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Pesquisador do Inpa alerta para diversos ‘esconderijos’ do mosquito da dengue, em Manaus

Segundo o pesquisador Wanderli Tadei, o mosquito Aedes Aegypti também está em esgotos, fossas, latas de lixo e outros recipientes muitas vezes ‘ignorados’ 05/03/2015 às 13:05
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Wanderli Tadei estuda a espécie há quase 40 anos. Segundo ele, ainda não há estudos que definam essa característica como um perigo para a saúde em Manaus
LÍVIA ANSELMO Manaus (AM)

Esgotos, fossas, panelas, cestos de lixos e outros recipientes que apresentem água suja também podem servir de abrigo para o mosquito da dengue, o Aedes Aegypti. O alerta vem do pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas do Amazonas (Inpa) Wanderli Tadei, que há quase 40 anos estuda a espécie. Em todo o Amazonas, segundo a Fundação de Vigilância Sanitária (FVS), em 2015, foram registrados 1.126 casos de dengue.

Apesar de ainda apresentarem preferência pelos ambientes mais limpos, os mosquitos têm sido encontrados pelos pesquisadores e agentes de saúde em áreas que, anteriormente, eram mais raras. “É uma característica que foi se formando com o tempo. com as mudanças. Isso mostra que a espécie se adapta a várias condições”, destacou Tadei.

Segundo Wanderli, no Amazonas ainda não existem pesquisas que abordem detalhes e indiquem as características dessa proliferação em águas sujas e o impacto disso na saúde da população. “O que temos são nossos relatos de quem trabalha diariamente no combate ao mosquito da forma convencional. Aqui em Manaus nós encontramos em fossas, esgotos e panelas que são esquecidas sujas, por exemplo”.

O pesquisador explica que a água suja forma algas e outras bactérias que se desenvolvem e tornam o ambiente propício para que a fêmea desove nessas áreas. “Aquela gosma lateral na parede do recipiente são algas que aproveitam a luz do sol. Esse material, com a luz do sol, está produzindo gases e a fêmea do Aedes percebe”.

A informação é pouca frisada nas campanhas em âmbito nacional e regional. O problema está na falta de conhecimento da população, que acredita só haver reprodução em águas limpas. “É preciso saber que o mosquito vai explorar qualquer lugar que tiver água e isso já vem acontecendo há algum tempo”, lembrou.

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