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Polícia Federal investiga queda de avião com amazonenses a bordo, abatido por caças na Venezuela

Informações sobre mortes dos dois ocupantes e os motivos do abatimento da aeronave estão mantidos em sigilo, mas piloto já era investigado desde 2014 28/05/2015 às 21:48
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Aeronave abatida na Venezuela tinha dois amazonenses a bordo, com drogas e dinheiro
Joana queiroz Manaus (AM)

O superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Marcelo Resende, disse, ontem, que a PF acompanha   a apuração da aeronave, modelo EMB-820-C  foi  derrubado a tiros nos céus da Venezuela no último domingo e  que resultou na morte do piloto Klender Hideo de Paula Ida, 19, e Fernando Cesar Silva da  Graca, 24,   além da apreensão de dinheiro e 616 pacotes de cocaína.

De acordo com Resende, as informações conseguidas estão sendo mantidas em sigilo. Até o momento ainda não é possível informar, com segurança, o nome do proprietário da  aeronave e nem o dono da droga que estava sendo transportada. “Nós estamos  trabalhando com muita cautela e há informações que nós ainda estamos confirmando”, disse o superintendente. Marcelo Resende preferiu não dar maiores detalhes sobre o trabalho que a Polícia Federal está fazendo relacionado ao abate da aeronave.

Ele informou que Hideo era investigado pela PF por meio de um inquérito instaurado no ano passado  quando foi preso em flagrante usando documentos falsos. Ele estava com permissão para pilotar  vencida e usou o nome de uma outra pessoa. O inquérito ainda não está concluído.

O ex-superintendente da Polícia Federal Mauro Spósito, que participa de uma operação policial na fronteira do Brasil com a Colômbia e o Peru, disse que a aeronave foi abatida e desmanchou-se ainda no ar transformando-se em um amontoado de destroço, mas que não chegou a explodir, permitindo que o carregamento de droga fosse recuperado e os corpos preservados, embora quebrados.

Ontem, no aeroclube, o diretor-presidente identificado como “Acioly da Silva” foi procurado para falar sobre  a aeronave e a informação dos funcionários é que ele estava no local  participando de uma reunião e que não teria hora para sair. Na casa da família de Hideo, na Redenção, Zona Centro-Oeste, os familiares preferiram não falar sobre o caso. Um primo dele identificado como “Cleiton” disse que estavam abalados e cansados. Ele informou, ainda, que o pai da vítima viajou para Venezuela para acompanhar o trabalho da polícia e trazer o corpo do filho.

Até ontem, a informação venezuelana sobre o abate da aeronave era que as autoridades teriam detectado o avião brasileiro voando ilegalmente. Os tripulantes não teriam respondido às tentativas de comunicação das Forças Armadas e resolveram abater a aeronave no município de Ricaurte, departamento de Cojedes.

Pai de vítima foi preso em 2008 

Fernando César é filho de um empresário suspeito de financiar o tráfico de drogas e que foi preso em 2008 no município de Ananindeua, no Pará. A prisão fez parte da “Operação Muralha”, desencadeada pela Polícia Federal em nove estados do País. Foram cumpridos 37 mandados de prisão e 29 de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Amazonas e Pará.

Esta foi a segunda prisão do empresário; ele já havia ido para a cadeia por traficar 540 quilos de cocaína. A família Graça é conhecida da polícia por integrar uma organização criminosa ”Curica” que já dura mais de 30 anos. Antônio Mota da Graça o “Curica”, tio do traficante e integrante da facção criminosa Família do Norte (FDN), Gregório da Graça Alves, o “Mano G”, ou “Mano Greg” fugitivo da Justiça desde março deste ano. José Graça é um dos primos de Curica.

Voo de instrução

 A mãe de Klender Hideo, Telma Silva de Paula, acredita na inocência do filho e negou que ele tivesse envolvimento com o tráfico de drogas. “Meu filho trabalhava como piloto desde os 19 anos. Se essa droga realmente estava com eles, eu acredito que foi uma sabotagem”, afirmou ela, acrescentando que nenhum familiar conhecia o acompanhante do filho, Fernando César.  De acordo com Telma, Klender deixou a capital na última sexta-feira para fazer um voo de instrução.

“Ele disse que ia fazer um voo de instrução em Itacoatiara, mas ficamos sem contato porque o Klender esqueceu o celular em casa. Só ficamos sabendo do acidente ontem (terça-feira), por amigos dele”. Muito emocionada, ela também contou que antes da viagem, o piloto chegou a dizer que este seria o seu último voo, pois ele queria voltar a estudar. “Ele disse que não estava tendo lucro com os voos e que estava decido a voltar para a faculdade de Mecatrônica”, lembrou. 


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