FRUTO

Pesquisadores do Amazonas avaliam o potencial da fruta ‘Cubiu’

Desde a segunda metade da década de 1990, a curiosa fruta oriunda da Amazônia Ocidental é objeto de diversos estudos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia

Luiz G. Melo
16/08/2020 às 04:23.
Atualizado em 10/03/2022 às 06:07

((Foto: Divulgação))

O cubiu é uma fruta genuinamente amazônica muito usada pelas populações tradicionais como alimento, medicamento e cosmético. Também chamada de “tomate de índio”, quem já provou assegura que o sabor não é tão simples de definir – há até relatos de que o sabor lembra um leite fermentado sem açúcar.

Desde a segunda metade da década de 1990, a curiosa fruta oriunda da Amazônia Ocidental é objeto de diversos estudos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Sendo que o mais recente, desenvolvido pela pesquisadora Jerusa Andrade, explorou as potencialidades gastronômicas deste fruto que nasce de uma espécie de arbusto ramificado, que chega a medir entre 80 centímetros e 2 metros de altura.

Intitulado “Tecnologias para agregação de valor ao cubiu”, a pesquisa avaliou o potencial do fruto para a produção de alimentos funcionais, como o “chutney”, um molho agridoce de origem indiana produzido a partir da mistura de frutas maduras e verdes com sal, açúcar e especiarias, para consumo com carnes, aves e peixes.

Como descreve Jerusa, o cubiu é um fruto ácido, com baixo teor de açúcares e possui altos teores de uma fibra solúvel presente em cascas de vegetais e outras frutas, como a maçã, chamada pectina – uma substância que forma um gel no intestino, que aumenta a sensação de saciedade e ajuda a perder peso.

“O consumo do cubiu é mais comum entre a população do interior. Ele é dividido em três partes: a polpa (mesocarpo), o tecido locular ou miolo (endocarpo) e a casca (exocarpo ou epicarpo), com diferenças no rendimento, nas características físico-químicas e no potencial tecnológico para cada tipo de produto. As pesquisas sobre o aproveitamento tecnológico foram conduzidas com o mesocarpo e endocarpo do fruto maduro”, explicou ela.

Com o tecido locular da fruta foram produzidos “chutney diet” (com adoçante) e “chutney convencional” (com açúcar branco, demerara ou mascavo). Com o mesmo tecido foram produzidos, também, molhos com as pimentas malagueta, murupi e olho de peixe (trituradas e em pedaços).

Com a polpa foi produzido o cubiu seco e picles (vegetais conservados em salmoura acidificada e consumidos em saladas e sanduíches), além de compota com frutos inteiros ou em pedaços, conservados em caldas diet (com adoçante) e convencional (com açúcar).

“Com o projeto foi possível conhecer de forma mais detalhada as substâncias bioativas nos diferentes tipos de tecidos e estágios de maturação do cubiu (verde, de vez e maduro)”, completou Jerusa.

Melhor aproveitamento

O estudo demonstrou que para melhor conservação pós-colheita do cubiu “in natura”, o ideal é a colheita do fruto maduro e o armazenamento em refrigeração. O mérito do projeto foi aproveitar as diferenças dos tecidos e direcionar cada parte do fruto para um produto tecnologicamente adequado.

“A importância do projeto é direcionar as características das matérias-primas para os produtos finais, tirar proveito de cada grupo de substâncias, usar ingredientes e utensílios simples para trazer viabilidade tecnológica, sensorial e nutricional para os produtos obtidos, os quais poderão ser produzidos e consumidos na região”, destacou a pesquisadora, ressaltando que o projeto foi estruturado em subprojetos com atividades dimensionadas para alunos de graduação, mestrado e doutorado de diversos cursos.

A pesquisa teve o apoio do Programa Universal Amazonas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado (Fapeam).

Curiosidade

O fruto do cubiu pode ser consumido ao natural, como tira gosto de bebidas ou processado para sucos, doces, geleias e compotas. Pode ainda ser utilizado em caldeirada de peixe ou como tempero de pratos à base de carne e frango.

O fruto também é bastante utilizado pelas populações tradicionais como cosmético (o suco dá brilho aos cabelos, dizem) ou medicamento para combater a anemia, auxiliar na cicatrização de ferimentos, doenças de pele e no controle dos níveis elevados de colesterol, ácido úrico e glicose no sangue.

A planta, uma espécie de arbusto ereto e ramificado, pode produzir de 30 a 100 toneladas de frutos por hectare.

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