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PF e Receita prendem 11 pessoas por aplicar golpes na Caixa através de empresas ‘fantasmas’

Foram criadas 18 empresas de fachada - a maioria do ramo de comércio de material de construção - para conseguir empréstimos e financiamentos na Caixa Econômica Federal 03/12/2015 às 15:22
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Coletiva de imprensa sobre a Operação “Construcrime”
Joana Queiroz Manaus

A Polícia Federal e a Receita Federal prenderam 11 pessoas suspeitas de aplicar golpes na Caixa Econômica Federal (CEF) utilizando empresas de fachada – “fantasmas”, com prejuízo R$ 14,8 milhões. As prisões foram feitas durante a Operação “Construcrime”, deflagrada nesta manhã em Manaus.

Os nomes dos presos não foram divulgados, mas entre eles estão um ex-gerente da Caixa, um funcionário do Instituto de Identificação do Amazonas, e empresários, contadores e despachantes. Segundo o delegado Daniel Brasil, titular da Delegacia Fazendária da PF, a Justiça Federal já ordenou o bloqueio de R$ 5 milhões em bens e imóveis como tentativa de ressarcimento.

Ao todo, 18 empresas “fantasmas” foram criadas para conseguir financiamentos e empréstimos na CEF e ter acesso a dinheiro, a maioria empresas do ramo de comércio de material de construção – por isso o nome da operação é “Construcrime”.

Segundo a PF, as investigações iniciaram a partir da identificação de um grupo de empresas inadimplentes em diversas operações de crédito. Com o avanço das investigações, ficou evidenciada a utilização intensiva de empresas de fachada para obtenção de financiamentos junto a instituições financeiras, como a Caixa.

De acordo com o delegado Leandro Almada, adjunto da Receita Federal, a organização fazia uso de documentação falsa ou fraudada para compor o quadro societário das empresas de fachada, isto é, usavam nomes de indivíduos inexistentes, os “laranjas”, para criar as empresas “fantasmas”. A partir daí, eles conseguiam financiamentos e empréstimos na CEF.


Entenda o esquema de fraude. Foto: Divulgação

Entre os documentos falsos criados no esquema estão carteiras de identidade falsas, CPF, contratos sociais, balancetes, declarações de imposto de renda e notas fiscais frias. O funcionário do Instituto de Identificação ajudava nessa parte do golpe.

Após o crédito dos financiamentos, parte dos valores era sacada e outra era transferida para empresas do grupo para posterior utilização. Foi detectado, ainda, nos últimos financiamentos concedidos às empresas envolvidas, que parcelas dos recursos eram utilizadas para quitar verbas em atraso dos primeiros empréstimos concedidos, visando dissimular a inadimplência e gerando uma espécie de “pirâmide” que ruiu com a detecção do esquema fraudulento.

Foram desviados comprovadamente R$ 4,8 milhões da Caixa Econômica Federal. Além disso, as investigações apontaram também que as empresas de fachada movimentaram outros R$ 10 milhões no período compreendido entre 2013 e 2014. Os números de 2015 ainda não foram consolidados.

Operação ‘Construcrime’

Desde o início da manhã, 20 servidores da Receita Federal e 137 policiais federais começaram a cumprir 17 mandados de prisão e 24 de busca e apreensão em empresas e residências de suspeitos, além de três conduções coercitivas.

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