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Cotidiano
SÍMBOLOS

Polícia investiga pichação nazista em igreja na região serrana do Rio de Janeiro

A capela é a mais antiga igreja católica do município e tem um sino de bronze doado pelo imperador Pedro II. Ela é considerada um ponto turístico 15/10/2018 às 13:52 - Atualizado em 15/10/2018 às 13:54
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(Foto: Reprodução/Internet)
Vinícius Lisboa - Agência Brasil Rio de Janeiro

Pichações com a cruz suástica nazista em uma capela histórica de Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro, indignaram moradores e se tornaram objeto de investigação da Polícia Civil fluminense. Os símbolos foram pintados entre a noite de sábado (13) e a madrugada de domingo (14) na fachada do templo católico, que tem mais de 150 anos.

Segundo a Polícia Civil, a 151ª Delegacia de Polícia (Nova Friburgo) registrou o caso e já foi ao local coletar provas. A Agência Brasil não conseguiu contato com a Paróquia de São Sebastião, em Lumiar, da qual a capela faz parte. 

A capela é a mais antiga igreja católica do município e tem um sino de bronze doado pelo imperador Pedro II. Localizada em São Pedro da Serra, distrito rural famoso como destino de ecoturismo, a igreja é considerada um dos principais pontos turísticos do distrito. 

A lei brasileira considera crime fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada para fins de divulgação do nazismo. 

Ideologia autoritária de extrema direita, o nazismo levou à morte de milhões de judeus, estrangeiros, homossexuais, deficientes físicos e integrantes de outros grupos minoritários quando Adolf Hitler chegou ao poder na Alemanha, na primeira metade do século 20. O expansionismo do regime nazista também culminou na Segunda Guerra Mundial.

Dono de uma pousada em São Pedro da Serra, João Carlos Leal disse que ficou surpreso com a pichação porque o clima na cidade continuava tranquilo, apesar da polarização política ser a mesma verificada em outras partes do país com a eleição presidencial.

"Embora a gente estivesse polarizado, o clima na vila era amistoso", afirmou Leal, que estava organizando uma partida de futebol com times formados por simpatizantes dos dois candidatos que disputam o segundo turno da eleição presidencial: Jair  Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). Depois da pichação, a partida foi suspensa.

Outro morador que concedeu entrevista e pediu para não ser identificado discordou de que o clima na cidade seja amistoso e destacou que a intolerância vem levando a divisões familiares, brigas entre amigos e ameaças de represálias.

O músico Ricardo Vilas, dono de uma casa de veraneio em São Pedro da Serra há mais de 30 anos, conta que estava na cidade no domingo e foi até a igreja para ver as pichações. "Muita gente foi lá para olhar. Inclusive foi um fim de semana com muita gente de fora porque tivemos um feriado prolongado e a cidade estava lotada."

Para Ricardo, o ato preocupa porque se soma a outras manifestações de intolerância política que vêm sendo registradas em algumas regiões do país. "A existência de um ato como esse incentiva a existência do seguinte."

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