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Cotidiano
SEGURANÇA

Sinpol pretende suspender as atividades em delegacia de Manacapuru

O motivo intervenção, segundo o presidente do sindicato, Moacir Maia, é a quantidade de presos que estão encarcerados na delegacia, já que o presídio do município foi interditado por decisão judicial no mês passado 13/06/2016 às 09:35 - Atualizado em 13/06/2016 às 09:49
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Segundo Moacir Maia (em pé), uma das principais preocupações é com ataques de criminosos à delegacia, que tem efetivo pequeno (Arquivo/AC)
Kelly Melo Manaus (AM)

A partir de hoje, o Sindicato dos Funcionários da Polícia Civil do Amazonas (Sinpol-AM) pretende suspender as atividades, como registros de boletins de ocorrências, na Delegacia Interativa de Polícia (DIP) de Manacapuru (distante 70 quilômetros da capital), por tempo indeterminado. Com a medida, apenas situações de flagrantes serão recebidas no DIP.

O motivo intervenção, segundo o presidente do sindicato, Moacir Maia, é a quantidade de presos que estão encarcerados na delegacia, já que o presídio do município foi interditado por decisão judicial no mês passado.

Moacir Maia afirmou que atualmente mais de 30 presos que deveriam estar no presídio estão na delegacia, o que tem sobrecarregado os trabalhos da Polícia Civil. “A ação tem total apoio dos servidores do DIP de Manacapuru e só vamos receber situações de flagrante delito, a partir de agora. O nosso efetivo é pequeno e, além dos trabalhos rotineiros da delegacia, os servidores ainda têm que atuar como agentes carcerários. A situação está complicada”, criticou.

Segundo Maia, uma das principais preocupações é com possíveis resgates de presos que organizações criminosas possam planejar. “Já recebemos esse tipo de ameaça e o que preocupa é que o nosso efetivo é pequeno lá. São aproximadamente 30 servidores que se revezam entre o expediente e o plantão. Precisamos de providências com urgência porque a situação é preocupante”, cobrou o policial.

‘Negociação’

O diretor de Departamento de Polícia do Interior (DPI), Mariolino Brito, confirmou que recebeu informações sobre a ação do Sinpol em Manacapuru, mas ressaltou que o sindicato não tem autonomia para parar o funcionamento da delegacia. Brito disse que vai ao município acompanhar de perto o protesto do sindicato e afirmou estar aberto para uma conversa com os sindicalistas. “Eles podem demonstrar insatisfação com alguma coisa, mas não podem intervir no funcionamento da delegacia. Vamos estar lá e vamos conversar com o sindicato para negociar o que for necessário”, frisou o diretor. Ordem JudicialO secretário da Administração Penitenciária (Seap), Pedro Florêncio, explicou que o presídio de Manacapuru foi interditado por meio de uma determinação judicial e destacou que todos os internos que estavam no local foram transferidos para Manaus no mês passado.

Florêncio afirmou que as estruturas do presídio estão sendo demolidas, no entanto não existe uma previsão para que uma nova unidade prisional seja construída em Manacapuru. “Um presídio leva ao menos dois anos para ser construído e, com a crise econômica, não temos previsão de quando um novo será construído lá. Pedimos apoio (financeiro) do Depen e Seinfra, mas ainda estão aguardando uma resposta ”, destacou o secretário, que concluiu: “Foi um erro da justiça interditar esse presídio porque todo o sistema está superlotado. Além disso, as transferências para Manaus trazem prejuízos para os internos que passam a ter dificuldades para irem às audiências processuais e deixam de ter visita da família, o que é uma questão de humanidade”.

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