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Cotidiano
CRIME AMBIENTAL

Sessenta empresas são identificadas pela PF em esquema de extração ilegal de madeira

Durante a operação "Arquimedes", a Polícia Federal apreendeu, em Manaus, 10 mil m³ de madeira extraídos de forma irregular da floresta amazônica. Empresas estão sendo investigadas 19/01/2018 às 07:13 - Atualizado em 19/01/2018 às 08:49
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444 contêineres de madeira foram apreendidos pela PF em Manaus. Foto: PF-AM/Divulgação
Joana Queiroz Manaus (AM)

Pelo menos 60 empresas do ramo madeireiro já foram identificadas e estão sendo investigadas por envolvimento no esquema de extração ilegal de madeira que começou a ser desarticulado pela Polícia Federal (PF) do Amazonas na quinta-feira (18).

“São madeiras das mais nobres até as que são utilizadas na construção civil, de todo tipo, uma gama de espécies, todas da Amazônia, e com grande valor. Ainda não sabemos o valor exato do que foi apreendido, mas é certamente expressivo”, avaliou o superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Alexandre Saraiva.  

A PF apreendeu 10.000 metros cúbicos de madeira que foram extraídos de forma irregular da floresta amazônica, durante a operação “Arquimedes”, deflagrada na quinta-feira. A ação policial tem como objetivo desmontar um esquema de transporte clandestino de madeira extraída ilegalmente da região e destinada a grandes comerciantes madeireiros no Brasil, na Europa e Estados Unidos. A  operação teve apoio do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Receita Federal.  

Conforme o superintendente, grande parte da madeira apreendida vem de Roraima, e em torno de 50% circularia no Brasil, por meio de navegação de cabotagem, e a outra metade se destinaria ao exterior: Europa e Estados Unidos.

De acordo com Alexandre Saraiva, as irregularidades mais evidentes encontradas pelos policiais foram Documentos de Origem Florestal (DOFs) cancelados ou falsificados, assim como diferenças substanciais entre o atestado nos documentos e o conteúdo dos containeres, entre elas volumetria e descrição das espécies exploradas.

“A irregularidade mais comum de todas é a divergência de volumetria no que estava dentro do contêiner e a que estava no DOF e Nota Fiscal. Isso pode inclusive incidir na tributação tributária”, destacou o delegado.

O trabalho de investigação começou no Amazonas e, de acordo com o superintendente, é inédito, tanto pela forma como a polícia está trabalhando quanto pela quantidade de madeira beneficiada apreendida - provavelmente uma das maiores já feitas no Brasil. O material apreendido até o momento, se colocado de forma linear, cobriria um percurso de 1.500 km, o que equivaleria à distância entre Brasília e Belém, aproximadamente.

Saraiva ressaltou que nem todas as empresas com cargas apreendidas em operações estão na ilegalidade. “Mas mesmo assim temos que verificar”, disse.

Ele avalia que o mercado da madeira ilegal inviabiliza o negócio lícito. “É muito difícil para quem trabalha legalmente competir com quem está na ilegalidade porque os custos são totalmente diferentes. Essa operação pode ser um marco para que o setor madeireiro se torne mais legalizado”, afirmou.

Alerta foi dado pela Receita Federal

As investigações da operação “Arquimedes” começaram no dia 14 de dezembro do ano passado, depois de um alerta dado pela Receita Federal sobre um aumento expressivo no transporte de madeira pelos portos Super Terminais e Chibatão, na Zona Sul de Manaus.  O Ibama e a PF foram acionados.

Uma equipe de agentes da PF foi aos dois portos e encontrou em torno de 170 contêineres aguardando a saída desses portos.  Dez contêineres foram fiscalizados aleatoriamente pelos policiais e em todos foram encontrados carregamento de madeira irregular.

A operação leva o nome de um filósofo e matemático grego que usava a técnica de imersão em um recipiente com água para encontrar o volume de materiais, técnica que inspirou os peritos da Polícia Federal para realizar a medição do volume do material apreendido.

BLOG - Alexandre Saraiva, superintendente da PF/AM

Medidas serão tomadas para evitar que esse tipo de crime continue acontecendo. Será criado um protocolo de atuação muito mais eficiente para essa fiscalização com instituições, como Ministério Público, Ibama e a Receita Federal, cada uma dentro da sua esfera de atribuição vão atuar com mais rigor. A Polícia Federal vai manter uma equipe direcionada na questão dos portos, ali no Chibatão, Super Terminais e outros que comecem fazer esse tipo de transporte. Se a gente fechar a rota do rio, que é um sistema de transporte bastante econômico, essa madeira ilegal vai perder o preço que ela tem de vantagem em relação à madeira legal, e aí  vai fazer com que o negócio ilegal não seja tão rentável e desestimular o desmatamento. Essa é a nossa expectativa e a nossa esperança.

Novo método de fiscalização

Para dar conta do serviço, a Polícia Federal desenvolveu um método de fiscalização da madeira ilegal da Amazônia que vai ser exportado para outras unidades da PF em portos como os de São Luiz, Rio de Janeiro e Santos.

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