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Política: Rio Preto em clima de batalha campal

Dispouta pelo controle político da prefeitura transforma a rotina da cidade e provoca onda de instabilidade administrativa 16/10/2013 às 07:36
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Populares queimaram ônibus escolares e organizaram barricadas na entrada da cidade
Lúcio Pinheiro Manaus, AM

A disputa política pela Prefeitura de Rio Preto da Eva (Município a 80 quilômetros de Manaus), que se estende desde o processo eleitoral de 2012, gerou um quadro de instabilidade político-administrativa na cidade. Com minoria na Câmara de Vereadores, o prefeito Dr. Ricardo (PRP) já foi alvo de duas comissões processantes e uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). O ato mais recente - uma manifestação que acabou em quebra-quebra e confronto de populares com a polícia - resultou, na terça-feira (15), na ida da cúpula da Segurança Pública do Estado à sede do município.

Dr. Ricardo é médico. E chegou ao primeiro cargo eletivo com o apoio da maioria dos vereadores que hoje o querem fora da prefeitura. Nas eleições de 2012, ele disputou a Prefeitura de Rio Preto com Anderson Souza (PMDB), que já foi prefeito do município e teve o mandato cassado em 2008 pela Justiça Eleitoral por compra de votos. Com menos de dois meses no cargo, o prefeito eleito com 55,1% dos votos válidos (6.351 votos) teve a morte planejada por um grupo desarticulado pela polícia do município, no dia 15 de fevereiro.

Em maio, Dr. Ricardo não tinha mais a base de apoio na Câmara, começou ser acusado de irregularidades na gestão de recursos públicos pelos vereadores, e já era alvo de duas comissões processantes e uma CPI. Depois de ir à Justiça, o prefeito conseguiu brecar as investigações. Ele alega que o parlamento, sem lhe garantir o direito de defesa, quer tirá-lo da prefeitura na marra. “A gente tem uma legitimidade que foi conseguida nas urnas, e não posso deixar tirarem isso de mim no grito. Há denúncias sem fundamento, que fazem parte de um plano para que eu saia da prefeitura na marra, no grito”, disse o prefeito.

Os vereadores de oposição negam a existência de uma conspiração para tirar Dr. Ricardo da prefeitura de forma arbitrária. O interesse, segundo os parlamentares, é lutar pelo melhor para a cidade. O que para eles não acontecerá com o prefeito eleito no cargo. “Há várias irregularidades, como remanejo do dinheiro do Fundeb, salários atrasados e licitações fraudulentas”, disse o vereador presidente da Câmara, Chico Linha (PSC). No 5º mandato, o parlamentar fez campanha em 2012 para Anderson Souza. Depois da Justiça barrar as duas comissões processantes e uma CPI, os vereadores instalaram mais duas comissões. Nesse intervalo, baixaram três decretos afastando o médico da prefeitura.

Pedradas, barricadas e disparos

Na segunda-feira, depois de  uma liminar (decisão rápida e transitória) do desembargador Lafayette Carneiro Vieira Júnior determinando o retorno imediato de Dr. Ricardo para a prefeitura, 600 moradores, segundo estimativa do Comando da Polícia Militar, bloquearam a AM-010.

Para desbloquear a via, a PM utilizou helicóptero, e disparou contra os manifestantes balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo. Para os vereadores de oposição e populares que participaram do ato, houve excesso da polícia. “A polícia foi truculenta. Não quis negociar o desbloqueio da estrada. Invadiu estabelecimentos comerciais e atirou em manifestantes de helicóptero”, afirmou o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais, Fernandez da Silva.

Segundo o comandante da PM, coronel Almir David, a polícia foi recebida na cidade a pedradas e disparos de arma de fogo. “Ao chegar, fomos recebido com pedradas, barricadas, fogo e inclusive com disparo de arma de fogo. Temos cravado em um escudo da Rocam um projétil, que passa por perícia, mas provavelmente de calibre 38. E a aeronave também a princípio atingida com disparo de arma de fogo”, disse o comandante da PM.

Staff de segurança vai ao município

Os incidentes de segunda-feira resultaram, ontem, no deslocamento para o Município de Rio Preto da Eva do secretário estadual de Segurança, coronel Roberto Vital, do comandante da PM, coronel Almir David, e do delegado-geral da Polícia Civil, Josué Rocha. Por mais de uma hora, os três ficaram reunidos com os vereadores, o prefeito e a promotora do município, Cristiane Corrêa.

Na saída da reunião, o titular SSP-AM disse que a Câmara de Vereadores de Rio Preto terá que buscar os meios legais para resolver suas divergências políticas com a administração da cidade.

“O município não pode passar por esse tipo de turbulência. São os problemas político-partidários se sobrepondo aos interesses da coletividade. Para se preservar a ordem novamente, é dever do Estado propor a todos os cidadãos a preservação da ordem pública. Que reivindiquem, mas que busquem os seus direitos, através do Direito, da Justiça”, afirmou Roberto Vital.

Dois ônibus escolares foram incendiados pelos manifestantes, segunda-feira. O delegado do município, Virgílio Mendonça investiga o caso. “O modus operandi da manifestação mostra que não houve manifestação, e sim uma balbúrdia”, disse o delegado.

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