Quarta-feira, 25 de Novembro de 2020
Prêmio Nobel

Poetisa americana Louise Glück vence Nobel de Literatura

Dois anos depois do prêmio para a polonesa Olga Tokarczuk, Louise Glück é a 16ª mulher premiada com o Nobel de Literatura, em um ano de forte presença feminina



xLouise-Gluck.png.pagespeed.ic.fl5L1TxiMH_07928831-983A-4F15-9614-74A87D4F3C2C.jpg Divulgação
News thumb afp d084093c bf21 4ede 853c 0cfb6068260d AFP
08/10/2020 às 09:09

A poeta americana Louise Glück, de 77 anos, é a vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 2020 - anunciou a Academia Sueca nesta quinta-feira (8), um nome que pegou quase todos os analistas de surpresa e que reconhece uma carreira iniciada nos anos 1960.

Glück foi premiada por sua "inconfundível voz poética, que, com uma beleza austera, torna a existência individual universal", afirmou a instituição.



Louise Glück é "uma poeta da mudança radical e do renascimento", disse o presidente do Comitê do Nobel, Anders Olsson.

A infância e a vida em família da escritora nascida em Nova York, a relação estreita entre os pais e os irmãos e irmãs são alguns dos temas abordados em sua obra.

"Averno" (2006) é a sua coleção magistral de poemas, uma interpretação visionária do mito da descida ao inferno de Perséfone, raptada por Hades, deus da morte. Outro trabalho marcante é sua mais recente compilação, "Faithful and Virtuous Night" (Noite Fiel e Virtuosa), de 2014.

Nobel feminino 

Além de Glück, três foram premiadas nas categorias científicas do Nobel e esta temporada pode bater o recorde de mulheres laureadas (cinco em 2009). Dois prêmios ainda serão anunciados: o da Paz, na sexta-feira (9), e o de Economia, na segunda (12).

Após uma série de escândalos e de polêmicas que abalaram o prêmio literário mais famoso do mundo nos últimos anos, a escolha de 2020 da Academia Sueca era especialmente imprevisível, segundo os críticos.

No ano passado, o prêmio de 2019 foi concedido ao escritor austríaco Peter Handke, mas suas opiniões favoráveis ao falecido líder sérvio Slobodan Milosevic provocaram grande polêmica.

O júri justificou que julgou a obra, não o homem. Em 2016, a Academia também surpreendeu ao premiar Bob Dylan por uma obra de duvidoso caráter literário para alguns críticos.

Depois da polêmica pelo prêmio ao compositor, um escândalo sexual abalou a Academia Sueca há três anos, o que provocou o adiamento do anúncio do prêmio de 2018 para 2019.

A Academia Sueca foi criticada pela maneira como administrou as acusações contra o francês Jean-Claude Arnault, marido de uma acadêmica e personalidade influente do panorama cultural sueco, condenado por estupro.

Este ano, os nomes do japonês Haruki Murakami, do franco-tcheco Milan Kundera, do espanhol Javier Marías, da canadense Margaret Atwood e da francesa Maryse Condé foram muito especulados.

Mas a Academia sempre preferiu os candidatos menos conhecidos aos escritores mais célebres, embora em 120 anos também tenha premiado grandes nomes da literatura.

Os países ocidentais têm vários prêmios Nobel de Literatura, mas grandes países como o Brasil nunca receberam o prêmio, enquanto a China conquistou um, com Mo Yan, em 2012, e a Índia outro, com Rabindranath Tagore em 1913.

A edição de 2020 não terá a cerimônia presencial de entrega dos prêmios, em dezembro, o que não acontece desde 1944, devido à pandemia do novo coronavírus.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.