Quarta-feira, 20 de Novembro de 2019
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Pesquisa revela mais benefícios do aleitamento materno

Aleitamento regular está ligado às menores taxas de diarreia aguda, infecções do trato respiratório, otite média e outras infecções, e à menor mortalidade de crianças por essas doenças. Resultados mostraram, ainda, que crianças que não mamaram tiveram 2,6 vezes mais chances de ter diarreia



1.jpg Outros dados chamaram a atenção, como a constatação de que o uso da chupeta, especialmente durante o dia, pode elevar em quatro vezes as chances de a criança parar de mamar o peito, quando comparada com crianças que não usam
27/07/2015 às 20:14

Pesquisa na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP constatou que o aleitamento materno, além de todas as vantagens insistentemente divulgadas, também está ligado às menores taxas de diarreia aguda, infecções do trato respiratório, otite média e outras infecções, e à menor mortalidade de crianças por essas doenças. Os resultados mostraram, ainda, que crianças que não mamaram tiveram 2,6 vezes mais chances de ter diarreia.

Outros dados chamaram a atenção, como a constatação de que o uso da chupeta, especialmente durante o dia, pode elevar em quatro vezes as chances de a criança parar de mamar o peito, quando comparada com crianças que não usam. E, ainda que as crianças que não usaram mamadeira apresentaram 16 vezes mais chances de receberem o aleitamento materno.



O estudo foi feito pela enfermeira Floriacy Stabnow Santos, na cidade de Imperatriz, no Maranhão. O interesse da enfermeira pelo tema se deu por não existir uma pesquisa sobre essa temática naquele município. “Apesar desses dados refletirem o que outros estudos encontraram em vários municípios do país, Imperatriz tem condições de vida preocupantes, quanto a situação socioeconômica, infraestrutura entre outros, além do que o índice de aleitamento materno exclusivo entre crianças de seis meses é de apenas 2,8%”, diz.

Imperatriz é a segunda cidade mais populosa do Estado, com mais de 250 mil habitantes, localizada na divisa com o Tocantins e a cerca de 600 quilômetros (km) da capital, São Luiz. Seu Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) que avalia saúde, educação e renda, e divulgado no Atlas Brasil de 2013 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), é de 0,731, que leva a cidade a ocupar a 993ª posição entre os 5.565 municípios brasileiros.

A pesquisadora coletou dados sobre a importância do aleitamento materno em menores de um ano de idade, e os benefícios que essa pratica traz, associando os tipos de aleitamento com os casos de diarreia aguda. “O leite materno é um alimento indispensável no início da vida do recém-nascido, pois, oferece substâncias nutritivas, que fazem o bebê criar anticorpos”, lembra Floriacy.

As vantagens dessa prática, diz a pesquisadora, são: a satisfação do instinto materno, a redução do estresse e mau-humor, a sensação de bem-estar, devido à liberação endógena de beta-endorfina, a promoção da contração uterina pela ocitocina liberada com a sucção do bebê e suspensão da menstruação no período em que a mulher está amamentando exclusivamente.

Perfil

Para a participação da amostra da pesquisa, foram exigidos critérios como: a criança e seu acompanhante, sejam pais, irmãos, avós, tios, mães adotivas ou babás, estarem cadastrados na Estratégia Saúde da Família (ESF), ser residente da zona urbana de Imperatriz, e a criança deveria ser menor de 1 ano de idade.

A pesquisa foi realizada com 854 crianças menores de 12 meses de idade, 441 menores de seis meses, e 413 de seis meses a 12 meses. No momento da coleta de dados, das 854 crianças menores de 12 meses de idade, 128 não recebiam aleitamento materno. As demais, recebiam algum tipo como: exclusivo, predominante, misto ou complementado.

Floriacy lembra que a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de vida da criança, e complementado por outros alimentos até aos 2 anos de vida ou mais.

Diarreia aguda e maturidade materna

A diarreia aguda foi identificada em 196 crianças. Entre as de seis a 12 meses, 145 crianças tiveram diarreia.  A idade materna foi significante para a incidência da diarreia aguda. “Quanto maior a idade materna, menor risco a criança corre de apresentar diarreia aguda. Estudos mostram que a falta de conhecimento materno devido à baixa escolaridade e à pouca idade podem contribuir para o aparecimento de doenças na criança, especialmente, a diarreia aguda, já que pode ocorrer uma falta de entendimento sobre os cuidados com a criança, no que diz respeito à higiene e à alimentação”, afirma a pesquisadora.

Dentre as crianças com diarreia, 22 necessitaram de hospitalização, sendo 5 menores de 6 meses e 17 de 6 a 12 meses. A pesquisadora conta que a complicação mais frequente da diarreia é a desidratação, que pode levar a criança ao óbito.

Segundo Floriacy, as doenças diarreicas podem acontecer em consequência de vários fatores como: toxinas bacterianas, infecções virais, parasitas intestinais, intolerância a derivados do leite pela incapacidade de digerir lactose (açúcar do leite), e infecções por bactérias como a Salmonella, que é uma doença infecciosa transmitida ao homem por meio da ingestão de alimentos contaminados com fezes animais, e a Shighella, uma bactéria que pode contaminar os alimentos e causar diarreia.

Leite materno

Durante o começo da vida do bebê, vários alimentos e produtos são oferecidos para a substituição do leite materno, como por exemplo a chupeta, mamadeira e alimentos que são designados como complementação alimentar, mas estes são considerados fatores que dificultam a amamentação.

A pesquisadora diz que a introdução de outros líquidos, como água e chá, pode ser considerada como um erro, pois quanto menos forem oferecidos, maior a chance da criança amamentar. “Para as mães, muitas vezes o leite não é suficiente, e para saciar a sede de seus bebês oferecem os demais líquidos. Isso é muito presente na cidade de Imperatriz e as mães justificam a atitude por conta de a cidade ser muito quente”, conta Floriacy.

Para enfermeira, os demais alimentos não têm benefícios e o uso de alimentos complementares antes dos seis meses não traz proveito nutricional para as crianças, podendo ocasionar malefícios à saúde”.

Em 2005 o Ministério da Saúde lançou um guia alimentar que foi reeditado em 2010 com os Dez passos para uma alimentação saudável: guia alimentar para crianças menores de dois anos: um guia para o profissional da saúde na atenção básica. “Segundo esse guia, após os seis meses a criança pode receber complementação alimentar. A mãe deve introduzir outros alimentos de forma lenta e gradual, mas, evitando a introdução de açúcar, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas, salgadinhos e outras guloseimas. Sal e gordura, usar com moderação”.

O estudo de doutorado Aleitamento materno e diarreia em menores de um ano de idade em Imperatriz – MA foi feito na EERP, com orientação da professora Débora Falleiros de Mello. A defesa aconteceu em abril de 2015.


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