Quarta-feira, 26 de Junho de 2019
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PF cumpre mandados no AM em operação para combater extração ilegal de ouro em terra indígena

Três mandados foram cumpridos do Amazonas por policiais federais, com apoio do Ibama. Operação foi deflagrada em mais quatro estados brasileiros, além do AM



1.jpg O principal alvo dos investigados é a reserva indígena Yanomami, de Roraima
07/05/2015 às 10:56

Dois mandados de condução coercitiva e um mandado de busca e apreensão foram cumpridos no estado do Amazonas na madrugada desta quinta-feira (7) durante a operação Warari Koxi, da Polícia Federal, com o objetivo de combater a extração ilegal de ouro e pedras preciosas dentro de terras indígenas.

A operação ocorre, ao todo, em cinco estados: Amazonas, Roraima, Rondônia, Pará e São Paulo, com apoio de agentes do Ibama. Cerca de 150 policiais, de várias regiões do país, deram cumprimento simultâneo a 313 medidas judiciais, com propósito de desarticular uma organização criminosa que agia na extração ilegal de ouro e pedras preciosas nas terras da reserva Yanomami, localizada no extremo norte do estado de Roraima.

Segundo a PF, essa organização causou considerável degradação ambiental e gerou prejuízos estimados em R$ 17 milhões mensais. A organização é formada por empresários, funcionários públicos, donos de garimpos, joalheiros e até pilotos de avião, responsáveis pela implantação de garimpos de ouro, minerais de uso industrial e outras pedras preciosas em reserva Yanomami na região de Boqueirão e Uraricoera.

As terras indígenas, demarcadas em locais tradicionalmente ocupados pelos índios, pertencem à União. Em seu interior, a exploração e o aproveitamento dos recursos hídricos e a pesquisa e a lavra de riquezas minerais só podem ser feitos com a autorização do Estado brasileiro.

Os investigadores estimam que, todos os meses, o grupo retirava em média 160 quilos de ouro das áreas de garimpo ilegal. O prejuízo ao erário pode chegar a R$ 17 milhões, além dos danos ambientais às reservas indígenas. Os policiais investigam também a suspeita de que parte do ouro era usada para lavar dinheiro ilícito proveniente de outras ações ilícitas.

A rápida destruição das áreas de extração impressionou os investigadores. "[É impressionante] a voracidade com que o ecossistema vinha sendo degradado pela atividade extrativista, que polui os rios com mercúrio e outros metais pesados, destruindo a fauna, a flora e a cultura yanomami”.

É na Terra Indígena Yanomami que, desde a manhã da última sexta-feira (1), índios impedem um grupo de servidores da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) que visitavam a área para prestar atendimento médico básico de prosseguir viagem. Ontem, ao comentar o assunto, o coordenador de Políticas Públicas da Hutukara Associação Yanomami, Dário Vitório Kopenawa, foi enfático ao associar o aumento do número de casos de malária, diarreia e até de câncer entre os índios de sua etnia à presença ilegal de garimpeiros e à consequente poluição dos rios que cortam a reserva e destruição da flora.

"Há muitos problemas em todas as áreas indígenas. Na reserva Yanomami, um problema é a presença do garimpo. Onde há porta de entrada a invasores e garimpeiros que poluem nossos rios com mercúrio há malária, diarreia e outras doenças”, observou Dário.

Cerca de 150 policiais federais participam da operação, que conta também com a participação de agentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, o Ibama. O nome da operação, Warari Koxi, é uma alusão a uma expressão yanomami para criticar a destruição ou intervenção prejudicial em um ambiente saudável.

Se comprovado o envolvimento com o esquema, os investigados responderão à Justiça pelos crimes de associação criminosa, extração de recursos naturais de forma ilegal, uso indiscriminado de mercúrio, usurpação de patrimônio da União, receptação de bens provenientes de crime, corrupção passiva, violação de sigilo funcional, contrabando, lavagem de dinheiro e de operar instituição financeira sem a devida autorização do Banco Central.

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