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Pesquisas desenvolvidas no Centro de Biotecnologia da Amazônia estão sob risco

Atualmente, o CBA vive seu pior momento e está prestes a encerrar as atividades por falta de apoio  11/06/2015 às 15:25
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Por conta do encerramento dos contratos, pesquisadores do CBA voltaram a protestar na tarde de ontem
naférson cruz ---

Em 13 anos de funcionamento, o Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), localizado no Distrito Industrial, Zona Sul, chegou a manter 200 pesquisadores. Atualmente, por conta das dificuldades há apenas 48 deles. Em razão do eminente risco de encerrar as atividades, várias pesquisas desenvolvidas em 25 laboratórios do CBA, podem ser comprometidas.

Entretanto, mesmo com a escassa quantidade de cientistas, há pesquisas em desenvolvimento que caso venha a ser evidenciadas, podem vir a somar com outras que obtiveram êxito na área de ciência e tecnologia.

Para o pesquisador e integrante da Comissão do Movimento Pró-CBA, Dácio Mendonça, o encerramento das atividades, previsto para hoje, compromete a possibilidade de serem realizadas ações em prol do desenvolvimento sustentável e da produção de indústrias na Amazônia. Ele ressalta que grande parte dos projetos de pesquisas do Centro são voltados para a questão do emprego da biodiversidade amazônica. “Há projetos que podem representar uma nova matriz econômica como alternativa para o Estado, a exemplo do polo de bioindústrias, biofarma, biocosméticos”, destacou.

Às 17h de ontem, antes do término dos contratos, novamente os pesquisadores voltaram a protestar em frente ao CBA. Entre os motivos para o tal retrocesso, argumentado por eles, está a falta de manutenção dos equipamentos, a definição de um modelo de gestão para o Centro e, principalmente, a falta de “personalidade jurídica” do local, o que daria o seu pleno funcionamento e, até mesmo para a realização de convênios.

Segundo Dácio Mendonça, nos laboratórios que podem vir a ser prejudicados há material biológico de origem microbiana (fungos, leveduras, parte de vegetal, animal), para o uso de estudos. Com o fim parcial das pesquisas, Mendonça informou que a única parte que vai ficar funcionando será centro de farmacologia. De acordo com Mendonça, por questão de ética o local funcionará até o próximo dia 30, para que os animais que estão nos experimentos, não sejam abandonados.

Movimento Na última semana, a Comissão do Movimento pró-CBA apelou até para a bancada parlamentar do Amazonas em Brasília. A Comissão também expôs a situação em audiência pública no dia 4 de junho na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam).

A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), responsável pela execução e administração do CBA, respondeu em comunicado à imprensa que “a autarquia está analisando todas as questões envolvendo o CBA”. Outra informação, segundo os pesquisadores, é que o convênio com a Fundação de Defesa da Biosfera (FDB), que garante a manutenção do CBA, não será renovado e que o superintendente da Suframa, Gustavo Igrejas, iria à Brasília pleitar um novo convênio com o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia).

Vai reduzir, mas não fechar

O superintendente da Suframa, Gustavo Igrejas, reuniu-se, ontem, com o secretário de Inovação do Ministério da Indústria e Comércio para discutir a ameaça de fechamento do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA). O superintendente admitiu que o funcionamento do CBA será reduzido, inclusive, todo o material genético do biotério, até que sejam concluídas as mudanças, mas garantiu que o Centro de Biotecnologia não vai fechar.

Plano para contornar a situação

Na tentativa de contornar a situação do CBA, o senador Omar Aziz solicitou ao presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, senador Cristovam Buarque, que envie um apelo aos ministros de Indústria e Comercio, e de Ciência e Tecnologia, para que trabalhem junto ao governo federal em busca de soluções para firmar o CBA como um dos mais importantes centros científicos do Brasil.

Enquanto isso, um novo convênio depende de um prazo de 30 dias para chamada pública. Depois disso, são necessários mais 30 dias para seleção e contratação do novo convênio pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Durante esses dois meses, o CBA deve permanecer de portas fechadas.

Há propostas em curso de transformá-lo em uma empresa pública ou organização social, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), mas sem qualquer previsão.


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