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PF faz nova vistoria no Compaj e encontra notebook que pode conter nomes de integrantes da FDN

Computador escondido no forro do pavilhão 2 tinha ainda o mapa das ruas da cidade dominadas pela facção Família do Norte. Ttambém foram apreendidos roteadores, cabos de conexão e droga 26/11/2015 às 17:57
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Notebook estava no pavilhão 2, onde cumprem pena os detentos sob regime fechado
Joana Queiroz Manaus (AM)

A Polícia Federal realizou uma nova vistoria no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, na manhã desta quinta (25), e apreendeu um notebook que seria o “cérebro” da facção criminosa Família do Norte (FDN), organização envolvida com tráfico de drogas e homicídios no Estado.

Apreendido por policiais da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da PF, o computador era da marca Samsung, de cor branca, e pode supostamente conter nomes de todos os 200 mil integrantes da facção FDN, assim como números de cadastros deles, e o mapeamento de ruas e bairros de Manaus dominados por membros do grupo criminoso, entre outros dados. No entanto, apenas a perícia da PF poderá comprovar a existência dos dados.

A vistoria minuciosa foi realizada no pavilhão 2 do Compaj, onde ficam os presos que cumprem pena em regime fechado. O notebook estava escondido no forro do pavilhão. Além do computador, também foram apreendidos roteadores de internet, cabos de conexão, celulares, drogas e perfumes contrabandeados.

Operação La Muralla

A ação de hoje faz parte da Operação La Muralla, deflagrada pela primeira vez pela PF na sexta passada, dia 20, quando foram cumpridos 127 mandados judiciais em cidades do Amazonas, de outros estados e em outros países como Peru, Colômbia, Venezuela e Bolívia.

Na primeira fase da La Muralla também foram transferidos 17 detentos do regime fechado do Compaj para presídios federais fora do Estado, incluindo o líder da FDN José Roberto Fernandes Barbosa, o “Zé Roberto da Compensa”. O Complexo Penitenciário Anísio Jobim fica localizado no Km 8 da rodovia federal BR-174.

200 mil associados

Nas diversas conversas interceptadas pela PF durante a Operação Muralla, “Zé Roberto” se vangloria do fato de comandar uma facção com mais de 200 mil homens cadastrados e com senhas, detendo o controle de todas as ruas e bairros da capital, além do domínio de todo o sistema prisional do Amazonas.

Foi essa estrutura que permitiu à FDN controlar os presídios amazonenses e, consequentemente, o domínio das principais rotas de tráfico de drogas do mundo, a “Rota Solimões”, alcançando quase que o monopólio da distribuição de drogas no Amazonas.

Diariamente, todos os traficantes presos pelas polícias eram levados para entrevista com as lideranças da FDN dentro dos presídios. Lá, eram obrigados a revelar todos os detalhes sobre sua forma de operar. Daquele momento em diante, os mesmos eram cientificados do dever de se filiar à FDN e seguir as suas regras, fornecendo o entorpecente exclusivamente para a facção, sob pena de serem sumariamente executados.

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