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‘PM não pode fazer greve’, diz novo secretário do SSP-AM

Diante dos rumores de paralisação de policiais militares, o novo secretário de Segurança, Sérgio Fontes, é categórico ao dizer que greve na PM é inconstitucional e que sua administração está aberta ao diálogo 19/01/2015 às 11:50
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Secretário Sérgio Fontes disse que vai “encarar essa greve dialogando”
janaína andrade Manaus (AM)

Em seu primeiro dia à frente da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), hoje, o delegado federal Sérgio Fontes já terá que encarar uma possível paralisação total da Polícia Militar no Amazonas (PM-AM). Para Fontes, antes de saber as motivações do possível motim, “a primeira consideração que tem que ser feita é que a PM não pode fazer greve, pois esbarra na questão da legalidade”.

“É inconstitucional, ponto! Segundo, eu acho precipitado iniciar uma greve sem se discutir os motivos, pois com certeza a minha administração e a do governador (José) Melo está aberta ao diálogo. Não se pode logo partir para uma solução extrema sem dialogar. Para você ter idéia está até nebuloso os motivos da greve. Alguns dizem que é porque foi instaurado um inquérito para investigar os policiais militares que participaram da última greve. Bom, temos que sentar e discutir. Sem diálogo nós não vamos chegar muito longe”, avaliou o secretário.

Para ele, qualquer que seja a motivação da paralisação tem que ser discutida com a secretaria, com o Comando Geral da PM e com o governador José Melo (Pros). “Primeiro com o comando da PM e depois com a Secretaria e aí finalmente com o governador. Mas o comando da PM já está buscando o diálogo. Sem dúvida”, disse Fontes.

Sérgio Fontes falou que ainda não sabe quem está à frente da greve, mas que espera “bom senso”. “Só ouvi falar dela e espero que não venha a ocorrer. Espero que o bom senso fale mais alto e que possamos sentar e conversar, pois se cada coisa que ocorrer houve uma ameaça de greve vai ficar muito difícil de administrar a segurança dentro do Estado. Tenho a certeza que as pessoas que estão à frente dessa greve terão o bom senso de sentar para conversar com o comando, com a secretaria e com o governo”, frisou.

Questionado se considera apenas uma coincidência ocorrer uma greve justamente em seu primeiro dia à frente da SSP, Fontes declarou que não saberia precisar. “Quando a gente assume, sempre existem correntes contrárias. Nunca se satisfaz a todo mundo, mesmo que se tenha um histórico que não possa ser atacado simplesmente com fatos passados. Mas, se o motivo for esse, acho que é muito mesquinho. Quero crer que o motivo seja algum temor de que alguns colegas venham a ser demitidos, ou seja, um primeiro desespero que bate e também um alerta para que haja diálogo. Tenho certeza que se sentarmos para conversar vamos esclarecer tudo isso. Não vejo impedimentos. Eu vou encarar essa greve dialogando”, garantiu o secretário.

‘Maioria’ não planeja parar, diz Apeam

A reportagem de A CRÍTICA tentou entrar em contato com o comandante geral da PM, coronel Gilberto Gouveia, mas não foi atendida. Gouveia, considerado por muitos como linha dura, assumiu o Comando da PM no dia 13 de janeiro, mas nos bastidores, o nome dele não foi bem aceito por um grupo de militares. Em nota, o atual presidente da Apeam, Gerson Feitosa, afirmou que apesar da PM "estar insatisfeita com a postura de alguns oficiais da corporação que não aceitam as lutas por melhorias da categoria", a maioria da tropa não planeja iniciar nenhuma paralisação.

Ele disse que uma parcela do alto comando da PM decidiu contrariar a autoridade do governador e criminalizar todos os policiais que participaram do ato realizado em abril de 2014, “abrindo contra os mesmos inquéritos visando puni-los com prisão ou até mesmo expulsão". Gerson Feitosa disse que tentará esgotar todas as medidas antes de declarar a paralisação das atividades. A Apeam ainda pretende levar a proposta de anistia elaborada pelo deputado estadual Platiny Soares (PV) na ALE-AM, e que possivelmente será apresentada pelo deputado federal Pauderney Avelino (DEM) na Câmara dos Deputados.

Ex-governador afirma que polícia perdeu hierarquia

Três vezes prefeito, três vezes governador e uma vez senador, Amazonino Mendes (PDT), em trecho inédito da entrevista para A CRÍTICA, criticou a atuação da Polícia Militar do Estado. Para ele, a PM “vem num processo de degeneração inacreditável”.

“No ano passado houve uma sublevação (revolta) capitaneada por um soldado expulso da polícia, chamado Platiny Soares, que virou deputado. O Governo aceitou aquela sublevação e naquele momento se quebrou toda a hierarquia militar. Naquele momento, a polícia foi enterrada de vez. Hoje, você tem um cabo deputado (Cabo Maciel) e tem um soldado que foi expulso e voltou. É evidente que a influência desses dois na política é gigantesca. Um coronel não enfrenta esse soldado (Platiny Soares). A hierarquia explodiu e não existe Polícia Militar sem hierarquia”, avaliou.

Amazonino rompeu o silêncio de quase dois anos e durante a entrevista, que durou duas horas, mesmo com ressalvas de não falar sobre uma ou outra personagem, acabou expressando o que pensa de figuras como o prefeito Arthur Neto (PSDB), o senador eleito Omar Aziz (PSD) e o ministro das Minas e Energia Eduardo Braga (PMDB).

O ex-governador, com 75 anos de idade, analisou o cenário político, o resultado das eleições de 2014 e elencou desafios do governador reeleito José Melo (Pros), entre eles, o de “redisciplinar a classe política”. Questionado se desistiu da política, Amazonino declarou que “não”. “Eu não vou deixar de ser político nunca. O que eu não quero mais é ser candidato. Esgotou o meu momento. Mas não posso deixar de participar do movimento político. Isso significa que politicamente continuo ativo, recebo muita gente na minha casa”, garantiu.

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