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Cotidiano
CELEBRAÇÃO

Navegadores da Amazônia falam das suas experiências, histórias e curiosidades

Pessoas que desbravam os caudalosos e misteriosos rios amazônicos contam sobre a rotina e as motivações para seguir na profissão. Confira: 30/09/2018 às 12:50
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O capitão-tenente da Marinha do Brasil, imediato Bruno de Faria dos Santos, comanda o navio hidrográfico Rio Branco (Foto: Divulgação/Marinha)
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Responsável por tudo e por todos a bordo, o comandante das embarcações é, em princípio, o responsável legal pelas vidas humanas e das cargas que transporta. Neste domingo, Dia da Navegação, A CRÍTICA rende homenagens a essas pessoas que desbravam os caudalosos e misteriosos rios amazônicos levando sonhos de vida.

O piloto fluvial Marcos Elisson Souza Galúcio, 43, tem 23 anos de navegação comandando embarcações. Natural de Santarém (PA), atualmente ele controla o ferry boat “São Bartolomeu 5”, que faz linha para a sua terra natal e que comporta mais de 600 passageiros. Segundo ele, navegar pelos rios da Amazônia, hoje, é bem mais fácil do que anos anteriores tendo em vista que se utilize todos os recursos e equipamentos disponibilizados aliados à experiência.

“Hoje em dia você tem equiopamentos que possibilitam você fazer uma navegação segura”, declara ele.


O piloto fluvial Marcos Elisson Souza Galúcio tem 23 anos seus 43 de idade comandando embarcações / Foto: Jair Araújo

Galúcio diz que “praticamente nasceu dentro de uma canoa”. “Nós tínhamos uma embarcação pequena lá em Santarém e eu sempre gostei de navegar, desde muito cedo e antes de ser habilitado. Minha primeira embarcação era pequena, se chamava ‘Vencendo com Cristo’”, conta o piloto fluvial.

Marcos Galúcio coleciona inúmeras histórias. Uma delas a qual se recorda é quando, certa vez, ao navegar num trecho de Santarém a Manaus, próximo a Juruti (PA), onde o único instrumento de navegação era a agulha magnética, a bússola. “Ao subir o rio Amazonas, de repente eu, me baseando pela bússola, ‘criei uma proada’ contando que com tantos minutos eu chegaria a uma determinada ilha e, chegando lá, a ilha não estava mais. Aí eu fiquei pensando que estava perdido. Depois achei outra referência, próximo à ilha. Ou seja: a ilha simplesmente desapareceu com o fenômeno da terra caída”, relembra ele, que é casado e pai de três filhos.

O piloto fluvial conta não ser supersticioso, mas pede para, apesar da sua experiência, Deus tomar conta da viagem e dos passageiros. Neste domingo ele vai estar navegando, o que é motivo para comemorar, diz ele, “pois estando com saúde é o que importa”.

Desafios

O comandante da embarcação Fred William 1º, piloto fluvial Aílton Tavares da Silva, 43, está recente na vida de conduzir vidas pelos rios da Amazônia. São três anos. O começo foi viajando com os seus pais em barcos pequenos. “Tive a ansiedade, a curiosidade de conhecer mais a fundo a Marinha. Depois do Exército eu dei entrada na documentação para o curso de marinheiro regional, depois marinheiro fluvial, contra-mestre, para mestre e cheguei a piloto. E pretendo seguir para ser capitão fluvial, que é o topo”, explica ele, minutos antes de começar a embarcar para a linha que faz Manaus/Monte Alegre/Manaus em pouco mais de 40 horas - a capacidade é de 400 pessoas.


O piloto fluvial Aílton Tavares da Silva, 43, começou viajando com os seus pais em barcos pequenos / Foto: Jair Araújo

Os desafios de navegar nos rios amazônicos são muitos, ressalta Aílton da Silva, como as mudanças de canais, tempestade de ventos e areia, o que força o navegador a estar sempre preperado para as ações da natureza. “Há rios traiçoeiros, como o Madeira”, reforça ele, que é evangélico e não tem superstições. “A cada momento que eu estou oro e peço a proteção de Deus. E cada conversa com ele é grandiosa. Sem Ele e o Espírito Santo dentro, somos nada”, prega o piloto fluvial, tendo, ao seu redor, equipamentos utilíssimos como radar, sonar, GPS, bússola, manete, painel de iluminação, sistema de voz para a comunicação com os passageiros e, claro, o timão para controlar o barco. 

Salário

No País, em média o salário de um piloto fluvial é estimado em R$ 4 mil - há exceções como a cidade de Santarém, onde um comandante ganha cerca de R$ 5.400 por conta da mobilização sindical ser mais atuante. 

“Nossa satisfação maior está em ter um bom salário e fazer parte da Marinha Mercante, conduzindo as embarcações pelos rios, cooperando para o crescimento da área e do transporte fluvial e do comércio na Amazônia”, disse Aílton da Silva.

Os 10 mandamentos 

A Marinha do Brasil tem os 10 mandamentos, ou seja, uma série de recomendações para a segurança da navegação direcionadas a quem comanda as embarcações: 
 
1 - Faça uma manutenção correta e periódica da sua embarcação;
 2 - Tenha a bordo todo o material de salvatagem prescrito pela Capitania dos Portos;

3 - Respeite a lotação da embarcação e tenha a bordo coletes salva-vidas para todos os tripulantes e passageiros;

4 - Mantenha os extintores de incêndio em bom estado e dentro da validade;

5 - Ao sair, informe seu plano de navegação ao seu Iate Clube, Marina ou Condomínio Naval;

6 - Conduza sua embarcação com prudência e em velocidade compatível, para evitar acidentes;

7 - Se beber, passe o timão a alguém habilitado;

8 - Mantenha distância das praias e dos banhistas;

9 - Respeite a vida, seja solidário, preste socorro;

10 - Não polua o mar.

Segurança, defesa e regiões

O capitão-tenente da Marinha  Bruno de Faria dos Santos tem 35 anos e está nas Forças Armadas há 18 anos. Seu cargo é imediato, função imediatamente abaixo do comandante de um navio, ou seja, que assume a função na ausência do seu superior, como férias e problemas de saúde.

Bruno de Faria é responsável pela parte administrativa do navio, coordenando a gestão dos recursos humanos da embarcação, a disciplina e alimentação, que na Marinha é chamada de municiamento. “Já fui imediato por três anos e comandante de um navio de menor porte, e há três meses eu assumi o navio hidrográfico Rio Branco”, conta ele.

O que o fez seguir a carreira militar naval foi a possibilidade de contribuir para a segurança da navegação, para a defesa do País e de trabalhar e conhecer várias regiões, como a Amazônia. “É um desafio onde se extrai o nosso melhor”, destaca.

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