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Cotidiano
intimidação

Policiais pedem a cassação de deputado que tentou impedir apreensão de pirarucu

Associação de Praças do Amazonas pedirá a cassação de Orlando Cidade (PTN) por suposto abuso de poder ao tentar intimidar policiais durante apreensão de pescado em Manacapuru. Situação foi filmada, mas o presidente do Conselho e Ética da ALE-AM, Vicente Lopes, adiantou que não cabe à Casa julgar atos particulares dos deputados 12/07/2016 às 16:56 - Atualizado em 12/07/2016 às 16:58
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Em entrevista, Orlando Cidade afirmou que o pescado apreendido não lhe pertence, mas na ligação para o governador, ele menciona que “esse é nosso único fornecedor”, dando a entender o contrário Ato de intimidação do deputado Orlando Cidade foi registrado em vídeo, em que o parlamentar critica a atuação dos policiais e aparece telefonando para o governador do Estado para relatar o ocorrido. Foto: Clóvis Miranda
Lucas Jardim e Rebeca Mota Manaus (AM)

O presidente licenciado da Associação dos Praças do Estado do Amazonas (Apeam), Gerson Feitosa, vai pedir a cassação do deputado Estadual Orlando Cidade (PTN) no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa (ALE-AM) por suposta prática de abuso de poder contra policiais militares do Batalhão Ambiental.

Durante apreensão de pescado ilegal, na Feira da Liberdade, em Manacapuru (a 84 Km de Manaus), o deputado estadual Orlando Cidades, teria tentado intimidar Policiais do Batalhão Ambiental da Polícia Militar, ao desqualificar o trabalho dos agentes e ligar para o governador José Melo (Pros) no intuito de evitar a apreensão dos peixes. A ação dos policiais e a intervenção de Cidades foi filmada.

“Nós acreditamos pouquíssimo que a ALE-AM faça algo contra um ente querido, mas vamos, mesmo assim, denunciar também em outros meios, buscando provar nossos argumentos, pois já temos uma prova que é o vídeo que mostra claramente este abuso, quando ele liga para o governador. E vamos repassar o caso ao Ministério Público”, comenta Gerson.

O presidente do Conselho de Ética do parlamento estadual, deputado Vicente Lopes, diz que isto é um assunto “extra parlamentar” e não é de obrigação da Casa se envolver. “Esta é uma situação particular do deputado que por parte da Assembleia não cabe julgar”, argumentou Vicente.

‘PEIXE NÃO É MEU’

Após a repercussão negativa do vídeo, o deputado rebateu a versão do caso que dava conta de que o peixe seria dele. “Isso é invenção de blogueiro, incentivada pelo Batalhão Ambiental, que fez aquela filmagem, que me chamou de mentiroso”, disse o parlamentar, a despeito de também ter afirmado no vídeo que se tratava de seus peixes.

Segundo ele, o produto é da Cooperativa dos Piscicultores, Aquicultores, Produtores Rurais e Estrativistas do Amazonas (Cooperpeixe), grupo sediado em Manacapuru, com a qual tem relação mas, segundo ele, da qual não faz parte. “Eu fui o fundador. Isso está no estatuto da cooperativa. Hoje, eu não sou nem cooperado, porque me afastei. Aí a imprensa local joga tudo em cima para tumultuar o processo, tanto é que disse que o peixe é do deputado, quando na verdade, não é. É do peixeiro”, afirmou, explicando também que desconhece a nota fiscal com indícios de fraude encontrada pelos policiais.

ORIGEM QUESTIONADA

O deputado disse que estava em Manacapuru e que já pretendia ir à feira da Liberdade, pois é seu costume quando passa os domingos no município. Antes de fazer isso, no entanto, ele disse ter recebido uma ligação avisando sobre a apreensão, o que fez partir para o local imediatamente, onde viu “três ou quatro” viaturas do Batalhão Ambiental e policiais na banca de peixe que recebe a produção da Cooperpeixe.

Segundo o deputado, ele se aproximou do policial e disse que o peixe era de cativeiro, logo, não precisando de um selo que, na ocasião, estava sendo exigido pelo batalhão. “Aí houve uma pequena discussão dizendo que talvez ele não conhecesse a legislação. Foi quando começaram os xingamentos”, disse o parlamentar, alegando que, a despeito disso, os policiais prosseguiram na ação.

“Eu liguei para o governador na frente de todos e ele não pôde me atender, mas depois me retornou. Ele não deu uma palavra, só disse ‘Oi, Orlando. Tudo bem?’. Eu disse ‘Governador, não está nada bem. Eu estou passando aqui o maior constrangimento com o Batalhão Ambiental, que vieram aqui na feira da Liberdade, onde temos nosso ponto de vendas de peixe, lá da cooperativa....’”, contou o deputado, dizendo que explicou o fato ao governador em seguida e que tudo o que ficou acertado na ligação foi que se reuniriam em Manaus para conversar sobre o ocorrido.

Quanto ao desacato diante dos agentes do Batalhão Ambiental, Orlando rebateu que também “é uma autoridade” e defendeu sua atitude, pois teria sido chamado de mentiroso na ocasião da apreensão.

Bate-boca e ligação para o governador

No último domingo (10), o Batalhão do Policiamento Ambiental da Polícia Militar do Amazonas apreendeu mais de meia tonelada de pirarucu com documentação irregular na Feira da Liberdade, localizada no município de Manacapuru.

Por meio de nota, o batalhão explicou que o fato ocorreu durante operação de fiscalização ambiental no município, quando os policiais militares encontraram aproximadamente 498 kg de pirarucu fresco em uma banca e mais 90 kg em outra, totalizando 588 kg com documentação irregular. As notas referentes ao pescado apresentavam indícios de fraude, com numeração repetida.

Alertado sobre a ação policial, o deputado Orlando Cidade foi ao local e negou irregularidade nas notas. O que se passou foi gravado em vídeo, em que Cidade trava discussão com os policiais. “Tu não entende de fiscalização rapaz (sic)”, diz o parlamentar, dirigindo-se a um dos policiais. Em outro vídeo, Orlando está ao telefone relatando o ocorrido ao governador José Melo. Quando um policial disse a ele que falasse a verdade, ele respondeu: “Tem um (policial) aqui, fale com ele aqui (governador)”, pediu Orlando. “O peixe veio lá da fazenda, governador. Esse é o nosso único fornecedor”, acrescentou.

Os policiais foram à Delegacia de Manacapuru para registrar o ilícito, onde foram feitos os procedimentos de polícia judiciária.

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