Terça-feira, 12 de Novembro de 2019
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Polícia procura por quatro foragidos suspeitos de assassinar PM em Maués (AM)

Três homens e uma mulher já foram identificados e fugiram de lancha para municípios próximos. A suspeita é que o PM tenha ido atrás da antiga amante e acabou morto pelo atual namorado dela



1.jpg Ronaldo Silva da Costa, 31, o policial morto
12/02/2015 às 16:40

Três homens e uma mulher estão sendo procuradas pela polícia como suspeitos de envolvimento no assassinato do policial militar Ronaldo Silva da Costa, 31, morto a tiros e a golpes de terçado na madrugada de quarta-feira (11), no município de Maués, a 276 quilômetros de Manaus. Segundo a polícia, o grupo fugiu da cidade de barco.

Os suspeitos são Lorraine Ketelen da Cruz Fernandes, 22, Elzo Lacerda de Souza, 28, vulgo “Júnior”, Douglas da Cruz Fernandes, 21, e Mateus. Lorraine seria uma antiga amante do PM Ronaldo, e atualmente namora “Júnior”, apontado como traficante. Mateus seria amigo de Júnior e Douglas tio de Lorraine. Todos estão foragidos.



A morte do PM é vista como um crime passional motivado pelo ciúme do atual namorado de Lorraine pelo antigo amante da moça, o policial. Essa é a principal linha de investigação da polícia. “Não foi encontrado ninguém. Estamos ouvindo pessoas no local e vamos ver se chegamos a alguma dinâmica do ocorrido”, disse o delegado Rafael Schimidt.

Segundo Schimidt, a real participação de cada um deles no assassinato ainda é incerta, mas até que sejam encontrados para prestar depoimentos todos são considerados suspeitos. “Todos fugiram do município de lancha durante a madrugada para municípios próximos”, disse Schimidt. O grupo pode ter ido para Uricurituba, Boa Vista do Ramos ou até Manaus.

“O fato (crime) poderia ser em represália. A gente está apurando”, contou o delegado. Segundo ele, Lorraine e “Júnior” já foram presos por tráfico e associação para o tráfico no último dia 24 de setembro. Entretanto, apesar do envolvimento deles com a venda de entorpecentes, a motivação por acerto de contas está descartada.

Assassinato

O PM Ronaldo foi assassinado por volta das 2h de quarta (11) na rua Pescador, conjunto 25, bairro Mário Fonseca, área conhecida pelo tráfico de drogas, segundo a polícia, e onde Lorraine morava. A suspeita é que Ronaldo foi de motocicleta até o endereço da antiga amante, mas foi surpreendido por Júnior, Mateus e Douglas com revólveres e facões.

Na noite anterior, Ronaldo estava de folga do serviço e havia brigado com a esposa, grávida. Ele saiu para beber com amigos em um bar à noite, depois foi beber sozinho em um posto de combustível e, na madrugada, embriagado, decidiu procurar Lorraine na casa dela. Não se sabe se quando foi à casa de Lorraine, o PM discutiu com Júnior.

“Ele brigou com a mulher ontem (terça) e ‘encheu a cara’. Ele foi querer ver esse caso amoroso que teve no passado e possivelmente o atual companheiro dessa mulher é quem cometeu o homicídio, com a ajuda de mais duas pessoas”, contou Schimidt. A primeira suspeita era que Ronaldo havia sido vítima de uma emboscada.

Os três suspeitos armados atiraram em Ronaldo, que foi atingido na coxa, na mão e no crânio – o tiro atingiu o queixo e perfurou a cabeça. O PM ainda foi golpeado várias vezes com terçado e estaca na cabeça. Conforme policiais colegas de Ronaldo, o PM tentou se defender sacando a própria arma e efetuando disparos, mas as balas acabaram e ele foi morto.

Investigação

Conforme o delegado Schimidt, a polícia procurou os quatro suspeitos em casa, não os encontrou e ninguém quis comentar o sumiço deles. “A família não fala nada. (Eles) ficam omitindo informações. O problema é que as mesmas pessoas que viram o policial ser morto são os que (se) omitem. E tem muita gente envolvida com o tráfico”, explicou o delegado.

Moradores das proximidades do local do crime disseram terem ouvido barulho de tiro, mas poucos repassaram informações à polícia com medo de represálias dos traficantes da área, conforme Schimidt. “Puxamos imagens das câmeras de segurança do posto e 1h40 ele (Ronaldo) saiu do posto. Às 2h ele foi morto”, disse o delegado.

Arrastado

Uma informação nova é que o corpo de Ronaldo teria sido arrastado no asfalto da rua Pescador. “Pelas marcas de arranhão (vemos) que o corpo foi arrastado do local onde foi morto para o outro lado da rua, para tentar despistar”, disse Schimidt. A moto do PM que estava em frente à casa de Lorraine também foi tirada dali e colocada no meio da rua.

Sumiço

Na noite de ontem (11), a irmã de Douglas, Alciane da Cruz Fernandes, 43, denunciou que o irmão foi assassinado por PMs em Maués em represália à morte de Ronaldo. Segundo ela, os policiais invadiram a casa do rapaz, o agrediram, o sequestraram, torturaram e depois o mataram em um matagal. Douglas não foi mais visto e a irmã nega o envolvimento dele.

O comandante da 10ª Companhia Independente de Polícia Militar de Maués, capitão Marcos Pires, negou a morte de Douglas porque nenhum corpo foi encontrado. Ele soube da denúncia do sequestro, a corporação foi acionada para verificar o suposto cadáver, na companhia da família e de um representante dos Direitos Humanos, mas nada foi encontrado.

‘Mulherengo’

Ronaldo era natural de Manaus, era casado e seria pai nos próximos meses. Ele trabalhou por anos em Maués, quando conheceu atual esposa. Depois voltou a servir a PM em Manaus e há 20 dias retornou para o município do interior devido à gravidez da companheira. Segundo conhecidos, o PM costumava ser “mulherengo” e ter amantes.


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