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Petroleiros de Refinaria de Manaus temem perder emprego por conta da crise da Petrobras

Em audiência pública, sindicato diz temer redução drástica de investimentos e demissões em refinaria instalada em Manaus em 1957 19/03/2015 às 12:11
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Categoria cobrou, na Assembleia, envolvimento de toda a classe política local para defender o fortalecimento da Petrobras no Amazonas
JANAÍNA ANDRADE Manaus (AM)

Em meio à crise vivida pela Petrobras após a descoberta de um esquema de desvio de recursos da estatal pela operação Lava Jato, há um ano, o Sindicato dos Petroleiros do Amazonas (SindPetro/AM) teme uma redução drástica de investimentos e de postos de trabalho na Refinaria de Manaus (Reman), instalada na zona Leste em 1957.

Ontem, em audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM), que debateu a situação da Petrobras e de seus trabalhadores e os reflexos no Amazonas do enxugamento de investimento da Petrobras na Remam, a categoria informou que somente em 2014 foram eliminados 1.698 postos de trabalho.

Segundo o coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Amazonas (SindPetro/AM), Acácio Viana Carneiro, em 2014, a Reman empregava 2 mil servidores terceirizados. Hoje conta com apenas 302.

“A gente está enfrentando um momento complicado porque não tem nenhum terceirizado sendo contratado para investimento. Parou investimento. A Petrobras está num plano de desinvestimento em, por exemplo, abastecimento, que é o caso da Refinaria de Manaus. Dizer que a Petrobras está falida é balela. Eu nunca na minha vida tive nenhum dia de atraso de salário. Agora, que as denúncias estão desempregando terceirizados, isso está”, disse Acácio.

O secretário de Administração e Finanças da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Aldemir Caetano, afirmou que a Reman tem forte impacto no desenvolvimento regional e precisa se modernizar, adequando-se às normais ambientais, para continuar investindo no Estado. “A exclusão do projeto Reman da atual carteira de investimentos da Petrobras só trará malefícios aos estados da Amazônia brasileira, principalmente a Manaus”.

Consequências

De acordo com Caetano, estima-se uma perda de arrecadação adicional de tributos federais, estaduais e municipais da ordem de R$ 200 milhões durante o período de realização das obras do Projeto Reman. “Os investimentos continuarão a ser centralizados no eixo sul-sudeste, incluindo agora a região nordeste (Premium/RENEST), acentuando o fosso das desigualdades regionais em relação à região Norte”, chamou a atenção o secretário de administração da FUP.

O técnico de operações da Petrobras, Marcus Ribeiro, disse que se sente orgulhoso em trabalhar para a Petrobras e pediu que a luta pela modernização da Reman não estacione no tempo. “Nós não podemos deixar essa luta pela modernização da refinaria. Nós não queremos que a nossa refinaria venha a se tornar um terminal. Infelizmente, existe uma mídia golpista que quer derrubar a nossa empresa e nós não vamos deixar que esses argumentos venham a convencer a nossa sociedade, dizendo que a Petrobras está falindo ou que não está dando lucro. Isso é mentira”.

Membros de movimentos estudantis presentes na audiência, em lados opostos, divergiram sobre a privatização da Petrobras, que hoje é uma empresa estatal.

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