Quinta-feira, 21 de Novembro de 2019
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PM é morto a tiros e a golpes de terçado em Maués (AM)

Ronaldo Silva da Costa estava de folga bebendo em um bar com amigas, uma delas antiga amante. Ele era casado e, após brigar com a esposa, grávida, foi rever a antiga namorada, mas foi surpreendido pelo atual companheiro dela



1.jpg Policial foi morto quando estava de folga
11/02/2015 às 17:29

Um crime com motivações passionais pode ser a causa do assassinato do policial militar Ronaldo Silva da Costa, 31, morto a tiros e a golpes de terçado na madrugada ontem, quarta-feira, no município de Maués, a 276 quilômetros de Manaus. Três homens foram identificados como suspeitos de envolvimento no homicídio e a polícia, até a tarde de ontem, ainda não havia prendido ninguém.

O PM, natural de Manaus, era casado e seria pai nos próximos meses. Ele estava trabalhando há cerca de 20 dias em Maués, lotado na 10ª Companhia Independente de Policiamento Militar (CIPM), e na noite de terça aproveitava uma folga do quartel. Após brigar com a companheira, grávida, Ronaldo teria ido atrás de uma antiga amante, uma mulher que não teve o nome revelado, mas acabou caindo em uma emboscada.



Segundo testemunhas disseram à polícia, Ronaldo foi visto bebendo com duas amigas em um bar e, horas depois, estava sozinho em um posto de combustível na rua Pescador, conjunto Vinte e Cinco, bairro Mario Fonseca, área dominada pelo tráfico de drogas em Maués. As informações foram confirmadas pelo delegado da 48ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP), Rafael Schimidt.

As duas amigas que bebiam com Ronaldo não foram identificadas, mas uma delas seria a antiga amante do PM. Após ficar sozinho no posto de combustível, já na madrugada, por volta das 2h, Ronaldo foi surpreendido pelos três homens armados com revólveres e facões. Eles atiraram e golpearam Ronaldo várias vezes. O PM foi alvejado na coxa, na mão e no crânio – um tiro atingiu o queixo e depois perfurou a cabeça.

Conforme policiais colegas de Ronaldo, o PM ainda tentou se defender sacando a própria arma e efetuando disparos contra os assassinos, mas as balas acabaram e ele foi atingido até cair no chão. Ronaldo ainda foi golpeado com terçado duas vezes na cabeça e golpeado uma vez no rosto com uma estaca. Os detalhes da morte foram confirmados pelo comandante da 10ª CIPM de Maués, capitão Marcos Pires.

Moradores das proximidades do local do crime disseram terem ouvido barulho de tiro, mas poucos repassaram informações à polícia com medo de represálias dos traficantes da área, conforme o delegado Schimidt. Os três suspeitos do crime já foram identificados e a polícia já foi na casa da suposta amante, mas ninguém foi encontrado. O namorado atual dessa mulher seria o mentor do assassinato.

“Ele brigou com a mulher ontem (terça) e ‘encheu a cara’. Ele foi querer ver esse caso amoroso que teve no passado e possivelmente o atual companheiro dessa mulher é quem cometeu o homicídio, com a ajuda de mais duas pessoas”, contou Schimidt. Segundo ele, a investigação segue por essa linha até a então amante ser achada para prestar depoimento. A versão de envolvimento com o tráfico foi descartada.

Manaus/Maués

Ronaldo era natural de Manaus, trabalhou por anos em Maués e conheceu atual esposa. Depois ele voltou à servir a PM em Manaus e há 20 dias retornou para trabalhar no município do interior devido a gravidez da companheira. Segundo conhecidos, o PM costumava ser “mulherengo” e matinha um relacionamento extraconjugal por certo tempo. De volta a Maués, ele quis rever a então amante, mas não conseguiu. 

Mortes

O número de policiais civis e militares mortos no Amazonas nos últimos anos é um mistério. Isso porque os dados divulgados pelos órgãos de Segurança Pública divergem dos anunciados pelas instituições de classe das corporações militares e civis, que são até 50% maiores que os dados oficiais.

A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) informou que, no período de janeiro de 2013 até janeiro de 2015, foram registrados 11 casos de homicídios de policiais civis e militares em serviço e fora de serviço. Desse total, seis casos foram de policiais militares em dias de folga.

Nesse mesmo período, a Associação dos Praças do  Estado do Amazonas (Apeam) registrou 22 mortes de policiais militares, dez deles assassinados em serviço. Já o Sindicato dos Funcionários da Polícia Civil do Amazonas (Sinpol) informou que, nos últimos cinco anos, foram registrados oito assassinatos de policiais civis.

Protesto

Membros da Apeam promoveram na manhã do último domingo (8), na Praia da Ponta Negra, Zona Oeste de Manaus, uma homenagem aos 22 policiais e bombeiros militares mortos durante o trabalho, ou dias de folga, entre 2013 e janeiro de 2015.

Durante a homenagem, 22 cruzes foram fincadas na areia da praia representando cada policial morto. O ato, de acordo com o presidente da Apeam, Gerson Feitosa, também serviu de alerta para que a sociedade e autoridades percebam a fragilidade a que os profissionais da segurança pública estão expostos diariamente.


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