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Polícia investiga crime violento ocorrido dentro da área ocupada por indígenas e brancos na AM-070

A polícia de Iranduba confirmou a existência de uma ocorrência de estupro dentro da invasão, entre os quilômetros 4 e 6 da rodovia Manoel Urbano (AM-070), que foi registrada na semana passada 10/09/2013 às 11:13
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Polícia afirma que não há controle sobre as atividades dos ocupantes do terreno que somam aproximadamente 20 mil pessoas
Steffanie Schmidt ---

A polícia investiga a ocorrência de crimes de violência dentro da invasão que já toma proporções de bairro entre os quilômetros 4 e 6 da rodovia Manoel Urbano (AM-070), que liga Manaus a Manacapuru. Segundo informações colhidas junto à Prefeitura de Iranduba (a 25 quilômetros de Manaus), pelo menos dois estupros e uma ocorrência de tráfico de droga já aconteceram no local, que conta com aproximadamente seis mil famílias, o equivalente a 20 mil pessoas.

O 31º Distrito Integrado de Polícia (DIP) de Iranduba confirmou a existência de uma ocorrência de estupro dentro da invasão que foi registradana semana passada. No entanto, ainda não foram realizadas diligências por conta da dificuldade de acesso ao terreno, controlado somente por indígenas.

A Polícia Militar também está em busca de dados sobre a ocorrências desses crimes. Segundo informações da corporação, um major PM foi enviado ao município de Iranduba a fim de obter mais detalhes sobre os estupros e o tráfico de droga.

De acordo com o subcomandante do Policiamento do Interior, o tenente coronel PM Everton Cruz, há informações de que a comercialização de drogas vem sendo feita por algumas pessoas livremente. Além disso, segundo ele, outra situação comum dentro do terreno invadido é o crime de porte ilegal de arma de fogo. “No entanto, não podemos confirmar nada ainda. Estamos averiguando todas essas situações”, disse.

Flechas e arpões utilizados pelos indígenas, principalmente pelos responsáveis pela vigilância do local - um total de cem homens que se revezam durante todo o dia - também são consideradas armas brancas. “Elas podem provocar perfurações contundentes”, disse Cruz. Esse tipo de ferimento é caracterizado por meio de pressão e perfuração, ocasionando ferimentos maiores que o diâmetro de superfície do objeto.

De acordo com a legislação brasileira, o porte de arma branca não é proibido, segundo o Estatuto do Desarmamento, a menos que o objeto traga risco à ordem pública, Por conta disso, há revista onde existe grande aglomeração de pessoas. “Nossa maior dificuldade hoje é o acesso ao local. Eles bloquearam a passagem e só sabemos que já está expandindo para o quilômetro 7”, explicou.

Cronologia

Ocupação nos km 4 e 6

8 de maio - Uma primeira tentativa de invasão é contida pela PM no km 4;25 de julho - A invasão toma corpo e se fixa no local;

30 de agosto - Três mil bloqueiam parte da AM-070, próximo à ponte Rio Negro, após a expedição do mandado de reintegração de posse;

2 de setembro - Fim do prazo para desocupação, mas reintegração é suspensa;

11 de setembro - Reunião define data para reintegração.

Etnias alegam que não causaram danos

Índios das etnias Sateré-Mauwé, Mundurucu, Mura, Miranha e Apurinã, além de não indígenas ocupam o local e se recusam a sair. O cacique Sabá Castilho Kukema é o líder e já afirmou que aguarda a realização de um acordo com a Justiça Federal.

O Ministério Público Estadual (MPE) abriu um inquérito civil para apurar a responsabilidade dos autores dos danos ambientais causados no local. Os indígenas alegam que o desmatamento, os desnivelamentos de terreno por retirada de grande quantidade de areia e terras, além de queimadas, já vinham sendo feitas há muito tempo. “Nem que quiséssemos conseguiríamos fazer isso tudo em dois meses”, afirma o professor DejandirTikuna.

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