Terça-feira, 21 de Maio de 2019
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Planalto usa canal oficial para divulgar vídeo em defesa da ditadura militar

O texto do vídeo, sem assinatura, usa a mesma justificativa empregada pelo presidente Jair Bolsonaro para defender o golpe, a de que o Brasil “caminhava para o comunismo”



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Foto: Agência Brasil
31/03/2019 às 20:03

O Palácio do Planalto distribuiu neste domingo (31), através de um dos canais oficiais de WhatsApp da Presidência da República, um vídeo sem assinatura em defesa do golpe de Estado de 1964 e da ditadura militar, que durou no país até 1985.

O texto do vídeo, sem assinatura, usa a mesma justificativa empregada pelo presidente Jair Bolsonaro para defender o golpe, a de que o Brasil “caminhava para o comunismo”. No vídeo, com narrativa truncada, o narrador diz aos jovens para pesquisar o que realmente aconteceu e que 1964 era um tempo de “medo e ameaças” vindas do risco de comunismo.

“Foi aí, conclamado por jornais, rádios, TVs e principalmente pelo povo na rua —povo de verdade, pais, mães, igreja— que o Brasil lembrou que possuía o Exército nacional e apelou a ele. Foi só aí que a escuridão graças a Deus foi passando e fez-se a luz”, diz o narrador, não identificado, que acrescenta: “O Exército nos salvou, o Exército. Não há como negar”.

A Secretaria de Comunicação da Previdência (Secom) confirmou à Reuters que o canal usado, um contato de WhatsApp criado ainda no governo do ex-presidente Michel Temer para distribuir notícias à população, é um número oficial do Planalto. No entanto, afirmou que o vídeo não é uma criação da Secom e a distribuição não foi uma ação oficial.

Perguntada sobre quem controlava atualmente o canal, a Secom não soube informar.

O mesmo vídeo foi publicado na manhã deste domingo (31) pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, junto a uma sequência de outros vídeos em defesa da ditadura militar.

Na semana passada, Bolsonaro instruiu os comandos militares a voltarem a comemorar o dia 31 de março de 1964, dia em que os militares iniciaram o golpe que derrubou o então presidente João Goulart, iniciando os 21 anos de ditadura no país.

A posição do presidente, um defensor ardoroso do período militar, foi criticada por diversas entidades nacionais e internacionais, incluindo o Ministério Público e o relator especial sobre a promoção da verdade, justiça, reparação e garantias de não-repetição das Nações Unidas, Fabián Salvioli.

Diante das reações negativas, Bolsonaro recuou e afirmou que não se trataria de comemorar, mas de rememorar o 31 de março.


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