Sexta-feira, 19 de Julho de 2019
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Policiais vão às escolas públicas ensinar crianças a se manterem longe da criminalidade

Alunos aprendem na sala de aula, por meio do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), a combater os males da sociedade



1.gif Muitas crianças da periferia da capital convivem com a violência
28/10/2014 às 11:38

O pequeno K.M.M.S, estudante do 5º ano do Ensino Fundamental, já conviveu com a problemática que as drogas podem trazer para dentro do lar. Ele contou que chegou a ver um dos tios se drogar diariamente dentro de casa. “Uma vez eu disse para ele parar de fazer isso porque não era bom. Mas ele não me ouviu”, disse o garoto. Segundo o menino, o tio foi assassinado recentemente por conta de uma dívida com traficantes no bairro Colônia Santo Antônio, na Zona Norte. Agora, ele tenta tirar proveito dos ensinamentos que tem recebido.

Essa é a realidade de muitas crianças da periferia da capital. Em meio à inocência da infância, são criadas em um universo onde as drogas, a violência e o crime estão cada vez mais presentes. Mas como evitar que o futuro do Estado se envolva nesse mundo? Para os educadores, a solução é o investimento na educação de base, em que, desde pequena, a criança aprenda a resistir ao que é errado. Esse seria o presente ideal para uma cidade que completou 345 anos.

Orientação

Os alunos da Escola Municipal Madalena dos Santos Costa, localizada no bairro Novo Israel, na Zona Norte, já sabem disso e procuram colocar em prática o que eles têm aprendido na sala de aula. Uma vez por semana, eles recebem palestras e orientação por meio do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), uma iniciativa da Polícia Militar e Secretarias de Educação, para ensinar às crianças e aos adolescentes a como se comportarem diante das drogas e da violência. “Além de ensinarmos como eles devem combater esses problemas, é também uma forma de sensibilizarmos os pais através dos filhos. Principalmente porque muitos deles vivenciam isso dentro de casa e, assim, eles começam a plantar uma semente”, afirmou Neyzomar Pereira, policial militar há 14 anos, 12 deles dedicados ao Proerd.

Lotado na 18ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), o policial contou que, nas ruas do bairro, é comum ver pessoas consumindo e vendendo entorpecentes, e dentro de sala de aula, a missão é evitar que os 40 alunos que participam do programa se envolvam no crime. “Nosso trabalho é fazer deles disseminadores do bem para termos uma cidade melhor no futuro”, destacou.

A estudante Ane Kelly Printes dos Santos, 12, afirmou que o aprendizado tem sido importante. “Eu gosto de vir para as aulas porque aprendemos a como combater o tráfico, o bullyng, a violência. Sempre que chego em casa, conto para a minha mãe tudo o que eu aprendi aqui”, disse ela.

Identificar problemas é outro desafio

“Luz, câmera, ação!”. Essa é a palavra de ordem para chamar a atenção dos alunos para o instrutor. Falar de assuntos tão polêmicos exige não só conhecimento, mas também estratégias para identificar quando um deles está com algum problema.

“No início do mês uma aluna de uma outra escola chegou pra gente e disse que estava sendo aliciada pelo próprio pai. Isso chamou a nossa atenção. Ela foi levada para a delegacia e esse pai, hoje, está preso. Precisamos estar preparados para lidar com situações semelhantes, porque as denúncias chegam”, afirmou o instrutor da PM, que disse ainda que uma das maneiras de não expor nenhuma criança é usando a “caixinha da denúncia”. Lá, cada aluno deposita a sua e, posteriormente, cada uma delas será lida e analisada.

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