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PF prende em Manaus suspeito de praticar pornografia infantil na rede de Internet oculta Deep Web

Na Deep Web, usuários acessam ambientes virtuais "ocultos" para visualizar conteúdo ilegal como pornografia sem serem identificados. PF “furou” Deep Web e identificou mais de 90 usuários, sendo 50 deles já presos em todo o País 15/10/2014 às 16:12
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Mais de 100 mandados foram cumpridos em 18 estados brasileiros mais o Distrito Federal
VINICIUS LEAL Manaus (AM)

A Polícia Federal prendeu em flagrante nesta quarta-feira (15), em Manaus, uma pessoa suspeita de praticar crime de divulgação e armazenamento de conteúdo pornográfico infantil na rede da parte “oculta” da Internet, também conhecida como Deep Web. Na capital do Amazonas, quatro mandados de busca foram cumpridos como parte da operação "Darknet", deflagrada em todo território nacional ainda na madrugada.

Ao todo, em 18 Estados brasileiros, mais o Distrito Federal, 50 pessoas já foram presas por envolvimento em tais crimes, e mais de 100 mandados de busca, prisão e condução coercitiva foram cumpridos. Em Manaus, mais duas pessoas também foram detidas e prestaram depoimento na sede da Superintendência da Polícia Federal, no bairro Dom Pedro.

As investigações iniciaram há cerca de um ano para descobrir as identidades dos usuários da Deep Web que compartilhavam conteúdos pornográficos. Na Internet “profunda”, os internautas acessam ambientes virtuais que escondem os pontos de acesso (IP) e, assim, eles ficam, ocultos na rede. A PF usou ferramentas próprias para “furar” a Deep Web.

Durante a operação, seis crianças foram resgatadas de situações de abuso ou de iminente estupro, em diversos locais do Brasil. Em um dos casos, em São Paulo, um pai relatava na Deep Web que iria abusar sexualmente da própria filha assim que ela nascesse, ou seja, planejava cometer o crime mesmo antes da vítima vir ao mundo.

Nesses episódios, policiais federais agiram e evitaram que as crianças permanecessem ou se tornassem vítimas, prendendo quatro suspeitos. Por meio de metodologia inédita, e com próprias ferramentas, os policias conseguiram quebrar a arquitetura da Deep Web e identificar mais de 90 usuários que compartilham pornografia infantil.

“Um fato que nos chamou atenção foi o nível de crueldade dessas pessoas. A esposa estava grávida e estava se preparando para ter o bebê, e ele buscando meios para abusar da própria filha, que ainda nem havia nascido”, declarou o superintendente da Polícia Federal do Rio Grande do Sul, delegado Sandro Caron, um dos coordenadores da operação.

Mais 500 agentes trabalharam na operação em 44 unidades da PF: Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal.

“Eles achavam que não poderiam ser rastreados, mas conseguimos prender essas pessoas que, além de divulgar imagens pornográficas, eram abusadores”, completou o delegado Caron. Segundo ele, entre os presos na operação Darknet há seminaristas, funcionários de Secretaria de Segurança Pública, agentes penitenciários e pessoas das mais diferentes classes sociais.

As informações obtidas nas investigações envolveram suspeitos de outros países e foram repassadas para autoridades de Portugal, Itália, Colômbia, México, Venezuela. Até o momento, somente polícias dos Estados Unidos e da Inglaterra haviam realizado investigações de crimes dentro da Deep Web.

“Evoluímos de operações em redes (de Internet) abertas, depois demos mais um passo e investigamos redes criptografadas, e hoje entramos nas redes ocultas da Internet”. Há uma pesquisa que indica que entre homens presos por posse de pornografia infanto-juvenil, 85% admitiram contato sexual com crianças. 

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