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PM não confirma atual situação do capitão Joel Zelian, que deu a ‘ordem para matar’ no AM

Após declarações polêmicas em entrevista, capitão passou a ser investigado em inquérito interno. A PM divulgou a exoneração dele do cargo nesta quarta (28), mas um dia depois nega que ele tenha deixado o posto 29/10/2015 às 15:41
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Capitão Joel Zelian disse, durante entrevista na Rádio Web Manacapuru, que deu ordens aos policiais para que eles matem bandidos durante troca de tiros
VINICIUS LEAL Manaus (AM)

ENTREVISTA / ÁUDIO DE RESPOSTA

O capitão Joel Zelian, que nesta quarta-feira (28) teria sido afastado do cargo de subcomandante do 9º Batalhão da Polícia Militar de Manacapuru (município da Região Metropolitana de Manaus, RMM) dias após assumir, por dar declarações polêmicas durante entrevista a uma rádio, pode nem ter deixado o cargo.

Ainda na quarta-feira, após a notícia de exoneração do capitão, centenas de pessoas foram às ruas da cidade manifestar apoio ao capitão Zelian, pedindo pelo seu retorno ao subcomando do 9º BPM. A população fez pressão, com imagens que correram as redes sociais, e pode ter surtido efeito.

O comandante-geral da PM, coronel Marcus James Frota, afirmou em entrevista a uma rádio de Manaus que teria a intenção de recolocar Zelian de volta ao posto de subcomandante do 9º BPM de Manacapuru. Porém, o capitão Zelian já responde a um inquérito policial pelas declarações polêmicas que fez, o que complica sua volta ao posto.

Em entrevista ao telejornal Manhã no Ar, da TV A Crítica, o comandante-geral não confirmou a exoneração do capitão Joel Zelian. Segundo o comandante, disse apenas que Zelian veio para Manaus e, em seguida, retornou para as atividades normais em Manacapuru. “Em nenhum momento a PM decidiu afastá-lo”, afirmou James.

População apoia o retorno do capitão Zelian

Já o comandante de Policiamento do Interior (CPI), tenente-coronel José França, em conversa por telefone com o Portal A Crítica, também não confirmou o afastamento. “Não foi batido o martelo”, disse ele. Porém, o próprio comandante do CPI havia confirmado ontem a exoneração do capitão Zelian.

O desencontro de falas do comandante-geral e do comandante do CPI coloca em dúvida o procedimento administrativo a que o capitão Joel Zelian estaria respondendo. Segundo disse ontem o comandante do CPI, um inquérito foi instaurado na Diretoria de Justiça e Disciplina da PM, com prazo de 40 dias.

Declarações

Recém empossado no cargo de subcomandante do 9º BPM, o capitão Joel Zelian disse em entrevista à Rádio Web Manacapuru, no último final de semana, que faria um choque de gestão no combate à criminalidade, nem que para isso precisasse burlar a lei.

Zelian disse nunca ter entrado em uma casa com autorização da Justiça, afirmou que não tinha medo de ser denunciado ao Ministério Público e à Justiça, que era “audacioso mesmo” e havia mandado policiais militares matarem pessoas durante abordagens.

Novo áudio

Após ser divulgada a exoneração dele, ontem, o capitão Zelian divulgou um áudio se defendendo e explicando a entrevista polêmica à rádio.  “Estão usando esse ‘teretetê’ para generalizar. Não me referi ao cidadão de bem, da paz, que trabalha e paga imposto, esse aí eu protejo. Mas no cidadão bandido e infrator é bala mesmo”.

Tortura e lesão

O histórico de Joel Zelian na PM é marcado por denúncia de tortura, lesão corporal grave e abuso de autoridade. Em 2010 ele foi afastado da chefia da delegacia de Rio Preto da Eva por atirar na perna de um detento na carceragem. Ele admitiu ter atirado, mas disse que foi acidental.

Em outro caso, o capitão Joel Zelian respondeu por uma denúncia de tortura a uma jovem de 18 anos, que estava grávida. “Ele disse que ia colocar uma arma na minha cabeça se eu não falasse onde estava a droga e que meu lugar no hospital já estava reservado para eu abortar meu filho”, relatou a jovem à época.

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