Sexta-feira, 06 de Dezembro de 2019
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PF faz buscas em residências de Eduardo Cunha, de ministros, um ex-ministro e um deputado

Além de Cunha, são alvos casas dos ministros Celso Pansera (C&T), Henrique Eduardo Alves (Turismo), do ex-ministro Edson Lobão (Energia) e do deputado Aníbal Gomes, todos do PMDB



1.jpg PF na residência oficial do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, no Lago Sul, em Brasília
15/12/2015 às 12:10

A Polícia Federal iniciou nesta terça-feira (15) a dar cumprimento a mandados judiciais em residências do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e contra dois ministros e outros políticos como parte de uma nova etapa da operação Lava Jato, incluindo o ex-ministro de Minas e Energia Edson Lobão.

Imagens de TV mostraram carros e agentes da PF tanto na residência oficial de Cunha em Brasília como na casa do parlamentar que fica na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A assessoria de comunicação do deputado confirmou que ele estava em sua casa na capital federal durante a ação policial.



Os mandados judiciais foram autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki, responsável pelas ações decorrentes da Lava Jato na corte, com relação a sete processos instaurados a partir das investigações, de acordo com nota da Polícia Federal.

“As buscas ocorrem na residência de investigados, em seus endereços funcionais, sedes de empresas, em escritórios de advocacia e órgãos públicos”, afirmou a PF. Foram expedidos no total 53 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em sete estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Pará, Pernambuco, Alagoas, Ceará e Rio Grande do Norte.

Eduardo Cunha foi denunciado pelo Ministério Público Federal por suspeita de participação em irregularidades investigadas pela operação Lava Jato, que apura um esquema bilionário de corrupção envolvendo empreiteiras, políticos e a Petrobras.

Segundo a denúncia apresentado pelo MPF ao Supremo Tribunal Federal (STF), Cunha recebeu 5 milhões de dólares de propina como parte do esquema de corrupção para facilitar e viabilizar a contratação de um estaleiro pela Petrobras. O deputado negou as irregularidades.

Pansera, Alves, Lobão e Aníbal

A operação da PF também teria como alvo, além do presidente da Câmara, os ministros da Ciência e Tecnologia Celso Pansera, que é deputado pelo PMDB do Rio de Janeiro, e do Turismo, Henrique Eduardo Alves, deputado pelo PMDB do Rio Grande do Norte, segundo uma fonte do STF.

O ex-ministro de Minas e Energia e atual senador Edson Lobão (PMDB-MA) e o deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE) também seriam alvo da operação da PF, segundo reportagens. A PF também realizou busca e apreensão na Câmara dos Deputados.

O advogado de Lobão, Antônio Carlos de Almeida Castro, disse à Agência Brasil que as buscas ocorrem na antiga residência do senador, da qual ele está se mudando, mas onde ainda se encontram a maioria de seus pertences. “Achamos a medida desnecessária, dado o constrangimento, mas é um direito do Ministério Público, que foi autorizado pelo Supremo”.

De acordo com Almeida Castro, o senador Lobão está tranquilo. “O senador acompanha a medida sem nenhuma preocupação com o que vai ser apreendido."

Votação no Conselho de Ética

Além da denúncia na Lava Jato, Cunha também é alvo de um processo no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados que pode resultar na cassação de seu mandato. Ele é acusado de mentir ao negar na CPI da Petrobras possuir contas bancárias no exterior e, depois disso, documentos dos Ministérios Públicos do Brasil e da Suíça apontaram a existência de contas em nome do deputado e de familiares no país europeu.

Está prevista para esta terça-feira a leitura do parecer do novo relator do processo contra Cunha no Conselho de Ética, deputado Marcos Rogério (PDT-RO), após diversos adiamentos e a troca do relator anterior, Fausto Pinato (PRB-SP), que havia apresentado parecer favorável ao andamento do processo contra Cunha.

A ministra Rosa Weber, do STF, negou liminar por meio da qual o PRB, Pinato e outros dois integrantes do Conselho pediam o retorno de Pinato à função de relator.

Aliados do presidente da Câmara acreditam que a operação de hoje não deve interferir na votação do parecer do deputado Marcos Rogério (PDT-RO) no Conselho de Ética, que pede a continuidade das investigações sobre o envolvimento de Cunha em negócios irregulares envolvendo a Petrobras e na manutenção de contas secretas no exterior. No Conselho de Ética, os lugares estão ocupados desde as 8h. A sessão está marcada para as 9h30.


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