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Policial civil é preso em Brasília após disparar contra Marcha das Mulheres Negras

Ele, que já havia sido detido por porte de arma, estava acampado na frente do Congresso pedindo impeachment de Dilma e a volta dos militares; PF vai investigar o caso 19/11/2015 às 09:02
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Debochado, o homem ainda bate continência na hora da prisão
acritica.com* ---

A Marcha das Mulheres Negras foi interrompida na tarde desta quarta-feira (18) com barulhos de bombas e tiros. O evento acontecia na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.  Aproximadamente 10 mil pessoas participavam do ato, que incluiu uma caminhada entre o Ginásio Nilson Nelson e o Museu da República, ao lado da Catedral de Brasília.

O policial civil do Maranhão, Marcelo Penha, de 42 anos, foi detido por volta das 15h em flagrante por disparar de arma de fogo quatro vezes, nas imediações do Congresso. Na sexta-feira, o ele já havia sido detido em meio ao protesto dos estudantes. O outro homem detido é um policial civil do DF.

Pelo menos um dos dois presos integra grupo acampado em frente ao Congresso para defender a volta dos militares ao poder.

De acordo com a PM, um dos policiais disparou quatro tiros para o alto. Ele alegou ter se sentido ameaçado pelos integrantes da marcha. Houve corre-corre e um princípio de confusão entre participantes da manifestação antirracismo e o grupo acampado em frente ao Congresso.

Racismo

A Secretária de Combate ao Racismo da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação e militante do movimento negro, Iêda Leal considerou racismo o tumulto entre participantes do acampamento dos movimentos pró-impeachment e as militantes da Marcha das Mulheres Negra em frente ao Congresso.  

 “Nós chamamos isso de racismo. Queremos punição para as pessoas que agrediram não uma mulher negra, agrediram 50 mil mulheres que participavam da marcha para dizer que nós não aguentamos mais esse tipo de violência. A organização do evento vai fazer um boletim de ocorrência e buscar justiça pelo que houve”, afirmou Iêda, após reunião de representantes da marcha com a presidenta Dilma Rousseff no Palácio do Planalto.

Investigação

Em sessão do Congresso Nacional nesta quarta-feira (18), o presidente do Senado, Renan Calheiros, ouviu denúncia da deputada Benedita da Silva (PT-RJ) de que bombas foram lançadas contra a marcha das mulheres negras que se encaminhava para o Congresso Nacional. A deputada contou que elas foram agredidas pelos manifestantes acampados no gramado em frente ao Congresso.

Renan Calheiros disse que esse é um assunto muito grave e que vai pedir às polícias militar e federal que investiguem a existência de armas no acampamento. O presidente do Senado ainda lembrou que existe um ato do Congresso Nacional para definir que uma ocupação desse tipo só pode ser feita com a anuência conjunta dos presidentes das duas Casas e que essa anuência não existe.

"Nós não concordamos com a ocupação, mesmo assim a ocupação se fez. O presidente do Senado sozinho não pode autorizar, como não pode também mandar que as pessoas sejam retiradas dali, tem que ser uma decisão conjunta do presidente da Câmara e do presidente do Senado. Eu vou conversar com o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, mais uma vez, em função dos fatos novos acontecidos e da minha solidariedade às mulheres negras. Da minha parte, eu quero comunicar ao Congresso Nacional que eu vou pedir à Polícia Militar e à Polícia Federal para que investiguem a existência de bombas, de armas e que tomem as providências na forma da lei", determinou Renan.

*Com informações das agências Brasil (ABr) e Senado

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