Domingo, 05 de Dezembro de 2021
Saúde

Política Nacional de Atenção à Saúde Auditiva atendeu mais de 15 mil pessoas no Amazonas

Proporcionar a qualidade da saúde auditiva é a principal meta deste programa nacional



WhatsApp_Image_2021-09-29_at_19.40.34_DE1BDD13-1929-4876-B512-EDF9D89C8600.jpeg Foto: Bruno Zanardo / Otoclin
30/09/2021 às 07:34

Diagnóstico precoce de surdez (ou perda de audição) e o tratamento adequado são os principais objetivos da Política Nacional de Atenção à Saúde Auditiva, implantada pelo Ministério da Saúde (MS), com base em 26 estados, incluindo no Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) e a Secretaria Municipal de Saúde de Manaus (Semsa).

No Amazonas, mais de 15 mil pessoas já foram atendidas pela Otoclin – clínica de otorrinolaringologia habilitada pelo MS para desenvolver a política de saúde auditiva no Estado, juntamente com a SES-AM e Semsa. O prazer de poder voltar a ouvir foi o que marcou o casal, Emanuel Rufino, de 81 anos, e Terezinha Araújo, de 72 anos.

Emanuel Rufino, radialista e jornalista aposentado com mais de 40 anos de carreira, relembra do momento em que começou a ter problemas de audição. O jornalista que, inclusive já passou pela redação da A CRÍTICA, conta como foi bastante difícil lidar com a perda de um dos sentidos essenciais à sua profissão.

"Já comecei a sentir dificuldades em ouvir enquanto trabalhava. Tinha que perguntar mais de uma vez para as pessoas, pois não conseguia escutá-las direito. No começo foi bem difícil, a gente não quer dizer para ninguém que não estamos ouvindo", relembra Rufino.

Após sentir que estava quase perdendo totalmente a audição, o aposentado procurou o atendimento de saúde básica na Policlínica Gilberto Mestrinho, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). E foi na unidade de atenção básica que Rufino foi apresentado à Política Nacional de Atenção à Saúde Auditiva.

"Cheguei no atendimento, realizaram uma triagem, contei o que estava sentindo e fui orientando a ir a Otoclin para dar prosseguimento ao diagnóstico e tratamento. Me passaram uns exames para ver como estavam meus ouvidos. Após quatro meses, já com o diagnóstico de surdez, fui chamado para retornar a clínica e recebi os aparelhos de deficiência auditiva", descreve o aposentado.

Durante o processo de diagnóstico e tratamento de Emanuel Rufino, sua esposa também começou a apresentar sintomas de perda de surdez. E para evitar a perda total do sentido, passou pelo mesmo procedimento de diagnóstico e tratamento. Ambos, utilizam aparelhos auditivos que deram de volta o som em suas vidas.

DIREITO A OUVIR

O otorrinolaringologista Luiz Avelino Jr., proprietário da Otoclin, destaca que, proporcionar a qualidade da saúde auditiva é a principal meta deste programa nacional. Segundo o médico, a população precisa conhecer e usufruir o que é seu de direito.

"É importante comunicar esse serviço que é feito. A pessoa que está com perda de audição, não precisa passar por vários médicos. Ela tem um serviço que é específico para ela. O que falta é o conhecimento deste para poder utilizar um direito que todos tem. A gente tem o maior prazer de atender e melhorar a vida das pessoas", comentou Avelino Jr.

O médico ressalta ainda que a política de saúde auditiva atende todas as faixas etárias, desde os recém-nascidos até a polução idosa. Em todas as maternidades no Amazonas, inclusive as sete do Estado a Maternidade Municipal Moura Tapajós, são realizados exames de Triagem Auditiva Neonatal (TAN), o famoso “Teste da Orelhinha”, que tem por finalidade a identificação, o mais precocemente possível, da deficiência auditiva nos neonatos e lactentes.

"A política de saúde auditiva está disponível a todas as faixas etárias. Ainda que a criança possa nascer sem deficiência genética, passa na triagem sem apresentar a surdez e mais tarde passa a ter perda de audição. Ela vai na triagem com um pediatra na rede pública, se queixa sobre a perda de audição, e quem atender essa criança, vai encaminhá-la com a gente para fazer o diagnóstico. E a partir disso, conseguiremos ver o que será preciso para resolver o problema", descreve.

INCLUSÃO SOCIAL

Neste dia 30 de setembro é comemorado o Dia Internacional do Surdo. Para Avelino Jr, esta data serve para que toda a sociedade possa refletir o modo como tratamos as pessoas com surdez.

"As pessoas não tem paciência, atenção e cuidado em ouvi-los. Às vezes um pai que chamar o filho para assistir televisão na sala, aí o filho responde e eles não entendem. Eles gritam de novo, aí o filho vem chateado e toda aquela emoção de compartilharem o programa de TV juntos vai por água abaixo. O que eu tenho a dizer para as pessoas terem mais atenção aos deficientes, que eles possam incluí-los nas atividades. Ter um pouco mais de atenção faz toda a diferença, é assim que fazemos a inclusão", concluiu o médico.



News b9c859f0 b845 415e 97aa d9fe4eb65dc1 96581f6b 36a1 4a7c a5d9 8f8c56b0b256
Repórter de A Crítica
Amazonense, nascido e criado em Manaus. Graduado em Jornalismo e mestrando em Antropologia Social, ambos pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.