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Cotidiano
IRREGULARIDADES

‘Podem abrir CPI’, diz presidente afastado da Afeam durante reunião com deputados

No encontro com parlamentares, o ex-gestor, que foi afastado do cargo, afirmou que a Assembleia Legislativa pode fazer o que quiser que ele vai se defender 24/11/2016 às 11:19 - Atualizado em 24/11/2016 às 12:03
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Vinte e dois dos 24 deputados estaduais do Amazonas boicotaram a reunião (Foto: Lucas Jardim)
Lucas Jardim Manaus (AM)

22 dos 24 deputados estaduais do Amazonas boicotaram, nesta quarta-feira (23), a reunião que ouviria as explicações do presidente afastado da Agência de Fomento do Estado (Afeam) Evandor Geber Filho sobre o rombo de R$ 20 milhões na Afeam provocado por aplicação financeira considerada “temerária” pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM).

No encontro com parlamentares da Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM), o ex-gestor, que foi retirado do cargo um dia antes, afirmou que a Casa Legislativa pode fazer o que quiser que ele vai se defender e provar que agiu de acordo com normas técnicas. 

“Senhores, podem ter certeza de uma coisa: podem abrir CPI, façam o que quiserem, que eu vou provar com documentos que está tudo dentro da legalidade e dentro das boas normas técnicas de segurança de administração. Agora o risco de inadimplência, eu corro como qualquer banco”, afirmou o gestor afastado.

Evandor, junto com outros cinco dirigentes do órgão, teve o bloqueio de seus bens determinado pelo TCE-AM na segunda-feira, após o órgão encontrar indícios de má aplicação dos recursos públicos pela agência.

Chamou a atenção da Corte de Contas, o investimento de R$ 20 milhões na Transexpert Vigilância e Transporte de Valores, empresa com sede no Rio de Janeiro investigada pela Polícia Federal (PF) e com ligações com o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), preso na semana passada.

Evandor rebateu que tivesse conhecimento das atividades escusas envolvendo a Transexpert e o político carioca, alegando que, à época do negócio, no ano passado, a empresa de segurança estava toda regularizada.

“Na época, estava tudo normal. [...] Estou tendo a sensação de que todos estão querendo vincular esse investimento com o crime Sérgio Cabral, e não tem nada a ver uma coisa com a outra. Tanto não tem que estou denunciando na [Comissão de Valores Mobiliários] CVM, a administradora do fundo, para tomar as providências”, declarou.

Segundo Evandor, o investimento feito na empresa carioca seguiu as normas do Banco Central. “A Afeam comprou cotas de um fundo em que uma empresa, que tinha matriz no Rio de Janeiro, emitiu as debêntures para. Por que a Afeam fez essa opção? Primeiro, pela análise técnica do retorno do negócio. Segundo, essa empresa tinha um projeto no Amazonas para a geração de, inicialmente, 300 empregos. Tanto é que ela abriu o escritório dela aqui em Manaus em fevereiro de 2015”, detalhou Evandor, dizendo que o projeto da Transexpert só não foi para a frente por conta de um incêndio sofrido pela companhia em agosto do ano passado.

Sobre seu afastamento, Evandor se limitou a dizer que era “uma decisão do governador”. “Eu não vou questionar o direito dele, já que ele é meu patrão. Agora eu vou fazer a minha defesa junto ao procurador de contas”, comentou

O pedido de CPI, que recebeu nove assinaturas, uma a mais do que o mínimo exigido para sua abertura, aguarda análise da  procuradoria da ALE-AM. Depois, retorna à Mesa Diretora para escolha dos seus membros.

'Teremos novos capítulos'

O líder do Governo na ALE-AM, deputado David Almeida, que convidou Evandor para a reunião com os demais parlamentares, viu no afastamento dele uma medida de isenção por parte do Executivo Estadual.

“O Governo comunicou que afastou a diretoria para que [o caso] pudesse ser apurado. É uma forma de isenção, de deixar os caminhos livres [para a investigação]. Agora, vocês viram a disposição [do Evandor]. Ele é um servidor do Estado, mas está afastado. Não foi convocado, foi convidado e vai estar aqui todas as vezes que for convidado ou convocado, se o for em relação a essa questão. É importante fazermos alguns esclarecimentos além do que está sendo noticiado de terça-feira para cá. Teremos novos capítulos em torno desse episódio”, afirmou.

Perguntado sobre se ainda pretende assinar o requerimento da CPI, ele disse que, de posse das informações fornecidas por Evandor, ele deverá se reunir com a base aliada para fechar uma posição conjunta.

Blog: Luiz Castro, deputado estadual

‘Eu não participei da reunião por já estar com a agenda cheia para o dia e não querer deixar  pessoas envolvidas com várias causas pelas quais luto esperando. Agora, acho que a prioridade é a CPI ser instalada e ouvir, não só o Evandor,  como outras pessoas. Cheguei a explicar isso ao deputado David Almeida. Não é pessoal, nós não tornamos esse tipo de coisa pessoal aqui na Assembleia. De toda forma, temos que ouvi-lo no contexto da CPI. O requerimento já foi recebido pela Mesa Diretora e encaminhado à procuradoria da Casa para que verifique a presença dos requisitos para a instauração. Essa análise, ainda que não tenha um prazo, é de bom tom que se conclua em uma semana. Com a eleição do novo presidente chegando, é importante falar que, uma vez aberta, a CPI continua na próxima gestão'.

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