governo do Estado, o Governo Federal, Fiocruz, dentre outros órgãos de pesquisa, sobre doenças exantemáticas e febris. A pesquisa, intitulada “Evidências de Transmissão Vertical do Vírus Zika em Ovos de Aedes aegypti Coletados em Campo na Amazônia Brasileira”, foi divulgada na Revista Internacional Plos – Neglected Tropical Diseases, especializada na divulgação de estudos científicos.

Segundo o chefe de Departamento de Vigilância Ambiental da FVS, Cristiano Fernandes, coordenador da pesquisa, a importância desse “achado” na dinâmica de transmissão precisa ser aprofundado, porém, os resultados do estudo demonstram a transmissão vertical (de mãe para filho), neste caso, do mosquito (fêmea) para os ovos no ambiente natural.

"Em laboratório, já havia experimentos que demonstravam que era possível a transmissão vertical, de forma artificial, no qual as fêmeas eram alimentadas com sangue contendo o vírus zika, e passavam para os ovos, que geravam indivíduos já infectados. No entanto, estudos com mosquitos em condições naturais de campo, até então não haviam detectado a presença do vírus em formas imaturas, no caso, as larvas", revelou.

Cristiano esclarece que este trabalho evidencia que a via de transmissão vertical do vírus acontece na natureza.

Segundo o virologista da Fiocruz Amazonas, Felipe Naveca, coautor da pesquisa e responsável pelas análises moleculares e do sequenciamento dos vírus encontrados nas amostras de larvas, o estudo tem como proposta auxiliar nas ações de vigilância das arboviroses e nas diferentes estratégias de eliminação do vírus na natureza.

“A partir de agora, é comprovada a presença do vírus nas larvas no ciclo natural de evolução do mosquito, com sete dias. É fato a infecção ativa nos mosquitos imaturos, por isso, mais do que nunca, são necessárias as ações para eliminar depósitos de água parada, pois o mosquito não pode nascer", reforçou.

De acordo com o pesquisador da Fiocruz Rio de Janeiro, José Bento, também autor do trabalho, ainda há muitas perguntas que precisam de respostas.

“A pesquisa amplia, ainda mais, a discussão sobre as possíveis estratégias de controle que podem ser adotadas a partir da detecção da circulação viral em mosquitos, o que pode melhorar a capacidade de resposta das autoridades de saúde frente à introdução de doenças causadas por vetores", disse. Ele acrescenta que outras etapas deste estudo ainda estão em andamento e novas abordagens sobre estas evidências podem ser geradas.

Boletim epidemiológico

A FVS informa que as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti seguem em queda por dez meses consecutivos, no Amazonas, em comparação a 2017. A maior redução foi da  febre chikungunya que, até outubro de 2018, teve 170 casos notificados contra 548 casos em 2017, uma redução de 68%. A dengue apresentou redução de 42%, com 7.575 casos notificados em 2017 contra 4.379 de 2018. A zika teve redução de 32%. Em 2017 foram notificados 657 casos contra 446 em 2018.

Pesquisa em serviço

A Fiocruz, em parceria com a FVS, mantém no município de Itacoatiara, pesquisa científica sobre doenças exantemáticas e febris incluindo zika, chikugunya e dengue, além de outras viroses, como o sarampo.  As pesquisas contam com o financiamento no valor de R$ 3 milhões, distribuídos pelo Departamento de Ciência e Tecnologia (Decit), da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, do Ministério da Saúde, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e Fundação de Amparo a Pesquisa do Amazonas (Fapeam).

Além dos pesquisadores da FVS, o grupo é composto por pesquisadores de outras instituições, como a Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), órgão também da Susam, e Fundação Osvaldo Cruz do Rio de Janeiro e do Amazonas.

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