Quarta-feira, 21 de Agosto de 2019
CRISE MIGRATÓRIA

Pessoas não migram porque querem, afirma diretora do Unicef

Segundo o último relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, 70,8 milhões de pessoas no mundo deixaram suas cidades e países devido a guerras, conflitos e perseguições



dadsadsdasda_C4E34010-C1E3-40EC-80F8-45D934A033CB.jpg Foto: AFP
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05/07/2019 às 21:16

As pessoas não migram porque querem, afirma a diretora-geral do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), Henrietta Fore, para quem a maioria das pessoas que deixam seus países fogem "da violência, dos conflitos e do crime".

"Os migrantes não vão embora porque querem, mas porque são obrigados a fazê-lo devido à situação econômica ou à violência que reina em seus países", avaliou Fore em uma entrevista à AFP em Paris, onde acontece uma reunião de ministros da Educação dos países do G7.

Síria, Líbia, América Central: a situação dos migrantes é globalmente "catastrófica", diz a diretora.

"As fronteiras do norte e do sul do México estão submersas porque não se corrigem as causas principais" que obrigam os migrantes a abandonar seus países, acrescenta. 

"Em Tijuana, uma jovem mãe com seu filho me disse: 'Eu não quero ir, mas se ficar em Guerrero, vão me matar'", conta a Fore.

Situado na costa mexicana do Pacífico, o Estado de Guerrero se transformou em um dos mais violentos do México, castigado pelo narcotráfico e por acertos de contas mortais.

Segundo o último relatório do Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), 70,8 milhões de pessoas no mundo deixaram suas cidades e países, o dobro de 20 anos atrás, devido a guerras, conflitos e perseguições.

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) estima que o número de imigrantes chegue a 200 milhões e de deslocados internos, a 740 milhões. 

"A humanidade se encontra em um momento muito particular de sua história moderna com tantos conflitos", afirma Henrietta Fore. 

"Nós não podemos fazer nada nessa área, mas precisamos de recursos para estabelecer programas especiais", diz.

Um pedido do Unicef para arrecadar 4 bilhões de dólares para responder a situações de emergência, como a relacionada aos ciclones que devastaram Moçambique, recebeu somente a metade dos fundos que precisava.

A organização tenta estar presente nas rotas dos migrantes. 

"Tentamos dar a eles alimentos, produtos de higiene, proteção e ajudar a encontrar suas família e povoados. As jovens, quando estão sozinhas, ficam particularmente muito vulneráveis ao tráfico e ao trabalho forçado, e sua viagem se transforma em muito perigosa", diz.

O Unicef conta com orçamento anual de 7 bilhões de dólares, complementado pela ajuda de governos e doações privadas.

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